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Venda de jornais angolanos traz preocupação com censura

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Por HENRIQUE ALMEIDA

Um novo protagonista na mídia de Angola anunciou na sexta-feira a compra de três dos jornais mais independentes de Angola, suscitando temores com a censura no país africano. Acredita-se que o comprador tenha fortes laços com o governo angolano. O grupo Media Investments, cujos proprietários são desconhecidos, informou em um comunicado que comprou o Semanário Angolense, A Capital e 40 por cento das ações do Novo Jornal - todos que ficaram conhecidos por denunciar a corrupção no governo. "Essa foi uma transação normal, ditada exclusivamente por fatores de mercado", disse o grupo em um comunicado. A iniciativa ocorre no momento em que o Semanário Angolense, o mais crítico dos três jornais com relação ao governo, intensificou suas reportagens sobre a corrupção envolvendo as principais autoridades governamentais. Manuel Vicente, presidente da empresa estatal de petróleo Sonangol, era alvo frequente do jornal, que o acusou de usar dinheiro da empresa em benefício próprio. A Sonangol repudiou as reportagens. O fundador e diretor do jornal, Graça Campos, crítico do governo, deixou o Semanário Angolense, afirmou o jornalista Rafael Marques, autor de vários artigos sobre corrupção no jornal. Marques disse que ele parou de contribuir com o jornal. "O diretor saiu e me disseram que eu não escrevo mais para o Semanário Angolense", disse ele à Reuters. "É muito estranho que o Semanário Angolense seja vendido a uma companhia desconhecida especialmente quando aumentava sua crítica ao governo", disse Marques, acrescentando que ele temia que os novos donos tivessem fortes ligações com o governo. O partido governista em Angola já detém o controle sobre boa parcela da mídia. O governo controla dois canais nacionais de televisão, uma rádio e o único jornal diário. Com a aquisição dos três jornais independentes, o Media Investments tornou-se o terceiro maior grupo de mídia em Angola depois do governo e da empresa privada Media Nova, cujos proprietários supostamente também têm fortes laços com o governo. Reginaldo Silva, integrante da agência reguladora nacional CNC, disse que era importante esclarecer quem exatamente estava por trás desse acordo. "O que é o Media Investments? Como pode um grupo dessa dimensão ter interesse na mídia e quais são seus interesses", questionou Silva. Um dos principais produtores de petróleo da África, Angola é governada há três décadas pelo presidente José Eduardo dos Santos, que deve se manter no poder depois de uma eleição geral em 2012.

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