No PR, médicos sugerem 'parceria' com povo na saúde

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Por Evandro Fadel
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Médicos reunidos no 1º Encontro Nacional de Conselhos de Medicina, em Curitiba, fizeram uma manifestação pública hoje na Praça Santos Andrade, em frente ao prédio histórico da Universidade Federal do Paraná, com o objetivo de sugerir uma "parceria" com a população para buscar uma saúde de melhor qualidade e a valorização do profissional. "Se fizermos essa parceria, penso que é possível reverter a atual situação", disse o vice-presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Roberto D''Avila. Segundo ele, houve um descaso do governo para com os profissionais da medicina, que se reflete na baixa remuneração do Sistema Único de Saúde (SUS). Hoje, o pagamento a um clínico geral seria de R$ 3,10 por consulta, enquanto um especialista recebe R$ 7,50. "É uma falta de respeito a quem estudou e continua investindo nos estudos para defender a vida e a saúde das pessoas", afirmou. De acordo com ele, as pessoas muitas vezes interpretam que o médico é culpado pelos problemas. "Mas somos tão vítimas quanto elas, também sofremos com o descaso." D''Avila salientou que a falta de investimento em saúde leva à superlotação de hospitais, à formação de filas nos postos e à exigência de que o profissional atenda de forma rápida. "Não se justifica que se atenda com rapidez e mau humor, mas pode-se explicar", ponderou. "Isso é ruim para o médico e para o paciente". Segundo o vice-presidente do CFM, há no País 330 mil médicos, mas apenas uma pequena minoria não atende pelo SUS. Ele próprio, que é cardiologista, disse ter 30 anos de carreira no Ministério da Saúde e receber R$ 1.700. "Queremos apenas dignidade em nosso trabalho e boa saúde pública", disse. As entidades médicas pretendem realizar com mais freqüência atos como os realizados em Curitiba. "Não somos mais aquela classe elitista, fomos sendo proletarizados ao longo do tempo", salientou. No entanto, ele admitiu que os médicos ainda não estão preparados para manifestações como a de hoje. Dos cerca de 200 médicos, educadores e representantes de entidades que se reuniram no local, poucos estavam realmente conversando com populares. "Primeiro precisamos conquistar a nós mesmos para depois conquistar a população", disse D''Avila. "Ainda estamos engatinhando nesse processo."