Caso Eloá: Com arma do crime nas mãos, promotoria aponta divergências entre depoimentos

Estadão

16 de fevereiro de 2012 | 11h56

Atualizado às 12h07

Após cerca de uma hora e meia, a promotoria terminou de fazer por volta das 11h40 a acusação contra Lindemberg Alves para o júri no Fórum de Santo André. Com o revólver usado para atirar contra Eloá Pimentel em mãos durante parte do debate, a promotora Daniela Hashimoto investiu o tempo que tinha para apontar as divergências entre os depoimentos do réu e das testemunhas de acusação que também foram feitas reféns.

Entre as questões apontadas pela promotora estão as afirmações de que Lindemberg não manteve os amigos da vítima – Nayara Rodrigues, Victor Lopes e Iago Vilela de Oliveira – também em cárcere no apartamento e que não atirou contra o sargento da Polícia Militar Atos Valeriano, que negociou a libertação dos jovens.

No momento mais forte da explanação, com um revólver calibre .32 na mão, a promotora chegou a empurrar uma mesa e amarrar a mão de um jurado com um lenço para mostrar que Lindemberg poderia ficar o tempo todo com a arma em punho. O ato foi uma referência aos comentários da defesa, durante o depoimento de Nayara, de que era estranho ele amarrar os reféns e fazer tudo mais com a arma na mão, sem nunca soltar o objeto.

A promotora terminou o depoimento sempre de arma em punho, numa tentativa de provar que isso era possível.

Duas imagens. Daniela Hashimoto fez questão de desmontar a imagem de que Lindemberg havia ido para o apartamento de Eloá apenas para namorar. Segundo ela, o réu havia planejado o momento de acertar as contas com a menina. Para isso, ele chegou a levar Ederson Douglas Pimentel, o irmão mais novo da vítima, a um parque e deixou-o sem o celular para que não pudesse a avisá-la a tempo.

A promotora disse que os jurados teriam de decidir entre a versão de um Lindemberg que se pinta como um rapaz bonzinho e a imagem de alguém dissimulado e manipulador.

Uma das declarações finais de Daniela foi a de que Lindemberg sempre quis matar a menina. “A Eloá para ele nada mais era do que um objeto, não era a amada dele como ele dizia”.

com reportagem de ARTUR RODRIGUES