A JVCO, acionista minoritário da TIM Participações, informou nesta terça-feira que abriu processo contra a Telecom Italia na justiça do Rio de Janeiro, pedindo indenização à operadora brasileira com base em uma postura que afirma ser de abuso de poder por parte do grupo italiano que tem causado prejuízos a empresa e seus acionistas. A ação da JVCO, controlada pelo empresário Nelson Tanure, não estabelece o valor do pedido de indenização, mas cita como parâmetro a queda no valor de mercado da TIM. "Desde o afastamento de Luca Luciani, ex-presidente da TIM, os acionistas viram o valor da companhia ser reduzido em mais de um terço, o que corresponde a uma perda de 10 bilhões de reais". Representantes da TIM no Brasil não puderam comentar o assunto de imediato. A Telecom Italia não pode ser contatada. Na semana passada, a JVCO acusou a TIM de irregularidades no balanço, afirmando que a empresa tem uma dívida de 6,6 bilhões de reais, alegação negada pela operadora e que gerou um tombo no valor das ações da empresa . Segundo a JVCO, representada pelo escritório de advocacia Bulhões Pedreira, a Telecom Italia indicou Luciani para os cargos de membro do Conselho de Administração e presidente da TIM, "quando sabidamente já se encontrava sob investigação promovida pelo Ministério Público italiano, por suspeita de prática de fraudes com o propósito de inflar a base de clientes da Telecom Italia". Luciani renunciou aos cargos no início de maio deste ano. Na época, a ação da empresa era cotada no patamar de 10 reais e às 10h47 desta terça-feira exibiam queda de 0,4 por cento, a 7,23 reais. A JVCO, parte da Docas Investimentos, de Tanure, era a antiga controladora indireta da Intelig, adquirida pela TIM em 2009. A empresa não informa o tamanho de sua participação na operadora. A TIM tem enfrentado uma série de revezes nos últimos meses, como a suspensão de vendas do segmento de telefonia móvel em diversos Estados aplicada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Na ação, a JVCO afirma que durante gestão na TIM, Luciani adotou uma política comercial "agressiva que resultou em graves problemas de qualidade dos serviços prestados". (Por Alberto Alerigi Jr.)
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