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Alta de preço de alimentos vai durar alguns meses, mas volta à normalidade, diz secretário de Guedes

Segundo Adolfo Sachsida, aumento é transitório e não traz risco para o controle da inflação

Foto do author Adriana Fernandes

BRASÍLIA - O secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, avaliou que a alta de preços de alimentos, como o arroz, é "transitória e localizada" e não traz risco para o controle da inflação

O secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, AdolfoSachsida Foto: Dida Sampaio/Estadão

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“A inflação é uma alta generalizada e recorrente. O aumento que estamos vendo agora não é generalizado, mas localizado em alguns produtos da cesta básica. Vai durar alguns meses e depois retorna à normalidade”, diz Sachsida, que comanda a secretaria responsável pelo acompanhamento dos preços e dados de alta frequência da economia.

Segundo ele, o presidente Jair Bolsonaro acertou quando disse que não vai resolver o problema na caneta. ”Vamos lembrar a frase completa dele. Ele falou que não dá para resolver o problema numa canetada”, ressaltou. Na semana passada, ao pedir "patriotismo" aos comerciantes, Bolsonaro disse que não baixaria os preços com uma intervenção governamental.

Na terça-feira, 8, ao falar sobreo preço do arroz, que disparou nas últimas semanas, com pacote de cinco quilos chegando a custar R$ 40 (normalmente, é vendido a cerca de R$ 15), Bolsonaro disse que o governo prepara medidas para encarar a inflação dos alimentos e "dar uma resposta a esses preços que dispararam nos supermercados”.

Nesta quarta-feira, 9, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA, o índice oficial de preços, teve alta de 0,24% em agosto, sobre pressão, principalmente da gasolina e dos alimentos.

Como a secretaria vê a alta de preços dos produtos da cesta básica?

É problema localizado transitório na questão dos alimentos. Isso aconteceu, sobretudo porque o governo, no esforço para combater a crise do coronavírus,transferiu parcela importante de recursos de auxílio emergencial aos informais. Era natural que as pessoas iriam gastar parte desse dinheiro com alimentos. O que é muito bom. A demanda por alimentos aumentou e é que estamos vendo hoje.A demanda internacionalaumentou também.Mas essa é questão de conjuntura. Não me parece ser estrutural.

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Há o risco de repique da inflação?

Vai aumentar um pouquinho, porque o preço dos alimentos aumentou. Mas quando se olham os índices de inflação, em termos agregados, continuam totalmente sob controle. A inflação continua muito baixa. As pessoas que vão ao supermercado sentem que aumentou, mas é uma alta transitória na questão de alimentos. Nós temos que estar cientes dos efeitos das nossas intervenções de política econômica. O governo, junto com o Congresso, criou o auxílio emergencial aos informais. Éum programa que transfere mais de R$ 50 bilhões por mês para a população que está numa situação de dificuldade. Vamos dar o exemplo do Bolsa Família. As famílias do programa recebiam em média R$ 190 e passaram a receber quase R$ 900 com o auxílio aos informais (levando-se em conta que uma mesma família tenha mais de uma pessoa recebendo o auxílio de R$ 600 ou ainda a situação das chefes de famílias que receberam R$ 1,2 mil por mês). É natural que essas pessoas vão demandar mais alimentos, vão comer mais. Isso mostra o acerto da política, porque a pessoa está gastando mais com comida. É natural que o preço dos alimentos tenha um aumento. Era esperado.

Vai demorar quanto tempo para normalizar os preços?

São várias questões. Tem omercado internacional que está pressionando os preços dos alimentos para cima. Tem os programas governamentais de ajuda à população carente, porque é um momento que demanda intervenção do governo. Isso vai normalizado. Talvez demore um pouquinho, mas nada que comprometa a estabilidade de preços. Repito: é um choque localizado.

Qual a diferença?

A inflação é uma alta generalizada e recorrente. O aumento que estamos vendo agora não é generalizado, mas localizado em alguns produtos da cesta básica. Vai durar alguns meses e depois retorna à normalidade. O Banco Central tem feito um trabalho excepcionalno combate da inflação. Estamos muito segurosdisso.

O governo não está vendo risco maior de uma disseminação do aumento de preços?

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Nenhum. O presidente Jair Bolsonaro pediu patriotismos do setor de supermercados para não aumentar os preços. Essa postura fez muitos lembrarem os fiscais de preços do ex-presidente José Sarney. Pelo contrário, o presidente Bolsonaro acertou. Vamos lembrar a frase completa dele. Ele falou que não dá para resolver o problema numa canetada. Ou seja, o presidente mostrou claramente que não pretende interferir no processo de preços.Ele acertou.O que está correto porque nesse momento é localizado. O que ele pediu é que cada um contribua como puder para ajudar nesse momento de crise na economia mundial e brasileiro. Todos nós estamos contribuindo. O presidente pediu que cada um ajude e dê a sua contribuição. 

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