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Arquiteto da Casa Cor é morto a tiro dentro de carro no Brooklin

Ele saía de escritório quando foi abordado por dois homens, que fugiram sem nada levar

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Criador de alguns dos ambientes mais concorridos de várias edições da Casa Cor, maior evento de decoração do País, o arquiteto e decorador Nelson Walter Fernandez Lojo, de 59 anos, foi assassinado, com um tiro no peito, anteontem à noite, no Brooklin, zona sul de São Paulo. Segundo a polícia, o crime ocorreu às 20h15. O arquiteto saía do escritório, na Rua Califórnia, 1.355, quando foi abordado por dois homens não-identificados. Segundo depoimento de um vigia, única testemunha do crime, a dupla abordou Lojo, gritando: "Entra, entra". A testemunha viu ainda quando um dos homens entrou no carro, pela porta traseira. Minutos depois, quando o carro começava a mover-se, os dois homens saíram do veículo, um pela porta do motorista e o outro pela de trás. Em seguida, o corpo do arquiteto despencou pela porta do passageiro. A dupla, que vestia trajes escuros, segundo a testemunha, saiu correndo, entrou em um Corsa estacionado bem próximo, quase na esquina com a Avenida Jornalista Roberto Marinho, e foram embora. Lojo foi socorrido por policiais, que chegaram ao local logo depois do ocorrido. Ele chegou a ser levado para o Hospital Evaldo Foz, na Avenida Vereador José Diniz, no Campo Belo,zona sul, onde chegou morto. De acordo com o boletim, nada foi roubado do arquiteto - nem os dois aparelhos celulares que estavam com ele. Até às 19 horas de ontem, a polícia não tinha nenhuma pista dos dois criminosos. A ocorrência foi registrada como tentativa de roubo no 96º Distrito Policial. SALÃO DE MILÃO A notícia da morte de Lojo chocou a comitiva brasileira de arquitetos que estava ontem no Salão Internacional do Móvel, em Milão. Ex-diretor da Casa Cor, desde a criação do evento até o ano passado, Roberto Dimbério falou com o Estado por telefone. "Conhecia ele de longa data. O Nelson fez coisas lindíssimas para o evento. O barco colocado nos jardins do antigo prédio da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, no Pacaembu (zona oeste), é um desses achados dele. Para mim, aquele barco com a popa voltada para o vale do Pacaembu foi uma das coisas mais surpreendentes da Casa Cor", afirmou. Lojo dedicava-se ao segmento de alto luxo, especializou-se na decoração de iates em cozinhas tecnológicas. "Ele era sempre muito atualizado, muito moderno", disse Dimbério. O empresário Jorge Gabrieli Zacharias Calixto é proprietário de uma das primeiras casas projetadas pelo arquiteto, em São Paulo, e, atualmente, tinha dado a ele a missão de reformar outra residência. "Era um homem sensacional", afirmou Calixto. "Um erudito, uma pessoa agradável, sempre muito tranqüilo e um grande amigo." Tanto Calixto quanto Dimbério definem Lojo como um homem pacato, sem inimigos, destacado nos eventos sociais de decoração. "Não éramos próximos. Na realidade, convivemos durante a realização das várias edições da Casa Cor, mas sei que era um homem muito sossegado, educado, muito bem relacionado no meio também", disse o arquiteto e decorador Jorge Elias. "Ele era uma pessoa divertida e muito querida por todos. É certamente uma perda significativa para o segmento da arquitetura de interiores no Brasil. Ficamos todos aqui muito circunspectos e ao mesmo atônitos com essa loucura de violência que castiga a cidade de São Paulo", declarou Roberto Dimbério. "São fatos que deixam a todos inseguros." URUGUAIO Lojo formou-se em arquitetura pela Universidade Mackenzie, mas é natural de Montevidéu, no Uruguai. Veio para São Paulo em 1974, contratado para trabalhar como cartógrafo e aerofotogrametrista. A partir dos anos 80, ele começou a trabalhar no setor de arquitetura de interiores, ganhando destaque em eventos não só como o Casa Cor, mas também como o Equipotel, voltado para a decoração de hotéis. O arquiteto era casado e tinha três filhos - o mais jovem, adolescente. O corpo de Lojo foi sepultado ontem, por volta das 16 horas, no Cemitério da Paz, no Morumbi, zona sul da cidade.

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