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BNDES eleva pagamento de dividendos ao Tesouro devido a ‘desafio fiscal’ do País, diz Mercadante

Instituição irá aumentar de 25% para 50% os dividendos pagos, e valor pode chegar a R$ 16 bilhões até o final do ano; ‘Temos de estabilizar a relação dívida/PIB’, afirma presidente do banco

RIO - O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, disse nesta quarta-feira, 12, que a instituição está aumentando de 25% para 50% os dividendos pagos ao Tesouro, num momento em que o País vive um desafio fiscal. “Temos o desafio fiscal, temos de estabilizar a relação dívida/PIB”, comentou.

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Segundo ele, o aumento do porcentual não reduzirá os desembolsos do banco. O valor em dividendos pode chegar a R$ 16 bilhões e entram no Tesouro Nacional até o final do ano.

“O BNDES está aumentando para 50% o pagamento de dividendos. Estamos indo para R$ 15, quase R$ 16 bilhões. Estamos tirando recursos do nosso capital, o que não é fácil”, disse. “O capital é o que permite a gente alavancar e financiar o crescimento. Mas estamos contribuindo mais com o Tesouro, que não é uma atitude própria dos bancos públicos. Mas nós achamos que, neste momento, é muito importante.”

Segundo Mercadante, a ajuda ao governo não compromete os financiamentos feitos pelo banco. “Nós temos reservas estratégicas e, principalmente, nós estamos criando novos instrumentos que permitem essa atitude. Por exemplo, a Fazenda emitiu US$ 2 bilhões em bônus sustentáveis, fez o chamado hedge, quer dizer, protegeu a oscilação do câmbio. E nos deu o Fundo Clima, que são R$ 10,4 bilhões. Uma taxa de juros básica de 6,15% fixa ao ano, que é um ótimo instrumento”, explicou.

Segundo presidente do BNDES, Brasil vive um momento positivo na economia Foto: Pedro Kirilos/Estadão

O presidente do BNDES destacou o papel do Brasil como produtor de energia fóssil e, também, no processo de transição energética. “Temos a matriz energética mais limpa do mundo”, frisou. “Somos um País grande produtor de energia fóssil, mas que fez transição energética muito antes.”

Ele sublinhou que o perfil da matriz energética do Brasil, “a mais limpa do G20″, é uma vantagem competitiva definitiva para a descarbonização da economia. “Queremos liderar a transição energética”, disse a uma plateia formada por líderes globais, para então conclamar os presentes para que façam logo investimentos no Brasil. “Quem chega cedo, bebe água limpa.”

Mercadante disse ainda que o BNDES é o banco de desenvolvimento que mais investe no segmento no mundo e que a instituição tem aliança com 20 bancos de desenvolvimento para preservar e restaurar a Amazônia. “O Brasil já reduziu em 50% o índice de desmatamento.”

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O presidente do BNDES comentou que o Brasil vive um momento positivo, com indicadores mostrando que a massa de trabalhadores ocupados e a massa salarial são recordes, com a renda média crescendo 6,1% ao ano. “Temos desafios imensos, mas temos o compromisso profundo de combater a pobreza.”

Em relação ao panorama internacional, Mercadante apontou que os países do Sul vêm enfrentando crescente protecionismo de mercados desenvolvidos, como EUA e Europa. “Estamos enfrentando protecionismo comercial mais acentuado dos países industrializados”, disse, sublinhando que as economias desenvolvidas estão liberando subsídios não reembolsáveis como nunca antes visto e enfatizando a necessidade de diálogo. “Precisamos de mais discussões Norte-Sul”, disse, para então defender o adensamento das cadeias produtivas no Sul global.

Ele participou do evento Invest in Dignity, do Future Investment Initiative (FII) Institute, organização sem fins lucrativos apoiada pelo FIP (fundo soberano da Arábia Saudita) e 30 empresas globais. O evento, que abrange lideranças e investidores globais, foi realizado no hotel Copacabana Palace, na zona sul do Rio.

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