Como poupar R$ 900 com duas borrifadas

Daniel Fernandes

30 de maio de 2011 | 10h41

Daniel Fernandes

É impressionante. Não deveria ser. Mas é.

O meu possante automóvel – um Celta com três anos de uso e mais de 30 mil quilômetros rodados – passou a resmungar recentemente a falta de cuidados da minha pessoa com ela, a máquina que me transporta para cima e para baixo.

A reclamação era um estridente barulho na mola da roda traseira direita. Toda vez que eu passava em uma ondulação ou lombada era a mesma coisa – nhéeeeeeeeeeeeeeeeeee. No começo não liguei. O que liguei foi o meu iPod em um volume maior. E não há barulho de carro que sobreviva à guitarra de Kurt Cobain.

Mas na semana passada pensei melhor sobre o assunto e decide resolver o problema, afinal, ficar sem carro não estava em meus planos. E o barulho começou a aumentar.

Diante da minha vasta experiência automobílistica, constatei sozinho que o problema deveria ser no amortecedor. E eu precisaria trocá-lo. Na sexta-feira passada,  resolvi telefonar para uma loja especializada. E o especialista – após me ouvir explicar mal e porcamente o que estava acontecendo – sentenciou: vai custar uns R$ 900 para arrumar.

No dia seguinte, um pouco contrariado por ter de gastar tanto com tão pouco, estava eu, meu carro e minha carteira na porta da loja.

Mostrei onde era o barulho. E o consutor José – o Zé, como o chamavam – não se convenceu. Pediu para eu sair com ele e dar uma volta pelas ruas esburacadas do bairro. Aí, confesso, eu já achei que tinha alguma coisa errada.

Demos a volta, o Zé ouviu o barulho, e retornamos para a oficina. Mas nada de o Zé anunciar o inevitável – a troca dos amortecedores.

Pois bem, ele foi até o fundo da oficina, voltou com uma lata de óleo, deitou-se embaixo do carro. Deu duas borrifadas. DUAS BORRIFADAS NA MOLA. E o baulho desapareceu. Assim, com a maior naturalidade, ele se levantou e me disse: está pronto. Não era nada. Bastava dar uma lubrificada na mola. Não é preciso trocar o amortecedor agora, dá para rodar mais uns dez mil quilômetros.

Veja bem. Vocês entenderam a gravidade da situação? Um mecânico, honesto, em São Paulo. Se ele me pedisse R$ 2 mil pelo serviço e me falasse que a situação era grave, eu acreditaria porque não entendo nada de carros. Mas ele foi honesto.

HONESTO.

E ganhou um cliente para o resto da vida, afinal, aonde vocês acham que eu levarei meu poderoso Celta quando chegar a hora de trocar os amortecedores?

O Zé nem deve conhecer, mas aí vai um clássico do Nirvana para celebrar o barulho bom