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Analise da Fitch é incompetente, diz professor da FGV

Por Agencia Estado
Atualização:

O professor José Cesar Castanhar, da Escola Brasileira de Administração Pública e Empresarial da FGV, criticou nesta quinta-feira a agência de classificação de risco Fitch por ter colocado o Brasil com risco superior ao da Argentina e em 41° lugar numa lista de 43 países emergentes, perdendo apenas, em vulnerabilidade, para o Líbano e para Turquia. Tal classificação foi feita tendo como base a exposição dos emergentes a um cenário mundial de crescimento da economia norte-americana, preços de petróleo elevados e juros mais altos. "Isso é um absurdo. Ou são incompetentes ou estão fazendo isso deliberadamente porque, para os administradores de fundos, é muito bom ganhar 700 pontos de risco num País que paga sempre em dia", afirmou. Segundo Castanhar, o Brasil é o país com estatísticas mais precisas e mais transparentes entre os emergentes e tem imprensa livre. Ele observou que as agências utilizam informações dos governos sem questionar a qualidade dessas informações, o que, segundo ele, levou a agência Moody´s, em julho de 1999, a dar à Rússia classificação relativamente boa, melhor do que a do Brasil, quando dois meses depois "a Rússia quebrou". Propaganda De acordo com Castanhar, o Brasil precisa colocar este assunto em debate e fazer um trabalho de promoção, mostrando que paga em dia. "Outros países também tiveram moratória no passado, como o México, e estão com classificações bem melhores (no caso do ranking da Fitch, o México tem a melhor colocação entre os 43 países avaliados). "Precisamos anunciar as incoerências e não deixar que a nossa agenda de discussão política seja dada por essas agências." Castanhar afirmou também que, no ano passado, nenhuma empresa brasileira teve default e que o País foi o único a sofrer crise cambial sem deixar de pagar suas dívidas. Ele disse ainda que o governo tem sido pouco combativo em mostrar que o País é bom pagador e que as agências de risco, de acordo com o professor, "têm se mostrado incompetentes". O professor participou nesta quinta-feira do seminário "Os Novos Desafios na Gestão Empresarial", organizado pela FGV-RJ.

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