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Cultura, comportamento, noite e gente em São Paulo

'Estou estudando uma maneira de atender ao público idoso', afirma Mauricio de Sousa

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Por Redação

Maurício de Sousa. Foto: Claudio Belli

Mauricio de Sousa, 86 anos, conta que durante a covid criou a rotina da 'hora do café', aquele momento em que ele e a mulher, Alice Takeda, tiravam para relaxar e conversar sobre o trabalho e coisas da vida. Mas engana-se quem acha que Sousa tirou o período mais 'puxado' da pandemia apenas para apreciar um cafezinho. Ao contrário, o pai da Turma da Mônica está envolvido com a produção da sua cinebiografia (uma parceria com a Disney) e com novas criações.

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Em conversa com a coluna Direto da Fonte, Sousa contou que estuda a criação de uma Turma da Mônica na terceira idade. "Pensei muito em um personagem que poderia amadurecer. Me passou pela cabeça o Franjinha, que é cientista e poderia acompanhar os avanços da ciência", disse. Leia a entrevista a seguir:

Qual foi sentimento de voltar a viver uma Bienal do Livro de forma presencial?

Foi um retorno, uma volta no tempo. Eu estava acostumado com isso. Antes da pandemia, modéstia a parte, a gente sempre arrastou um monte de gente. A garotada, os alunos, os pais... Era um frisson de gente gritando, falando meu nome. Fiquei muito feliz com essa proximidade e por viver as mesmas emoções.

A covid pegou o senhor?

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Peguei uma covid leve. Isso graças às vacinas todas que tomei. Foi uma covid que não me machucou e não me tirou das atividades ou do trabalho.

O senhor é incansável...

Desde o início da minha atividade de criador foi assim. Criei tiras, revistas, desenhos, licenciamentos. Hoje, então, com uma equipe de 400 pessoas trabalhando no estúdio... Posso dizer que criação é com a gente mesmo. Estamos sem freio, em uma velocidade gostosa e possível de cruzeiro.

Aposentadoria não existe no seu dicionário?

Pode ser que em algum momento alguém me convença que está na hora de descansar um pouco. Mas a criatividade não morre, não para. Me acostumei com esse trem, com esse ritmo. Gosto de acompanhar os novos elementos que estão chegando. Trabalho porque a Turma da Mônica não tem porque deixar de divertir as crianças, os jovens e idosos.

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Os idosos também são seus leitores, não é?

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Isso é um fenômeno mundial. Estava conversando com meus amigos japoneses da Sanrio, empresa que desenvolveu a Hello Kitty, e eles me disseram que eu estava deixando escapar um público que gosta e acompanha os meus personagens. O público idoso é cada vez maior. Estamos vivendo cada vez mais. O conhecimento e o carinho pelos personagens não morrem. Estou estudando uma maneira de atender esse público idoso.

Então, vamos ver a Mônica e o Cebolinha idosos?

Quando lancei a Turma da Mônica Jovem, uma criança de uns 7 ou 8 anos me perguntou quando eu iria fazer uma Turma da Mônica gagá. A criança estava prenunciando a conversa que tive com os empresários japoneses. Mas, não, não será "gagá", mas estou seriamente estudando o assunto.

Qual personagem o senhor quer ver envelhecer? Pensei muito em que personagem poderia amadurecer... Me passou pela cabeça o Franjinha. O Franjinha é cientista. Imaginei uma maneira em que ele evolua e envelheça acompanhando as descobertas científicas. Gosto de falar de ciência. Mas o Franjinha não estará sozinho. Vamos arrumar companhia para ele. Mas não posso falar ainda...

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Como inspirar uma equipe tão grande como a sua? Eu estou sempre lembrando que eles precisam buscar inspiração na vivência. Ninguém paradão vai criar alguma coisa. Temos que viver, conversar, vivenciar e acompanhar  o que acontece no mundo.

Sobre a cinebiografia, quem irá interpretá-lo? O filme deve estrear no fim do ano que vem. A produção já tem algumas preferências, que não posso adiantar, mas ainda estamos procurando o Mauricio criança, o Mauricio jovenzinho, o repórter de polícia...

Nestes mais de 50 anos de carreira, algum personagem ficou pelo caminho? Eu criei muitos e alguns ficaram pelo caminho. Isso depende do público. Mas tenho um que aposentei de propósito, o Zé Munheca. Ele era mão de vaca, miserável. Eu não me sentia bem criando histórias do Zé Munheca. Poxa, eu não sou miserável, não sou mão de vaca.

Existe algum personagem novo em vista? Existe uma necessidade de criarmos personagens pet. Todo mundo tem um cachorrinho que é parte da família. Vamos mexer com pets. Assim como fiz com o Bidu lá atrás.

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