Jair Bolsonaro foi aconselhado pelos seus principais ministros a manter o general Joaquim Silva e Luna à frente da Petrobras, mas segue o mesmo roteiro que levou à demissão de Roberto Castelo Branco em fevereiro de 2021, após o quarto aumento no preço dos combustíveis anunciado pela estatal, o que na época irritou imensamente o presidente.
Bolsonaro frita Silva e Luna num caldo quente feito à base de gasolina. É questão de tempo a queda do general, que o presidente colocou há um ano no comando da Petrobras acreditando que iria resolver o problema da alta dos combustíveis na marra. Já naquele momento, o presidente era alvo das críticas de apoiadores pela alta dos preços.
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Bolsonaro tem apoio dos caciques do Congresso que redobraram ontem a pressão contra a política de preços da Petrobras de paridade ao mercado internacional.
A bola da vez é para que a estatal reverta os reajustes da gasolina, do diesel e do GLP anunciados na semana passada com o argumento de que os preços do petróleo estão caindo no mercado internacional.
Os presidentes da Câmara, Arthur Lira, e do Senado, Rodrigo Pacheco, subiram o tom. Pacheco chegou a conclamar que a empresa contribua na “luta comum do Brasil” contra o aumento dos combustíveis.
Patético.
Tudo isso porque está ficando cada vez mais claro que a redução dos tributos não vai resolver o problema e as mudanças no ICMS, muito menos. Como mostrou o Estadão, em nove Estados e no DF a unificação da alíquota pode até mesmo provocar um aumento da carga tributária.
Silva e Luna deve cair em breve porque é muito improvável que a Petrobras recue do aumento e reduza os preços em tão pouco tempo. A Petrobras ficou muitos dias sem fazer os reajustes, e não é na primeira queda do preço do petróleo lá fora que a empresa poderá reverter o movimento.
Terreno perfeito para o enredo do roteiro da fritura continuar se desenvolvendo. Indicado para comandar o conselho de administração da Petrobras, Rodolfo Landim, presidente do Flamengo, recebeu a encomenda e deve assumir o comando da empresa. Ele nunca escondeu que esse sempre foi o seu sonho, agora cada vez dia mais próximo.
O enredo presidencial também conta com a adoção de subsídio direto financiado pelo Tesouro (que deve sair a contragosto de Paulo Guedes) e com uma mudança na lei das estatais para que Bolsonaro consiga implementar o seu desejo público de alterar a política de preços da Petrobras.
*REPÓRTER ESPECIAL DE ECONOMIA EM BRASÍLIA
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