Para Fiocruz, falta informação sobre dengue em crianças

Crianças morrem por excesso de paracetamol e de meningite diagnosticados como dengue, criticou especialista

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Por Fabian Cimieri e de O Estado de S. Paulo
2 min de leitura

Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz atribuem o alto número de mortes em crianças na epidemia de dengue no Rio à falta de orientação específica para essa faixa etária no protocolo distribuído aos médicos da rede pública pelo Ministério da Saúde.   Veja Também:  Especial - A ameaça da dengue Epidemiologista diz que campanha antidengue fracassou Rio já tem mais casos de dengue este ano que em 2007 Reforço antidengue no RJ inicia ação semana que vem Cariocas terão cartão para acompanhar evolução da dengue Temporão critica 'saúde precária' da Prefeitura do Rio Para infectologista, SP corre risco de epidemia de dengue Para governo, dengue cresce no Rio por falta de agentes Dengue atinge status de epidemia no Rio   A mestre em Saúde da Mulher e da Criança da Escola Nacional de Saúde Pública, Elyne Engstron, explicou que os valores de referência de plaqueta e hematócritos, medidos no exame de sangue e que podem indicar a ocorrência de dengue hemorrágico, são diferentes em crianças e adultos. Os sinais de alarme também podem ser diferentes dos sintomas da dengue em adultos.   "As crianças desidratam muito mais rápido e costumam se queixar de dores de barriga ou na garganta, que já são indícios de que a doença está se agravando", exemplificou Engstron.   "Estamos tendo que treinar as equipes e estipular essas orientação no meio da epidemia", disse ela, acrescentando que o diagnóstico também é mais difícil do que nos adultos, já que os sintomas são inespecíficos e típicos de outras enfermidades infantis.   A infectologista da Fiocruz Patrícia Brasil defendeu um estudo mais aprofundado das mortes já confirmadas por dengue. No início da epidemia, segundo ela, os médicos estavam subestimando a doença e mandando o paciente de volta para casa com outros diagnósticos. Agora, a situação se inverteu. "Tem criança morrendo de insuficiência hepática causada por excesso de paracetamol (único antitérmico que pode ser utilizado em caso de suspeita de dengue), de meningite ou infecção generalizada e dizem que é dengue", criticou.   Segundo ela, a dengue é uma doença benigna e que deveria matar em menos de 1% dos casos, se fosse tratada na hora e de modo adequado. Médicos e pais devem estar atentos para o momento em que a febre abaixa ou vai embora, o que acontece entre 3 e 5 dias após os primeiros sintomas. Agitação, tontura ou dores abdominais podem ser sinais de que a doença está evoluindo para o tipo hemorrágico. O exame de sangue, com a contagem de plaqueta e hematócritos, confirma ou não o agravamento.   Ao contrário da epidemia de 2002, quando predominou o dengue do tipo 3, a deste ano está atingindo principalmente as crianças porque o vírus predominante é o do tipo 2. Como essse sorotipo já existe no Rio há mais de 10 anos, a maioria dos adultos já tem anticorpos contra ele e não adoece.   A tendência, no ano que vem, é que os casos de dengue aconteçam em municípios vizinhos, especialmente no norte fluminense ou na Costa Verde. "Não descartamos uma epidemia em São Paulo, mas lá o sistema de saúde é mais organizado", disse Sabroza.   De acordo com o entomologista do Instituto Oswaldo Cruz Ricardo Lourenço, São Paulo ainda não teve a "volta da dengue do tipo 2." Segundo ele, estudos da evolução da dengue no Estado mostram que os surtos em municípios paulistas acontecem algum tempo depois que ocorrem no Rio e no Mato Grosso, que também tem alto índice de incidência. "A vantagem é que o mosquito e o vírus não sobrevivem em invernos mais rigorosos, então a incidência tende a ser menor do que em climas mais quentes e úmidos."

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