Caso Eloá: Defesa contradiz o depoimento do próprio Lindemberg

Estadão

16 de fevereiro de 2012 | 14h06

atualizado às 14h11

A advogada de Lindemberg Alves, de 25 anos, Ana Lucia Assad contradisse o depoimento do réu em ao menos dois momentos durante o debate no Fórum de Santo André, neste último dia de julgamento. Durante sua explanação aos jurados, ela apontou que a condenação deve ser abrandada, mudando a tipificação dos crimes pelo qual ele é acusado.

No depoimento de quarta, Lindemberg disse que Eloá Pimentel, sua ex-namorada, não sabia que ele iria visitá-la, que tentou ligar, mas ninguém atendeu. Nesta manhã, porém, Ana Lucia disse o contrário: para ela, a vítima foi avisada que o acusado iria ao apartamento. “Vocês já ouviram falar do ditado que ‘roupa suja se lava em casa’?”, questionou o júri, se referindo que os jovens haviam reatado e iriam discutir a relação naquele dia.

No outro momento, a defesa também assumiu que o réu atirou contra Nayara Rodrigues, amiga da vítima que também foi feita refém. “Ele se assustou e atirou”, afirmou Ana Lucia. Durante o depoimento, no entanto, Lindemberg deixou em suspense a ação ao dizer que não se lembrava de ter disparado. “Não posso dizer se atirei ou não na Nayara”.

Crimes. A advogada de Lindemberg pediu três mudanças na tipificação de crime contra o réu. Ana Lucia quer que ele seja condenado por homicídio culposo (quando não há intenção) e não doloso em relação a morte de Eloá; por lesão corporal culposa e não tentativa de homicídio contra Nayara e que ele seja absolvido da acusação de cárcere contra os amigos da vítima: Victor Lopes, Iago Vilela de Oliveira e Nayara.

Além de negar o sequestro, a defesa também reafirmou que não foi Lindemberg que atirou contra o policial que invadiu o apartamento. E voltou mais uma vez a culpar a ação da polícia e a cobertura da mídia como também responsáveis pelo crime. “A imprensa tratou o caso como um reality show policial.”

Auto-defesa. A advogada usou boa parte da 1h30 do debate para defender a própria imagem. Ana Lucia disse que foi humilhada e atacada pela imprensa durante o período de julgamento. “Peço desculpas se me inflamei, mas tudo o que a defesa falou aqui é verdade”, disse.

E finalizou dizendo que Lindemberg sempre amou e ainda ama Eloá, tanto que em três anos de prisão, ele nunca recebeu visita íntimas. “Ele não é um marginal, como alguns que estão em Brasília. É um rapaz calmo, sensato, mas com um perfil impetuoso. Ele é apaixonado pela Eloá até hoje.”

com reportagem de ADRIANA FERRAZ