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Aumenta concentração de terra na América Latina, diz FAO

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Por RAYMOND COLITT

A população pobre da América Latina deveria receber uma quantidade maior de terras, mas as propriedades agrícolas concentram-se cada vez mais na mão das grandes empresas, afirmou na quinta-feira uma importante autoridade da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). "A concentração de terras está aumentando em vários países da região", afirmou José Graziano, chefe da FAO para a América Latina e o Caribe. "Há a necessidade de que se realize uma reforma agrária. É preciso garantir um melhor acesso aos recursos produtivos na América Latina", disse Graziano em uma conferência da FAO realizada em Brasília. Sem-terra e agricultores brasileiros realizaram manifestações nesta semana para exigir a aceleração da reforma agrária -- como parte de protestos mais amplos ocorridos neste mês e que incluíram a invasão de fazendas e de uma usina hidrelétrica. Os membros do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) invadiram na quinta-feira a Ferrovia de Carajás, que transporta minério de ferro da principal mina do país no Pará para o porto de São Luis, no Maranhão, de propriedade da Vale. Em Brasília, cerca de 3.000 ativistas realizaram uma passeata. E cerca de 50 deles apresentaram suas demandas na conferência da FAO, incluindo a imposição de um limite máximo para o tamanho das propriedades rurais. "O Brasil não pode continuar a ter tantas pessoas marginalizadas, tantas famílias vivendo humilhadas sob as lonas de plástico", afirmou Maria da Graça Amorim, chefe da federação de agricultura familiar, aos delegados da FAO. Ela chamou atenção para as famílias acampadas ao lado das estradas, em barracas de lona, exigindo um pedaço de terra. Os delegados uniram-se aos manifestantes ao realizarem um minuto de silêncio para lembrar o assassinato de 19 trabalhadores rurais sem terra na cidade de Eldorado dos Carajás. "Infelizmente, a América Latina possui a mais alta taxa de concentração de propriedade agrária do mundo", disse Graziano. "Não acreditamos que a desigualdade poderá ser reduzida ou que a fome ou a pobreza possam ser erradicadas se vocês não facilitarem o acesso aos meios de produção", afirmou. A distribuição de terra e o investimento no setor rural poderiam ajudar a brecar o processo excessivamente rápido de urbanização responsável por criar favelas imensas em toda a América Latina, disse Graziano. Os líderes dos setores industrial e agrícola do Brasil reclamam que as invasões de terra aumentaram nos últimos anos porque o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva alimentou as expectativas de que daria mais terra aos pobres. (Reportagem adicional de Denise Luna) REUTERS CM

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