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Para francesa Coface, crédito no Brasil já está em ponto ideal

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Por DANIELA MACHADO

O volume de crédito no Brasil em proporção do Produto Interno Bruto (PIB) já está em um ponto "ideal para o momento, ainda que seja bem inferior ao de países desenvolvidos ou mesmo de alguns na América Latina, como o Chile. A avaliação é de Fernando Blanco, presidente da seguradora de crédito Coface no Brasil. Para o executivo, é melhor que o crédito cresça com segurança do que dar um salto e depois ter que recuar. "O que eu não gostaria de ver é volatilidade. Se a relação entre crédito e PIB vai a 45 por cento e depois volta não é bom", avaliou nesta quinta-feira antes de uma conferência promovida por seu grupo. Em fevereiro, último dado divulgado pelo Banco Central, essa relação era de 34,9 por cento. A companhia francesa, que administra 500 bilhões de dólares em risco de crédito no mundo, tem no país uma carteira que supera 20 bilhões de reais --com destaque para o setor agropecuário. Blanco acha que ainda falta educação financeira para os tomadores de empréstimos e vivência para os bancos, que experimentam níveis inéditos de financiamento no país. "O brasileiro faz prestação que cabe no salário e só olha isso. Isso é uma irresponsabilidade", argumentou. Ele também mencionou que a expansão do crédito começou a ser construída num momento de bonança internacional, cenário diferente do atual. "O Brasil não tem problema hoje, mas e se vier uma ressaca da crise externa?", disse Blanco, ressaltando não ter dúvida da solidez dos bancos no país. Ele aposta em um crescimento econômico de 4,0 a 4,5 por cento no Brasil este ano, uma desaceleração frente a 2007 por conta das turbulências originadas no segmento de hipotecas de alto risco dos Estados Unidos (subprime). Jérôme Cazes, presidente mundial da companhia, também acredita que o Brasil será um dos países menos afetados pela crise externa, mas não vê imunidade plena. "Haverá os severamente afetados e os menos severamente afetados, mas a crise é para todos," disse no mesmo evento. "Tem uma parte da crise que é redução da confiança... e, numa economia de mercado, quando há queda da confiança todos são afetados." "PECADO ORIGINAL" Na análise de risco feita pela Coface o Brasil já é grau de investimento desde meados do ano passado. Mas, diferentemente das agências de classificação de risco como Moody's, Standard & Poors e Fitch, a companhia francesa baseia-se no risco que ela mesma corre no seguro oferecido às empresas de sua carteira. Questionado se o país também não poderia ser grau de investimento pela ótica das agências, Blanco preferiu falar "como pessoa física." "Não consigo encontrar justificativa para o Brasil não ser investment grade. O país paga o pecado de ter dado calote uma vez e isso me lembra a história de Adão e Eva: depois que eles comeram a maçã todos nascemos com o pecado original, segundo a Igreja Católica", disse. A Coface faz revisões trimestrais do rating e, segundo Blanco, "não existe preocupação de deterioração do Brasil nos próximos seis meses".

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