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Atriz inglesa vive imperatriz Leopoldina na minissérie ‘Independências’

Louisa Sexton foi convidada pelo diretor Luiz Fernando Carvalho para interpretar a sensível mulher de d. Pedro I

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Foto do author Ubiratan Brasil

Quando iniciou o projeto Independências, minissérie de 16 episódios que a TV Cultura começa a exibir às quartas-feiras a partir de 7 de setembro, o diretor Luiz Fernando Carvalho estava seguro de que precisaria escalar uma atriz estrangeira para viver a imperatriz Maria Leopoldina (1797-1826). Austríaca de nascimento, a mulher que se casou com d. Pedro I mal falava português e, sofisticada, sofreu com o preconceito e os maus-tratos locais. 

“Era uma mulher obrigada a viver uma solidão em um país completamente diferente do seu e com um marido que levou a amante para morar no palácio”, conta Carvalho, que, para marcar a distinção dessa personagem, decidiu buscar uma atriz que não fosse brasileira - depois de semanas de pesquisa, ao lado do preparador de elenco Nelson Fonseca, vasculhando perfis de artistas europeias, ele elegeu a inglesa Louisa Sexton para viver a imperatriz que tinha paixão por mineralogia, além de admirar autores como Voltaire, Rousseau e Goethe.

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“Desde sempre imaginei Leopoldina sendo vivida por uma atriz estrangeira. Afinal, era assim que a imperatriz era chamada, mas o motivo central para ter escalado Louisa, depois de dezenas e dezenas de testes com atrizes europeias, foi estar diante de uma intérprete verdadeiramente rara, união indivisível de delicadeza e intensidade em um único olhar”, explica o encenador.

De fato, Louisa une a disciplina shakespeariana que aprendeu desde jovem atriz à sensibilidade revelada nos pequenos gestos. “Eu não sabia nada sobre Leopoldina, fiz muita pesquisa, li sua biografia, descobri seus sentimentos e de como se trata de uma grande figura. Uma mulher inteligente, interessada na ciência, na biologia em particular”, disse Louisa ao Estadão. “Fiquei impressionada com seu senso de justiça e como sua passagem pelo Brasil a fez amadurecer, também espiritualmente. Leopoldina sabia quais caminhos seriam melhores para a nação.”

Leopoldina participou de forma decisiva de momentos cruciais do processo político que culminou com a independência, como quando lhe escreveu uma carta incitando-o a romper os laços com Portugal.

Potter

“Era uma mulher inteligente, o que se nota a partir de suas observações, muitas registradas em cartas. Procurei entender o caráter dessa mulher”, conta Louisa. A atriz britânica usa o tom baixo para falar e sempre estampa um sorriso, especialmente quando comenta a forte experiência profissional que conquistou no Brasil. Cursou a escola de artes apoiada por Paul McCartney, em Liverpool. Filha de uma família ligada às artes, Louisa atua desde criança e já participou de curtas e séries, além de uma rápida participação no longa Harry Potter e a Pedra Filosofal, de 2001.

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Para o papel, ela aprendeu rapidamente o idioma português, mais a falar corretamente do que de fato entender as frases. “Meu trabalho foi muito transformador, pois evitei usar teorias de interpretação e desenvolvi um trabalho corporal que me permitiu improvisar sem precisar falar.”

Isso de fato encantou o encenador. “Louisa honra a tradição inglesa shakespeariana de valorizar a palavra e a ação que ela acarreta, o que torna sua atuação cheia de nuances”, comenta Carvalho. “Ela conseguia, por exemplo, enrubescer no momento exato, ao ouvir uma frase constrangedora, transmitindo a exata emoção.”

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