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Ministros: é 'grave' mandantes não serem condenados

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Em nota conjunta divulgada nesta sexta-feira, os ministros da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário Nunes, e do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, avaliaram como "justa" a condenação dos executores do casal de líderes extrativistas do Pará José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva, mas consideraram "grave" que nenhum mandante tenha sido responsabilizado pelo crime.Único acusado de mandante a sentar no banco dos réus, o pecuarista José Rodrigues Moreira foi absolvido no julgamento, realizado nesta quinta-feira (04), em Belém. Pelo homicídio, que aconteceu há dois anos, foram condenados o executor Alberto Lopes Nascimento, de 45 anos, autor dos tiros, e Lindonjonson Silva Rocha, de 42 anos, irmão de Moreira, responsável pela emboscada. Maria do Rosário e Pepe Vargas consideraram a punição incompleta. "Estamos conscientes de que um crime dessa natureza costuma ser motivado por interesses que vão além das pessoas que, de forma vil, o executam. Por este motivo, acreditamos que a Justiça só será plena com a responsabilização igualmente firme, por parte do Poder Judiciário, dos autores intelectuais ou mandantes da execução", anotaram.O casal de líderes extrativistas era assentado da reforma agrária e se dedicava à produção sustentável de castanha no Projeto Agroextrativista Praialta-Piranheira, reserva ambiental rica em madeira de lei. Considerado sucessor do seringueiro, sindicalista e ativista ambiental Chico Mendes, assassinado em 1988, Ribeiro da Silva defendia a exploração econômica seletiva, sem destruição da mata. Ele era ameaçado por fazendeiros, sobretudo por Moreira, que reclamava a posse da terra ocupada pelo casal. "A absolvição do mandante desse crime traz como consequência a sensação de impunidade no que se refere a homicídios de trabalhadores na zona rural", criticaram.De acordo com o comunicado, a não responsabilização dos mandantes do crime "prejudica a luta de trabalhadores que defendem a geração de renda com preservação da floresta". Os dois ministérios informaram que apoiam a decisão do Ministério Público de recorrer da absolvição do fazendeiro e que vão acompanhar os desdobramentos do caso.

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