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Após pesquisas eleitorais, Bolsa fecha no maior nível desde maio

O principal índice de ações do País, Ibovespa, terminou o dia aos 83.273 pontos, em alta de 2%; dólar caiu 1,3% e terminou cotado a R$ 3,88, menor valor de fechamento desde agosto

Por Silvana Rocha e Simone Cavalcanti e Luciana Dyniewicz

Após as pesquisas eleitorais reforçarem o fortalecimento de Jair Bolsonaro (PSL) nas intenções de voto e apontarem uma distância ainda maior entre ele e Fernando Haddad (PT), a Bolsa abriu o pregão desta quarta-feira, 3, em alta de mais de 4% e chegou a superar o patamar dos 85 mil pontos. O Ibovespa, principal índice de ações do País, terminou cotado a 83.273,40 pontos, em alta de 2,04%.

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Esse é o maior patamar de fechamento do índice desde 17 de maio, quando terminou aos 83.621,95 pontos.

O dólar, por sua vez, manteve a trajetória de queda iniciada nesta manhã, quando atingiu a cotação de R$ 3,82, na mínima do dia. A moeda americana terminou o pregão cotada a R$ 3,8800, em queda de 1,28%. É o menor valor de fechamento do dólar desde 14 de agosto, quando fechou a R$ 3,8620.

 Foto: Nilton Fukuda/Estadão

O economista Silvio Campos, da Tendências Consultoria, afirma que o comportamento do mercado refletiu a preferência dos investidores pelas incertezas que Bolsonaro representa ao projeto já conhecido do PT. "O mercado está comparando as opções. De um lado, há a volta do PT, cujos governos foram extremamente mal avaliados. Do outro, pode ser que não seja tão ruim. Há a visão central de que Paulo Guedes (o economista do programa de Bolsonaro) é liberalizante", diz.

A expectativa é que o mercado continue o rali que começou na terça-feira, 2, a cinco dias do primeiro turno das eleições. Os analistas aguardam ainda para esta quarta nova pesquisa Ibope/Estado/TV Globo, sobre a corrida presidencial, que deve sair por volta das 19h. 

Na terça, o mercado reagiu ao levantamento anterior divulgado por Ibope/Estado/TV Globo, que mostrou também avanço de Bolsonaro, e o dólar fechou abaixo de R$ 4,00. Já a Bolsa fechou com alta de 3,80%, a maior variação porcentual desde 7 de novembro de 2016 (+3,98%).

Especialistas entrevistados pelo Estadão/Broadcast avaliam que a chance de uma vitória de Bolsonaro no primeiro turno existe, mas é pequena. O entusiasmo do mercado local, no entanto, não é o mesmo dos investidores estrangeiros, que veem a vitória do candidato do PSL com preocupação.

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Entre as estatais conhecidas como 'kit eleição' por serem mais sensíveis às questões políticas, destaque para as ações da Petrobrás, que subiram 4,25% (PN) e 2,60% (ON), e da Eletrobrás, que avançaram 6,53% (ON) e 8,64% (PNB).

Nesta semana de reta final para o primeiro turno das eleições, os investidores se mostram muito sensibilizados às questões políticas e têm ido às compras a cada pesquisa que mostra a consolidação de Bolsonaro e o aumento da rejeição ao candidato petista, Fernando Haddad. 

“A euforia do mercado se deu porque o resultado da pesquisa foi surpreendente, uma vez que, nos últimos dias, Haddad vinha crescendo e Bolsonaro sofria ataques de todos os lados. Achava-se que ele havia atingido seu máximo nas pesquisas, mas não”, diz Victor Candido, economista-chefe da Guide Investimentos. Também contribuiu a notícia de que Bolsonaro recebeu o apoio da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA).

O candidato do PSL se tornou o preferido dos investidores brasileiros por ter mais chances de derrotar o PT nas urnas – partido que, na visão do mercado, retomaria o papel mais intervencionista do Estado e poderia comprometer a agenda de reformas.

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