Protestos de tibetanos contra China se espalham

Autoridades chinesas ordenam aumento da presença da polícia em áreas mais visadas.

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Por Michael Bristow
2 min de leitura

Os protestos de tibetanos contra o domínio chinês entraram em sua segunda semana e se espalharam para províncias próximas da região do Himalaia, incluindo Gansu, Qinghai e Sichuan. Os protestos começaram no dia 10 de março, para marcar o 49º aniversário de uma revolta contra o domínio chinês no Tibete, que foi reprimida. Um novo protesto foi realizado no monastério de Rongwo, na cidade de Tongren (província de Qinghai), onde os monges desafiaram a ordem de permanecer em casa. No domingo, relatos indicam que a região de Aba, na província de Sichuan, e a cidade de Machu, em Gansu, também foram cenário de protestos. Segundo a campanha Free Tibet (Tibete Livre), os manifestantes de Machu foram até prédios do governo, destruíram portas e janelas. Eles também teriam incendiado lojas e empresas chinesas na cidade. No sábado, o Ministério de Segurança Pública da China ordenou o aumento da presença da polícia nas regiões atingidas por protestos, segundo informações de uma fonte do governo de Gansu à BBC. Universidade O aumento na segurança foi notado principalmente em volta da Universidade das Minorias do Noroeste de Lanzhou, capital da província de Gansu, onde cerca de cem estudantes tibetanos fizeram um protesto no domingo. Nesta segunda-feira, o portão principal da universidade estava fechado e dezenas de policiais patrulhavam o campus. Viaturas da polícia estavam estacionadas nos cruzamentos das principais ruas e avenidas que levavam à universidade, que tem centenas de estudantes tibetanos. Inicialmente, os estudantes da universidade fizeram um protesto dentro do estádio do campus. Sangay Tashi, ativista da campanha Free Tibet, afirmou que os estudantes foram parados pela polícia quando tentavam levar a manifestação para as ruas de Lanzhou. "Eles então decidiram fazer uma vigília, com velas, dentro do campus, e outras centenas de estudantes participaram", acrescentou. Público A população de Lanzhou parece saber pouco do que está ocorrendo na região tibetana de Gansu e em outros locais. A primeira página do jornal local Lanzhou Morning Post destacava a reeleição do primeiro-ministro chinês Wen Jiabao. "O preço dos bens de consumo subiu muito rápido, então acho que os protestos estão ligados a isso", disse uma mulher à BBC. Mas outras pessoas que queriam comentar os protestos mostraram pouca simpatia à causa tibetana. "Acho que estão causando tumulto sem ter razão", disse um homem à BBC. "Acho que (os protestos) estão sendo organizados pelo Dalai Lama, para atingir as Olimpíadas." BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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