Ação sindical na África do Sul afeta crescimento do país

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Por DAVID DOLAN
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Dois meses de turbulências no mercado de trabalho provavelmente vão forçar a África do Sul a revisar novamente suas perspectivas de crescimento econômico, disse neste domingo o vice-governador do Banco Central do país, Daniel Mminele. Greves iniciadas nas minas de platina deixaram mais de 50 mortos e se disseminaram por outros setores, afetando a confiança dos investidores na maior economia da África e abalando a imagem do governo do presidente Jacob Zuma. Mais de 70 mineiros foram presos depois de confrontos com a polícia neste fim de semana e trabalhadores da Anglo American Platinum prometem seguir com sua paralisação, mesmo depois de a empresa ter demitido milhares de grevistas. "É bem provável que as previsões de crescimento sejam revisadas", disse Mminele em um pronunciamento num seminário de investimentos do JP Morgan em Tóquio, publicado no website do banco central sul-africano. Os últimos prognósticos econômicos do Reserve Bank indicavam uma média de crescimento de 2,6 por cento este ano e 3,4 por cento no ano que vem - ainda assim, bem menor do que a taxa que a África do Sul admite precisar para reduzir o desemprego de um quarto da força de trabalho. Não ficou claro de imediato se Mminele estava se referindo a essas previsões de crescimento, divulgadas em setembro. Em outro golpe para a África do Sul, a agência de classificação de risco Standard and Poor's reduziu o rating do país na sexta-feira, citando como motivo as greves e a tensão social. Reagindo ao rebaixamento, Mminele disse que as autoridades estavam desapontados, mas que algumas das críticas eram válidas. IMPACTO DOS SALÁRIOS Analistas de finanças estão preocupados não somente com a turbulência, mas também com o possível impacto de aumentos de salários obtidos por alguns grevistas sobre a inflação - reajustes de até 22 por cento no caso dos mineiros da Lonmin Plc. O banco central ainda não tem evidências de que aumentos de salários estejam se tornando norma, mas terá de fechar os olhos no caso de terem o efeito de elevar os preços ou expectativa de aumento de preços, afirmou Mminele. No fim de semana prosseguiram os confrontos, quase dois meses depois de a polícia ter matado a tiros 34 grevistas na mina Marikana, da Lonmin, em 16 de agosto, no incidente mais sangrento na história da África do Sul pós-apartheid. A polícia dispersou um protesto de 600 trabalhadores da mina da Gold Fields, os quais permaneciam sentados, exigindo a libertação de colegas detidos em uma delegacia, cerca de 45 quilômetros a oeste de Johanesburgo. Foram presos 72 mineiros. Perto de Rustenburg, no chamado "cinturão da platina", cerca de 120 quilômetros a noroeste de Johanesburgo, a polícia usou gás lacrimogêneo e balas de borracha depois que uma passeata perto de uma mina da Anglo American Platinum se tornou violenta. Quatro manifestantes foram presos.

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