A história do Brigadeiro + receitas deliciosas

Estadão

16 de janeiro de 2011 | 01h55

Por Marcela Rodrigues Silva

O Brigadeiro é 100% nacional, sabia?

“O brigadeiro, o doce, ficou conhecido mesmo em 1945, durante a campanha do brigadeiro Eduardo Gomes pelas eleições presidenciais. O docinho de chocolate, até então quase anônimo, era preparado pelas eleitoras mais prendadas do político e servido em festas de campanha como sendo ‘o preferido do brigadeiro’. De tanto ser apresentado desse modo, o docinho, que não tinha nome, passou a ser chamado ‘brigadeiro’ ”

Prazer, Negrinho

“Diz a lenda que, antes de se chamar brigadeiro , o docinho de leite condensado, chocolate, manteiga e gemas tinha outro nome: negrinho. Tudo indica que ele teria sido inventado no Rio Grande do Sul, possivelmente por uma dona de casa muito loira que achou exótica a cutis marronzinha do doce. Os gaúchos, oa que parece, não fizeram muita festa para o chocólatra Eduardo Gomes. O Rio Grande do Sul é o único estado brasileiro que ainda chama brigadeiro de negrinho”.

(Trechos do  livro “O livro do Brigadeiro”, da doceira Juliana Motter, pela editora Panda Books – pág. 10 )

RECEITAS

Brigadeiro tradicional (rende 30 unidades)

-Ingredientes: 1 lata de leite condensado / 4 colheres de chocolate  em pó / (ou 8 colheres de raspas do seu chocolate favorito)/ 1 colher (sopa) de manteiga extra sem sal / Raspa de chocolate para decorar

Preparo: Abra a lata de leite condensado e despeje na panela. Acrescente o chocolate em pó (ou as raspas de chocolate), misture bem, junte a manteiga e leve ao fogo baixo, mexendo sempre até que a massa desgrude do fundo da panela. Quando estiver no ponto**, retire da panela e transfira para um recipiente de louça untado com manteiga. Deixe esfriar, molde as bolinhas, passe-as em raspas de chocolate ao leite ou meio-amargo e acomode-as nas clássicas forminhas de papel plissado.

** Não durma no ponto: Na panela, mexa a massa sem parar, por mais ou menos 10 minutos. Quando a massa ganhar ficar marrom escuro, ficará um pouco pesada (vocÊ vai sentir na colher). Ela vai começar a desgrudar do fundo da panela. Eis o ponto!

Torta Maria Brigadeiro (Rende 8 porções)

-Ingredientes: 4 receitas de brigadeiro tradicional / 2 pacotes de biscoito de maisena

– Preparo: Para essa torta, você vai precisar de uma forma redonda de mais ou menos 20 cm de diâmetro, com o fundo removível. (Segundo Juliana Motter, esse utensílio é o mais importante da receita, caso contrário ela se tranforma na palha italiana e só). Pois bem. Providenciada à forma, mão na massa! Prepare as receitas de brigadeiro tradicional e, quando estiver no ponto, junte os biscoitos de maisena quebradinhos com a mão. Misture bem, na penela mesmo, e transfira a massa para a forma untada com manteiga, sem alisar (“quanto mais rústica a torta, mais bonita ela fica!”, diz a doceira). Deixe esfriar bem, desenforme e sirva com o seu sorvete preferido.

ENTREVISTA

(Foto: Paulo Liebert/AE)

A ex-jornalista e chef, Juliana Motter já teve vergonha do apelido que ganhou na infância: Maria Brigadeiro. Hoje, tem orgulho do nome que leva seu ateliê, o primeiro de brigadeiros gourmet de São Paulo. A jovem doceira de 30 anos, que fez seu primeiro docinho aos 6 ao lado da avó, é mesmo prendada. Foi ela quem decorou o espaço com romantismo barroco e atmosfera retrô, elementos que também norteiam suas receitas. “Gosto de pratos que tenham afeto, aconchego. Mas também invento e dou sofisticação”, conta ela. Confira a entrevista:

Como começou a sua história com o brigadeiro? Aos 6 anos, aprendi a receita com a minha vó. Ela fazia muitos doces caseiros. Saber fazer brigadeiro nessa idade era como ter superpoderes. Assim, ganhei o apelido de ‘Maria Brigadeiro’. Mas eu tinha vergonha dele.

Como o hobby virou empresa? Eu adorava incrementar receitas. Usava cachaça, chocolates finos que trazia de viagens…E dava os brigadeiros de presente. Há mais ou menos 3 anos, eu estava numa festa e uma das convidadas me perguntou se eu aceitava encomendas. Já estava tão sem paciência de explicar que era só um hobby, que aceitei a encomenda de mil doces para o dia seguinte. Na entrega, uma amiga minha, dona daquela festa, me deu cartõezinhos que ela tinha feito da ‘Maria Brigadeiro’. E eu não parei mais.

E o trabalho de jornalista? Durante três meses fazia doces à noite e, de dia, trabalhava na redação de uma revista. Pedi demissão e fui fazer o que amo.

Como sua família reagiu? Achavam normal eu mudar de profissão, mas faziam cara de susto quando eu dizia que faria brigadeiros para viver. Meu pai demorou a aceitar e, quando entendeu, ainda sugeriu que eu fizesse outro doce.

Você come muito o doce ou já enjoou de brigadeiro? Como muito! Uma vez, reclamei com o personal trainer que não conseguia emagrecer. Ele passou um dia aqui e descobriu que toda hora eu comia um pedacinho. Engordei 4kg nos últimos anos, mas estou feliz. Hoje, o brigadeiro tem outro status, surgiram outros ateliês. Você fica orgulhosa? Sim. Era meu objetivo fazer o brigadeiro ganhar status de paladar adulto e não perder mais espaço nas festas para os doces estrangeiros, como a trufa. Mas os ateliês me decepcionaram…

Por quê? A maioria se desviou do conceito gourmet. Um confeito diferente não basta para chamar um brigadeiro de gourmet. É preciso usar ingredientes de boa qualidade, ter uma produção realmente artesanal. Não dá para usar achocolatado, nem fazer o brigadeiro durar cinco dias. O meu tem validade de um dia. Eu já recusei propostas para abrir lojas em outros bairros e até em shoppings, pois seria impossível manter o meu conceito, de fazer tudo artesanalmente. Não vou mudar.

No seu livro (‘O Livro do Brigadeiro’), você conseguiu unir as duas profissões… Foi uma delícia. Meus rascunhos são todos respingados de chocolate.

Dentre as suas 40 receitas de brigadeiro, qual delas é a cara de São Paulo? O tradicional. É genuíno.

(Por Marcela Rodrigues Silva)

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