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Como encher as burras

Cley Scholz

22 de junho de 2010 | 22h48

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“O governo está enchendo as burras de dinheiro”, dizem os críticos da carga tributária cada vez que a Receita Federal anuncia um recorde de arrecadação. A expressão ‘encher as burras’ vem de antigos cofres como este da ilustração. No anúncio, a Casa A. L. Garraux chamava a atenção para um grande sortimento de burras de ferro importadas da Europa. “Estas burras podem, por suas formas elegantes e suas dimensões, ser colocadas em qualquer lugar, quer na sala de visita, de jantar ou na loja; são munidas de cavilha férrea que permite de as selar n’uma parede”.

O produto era recomendado para banqueiros, negociantes, administrações e ourives. “Por seu mérito incontestável, são indispensáveis a todas as pessoas prudentes, possuidoras de títulos tais como ações, obrigações do caminho de ferro ou quaisquer outros valores preciosos”. O anúncio cita uma experiência pública feita na exposição de 1878, a Exposição Universal de Paris. Colocaram 50 mil francos em títulos e notas bancárias dentro de uma burra que foi posta em uma fogueira de madeira de carvalho e querosene. A burra ficou vermelha no braseiro, e mesmo assim as notas teriam sido retiradas sem dano algum, atesta o certificado publicado entre aspas. O anúncio oferecia também burras nacionais, “as quais podemos afiançar superiores às outras de fabricação estrangeira”. Todas com fechadura de segredo, detalhe destacado como vantagem em relação às da concorrência.

Anúncio publicado no Estadão do dia 3 de dezembro de 1879.

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