Bradesco não vai fazer empréstimo consignado a beneficiários do Auxílio Brasil, diz Lazari

Foto: DANIEL TEIXEIRA

Lei aprovada por Bolsonaro permite comprometer até 40% do benefício com empréstimo; banco vê alto risco na oferta de crédito aos beneficiários do programa

Por Matheus Piovesana

Continua após a publicidade

O presidente do Bradesco, Octavio de Lazari Junior, disse nesta sexta-feira, 5, que o banco não deve operar o empréstimo consignado do Auxílio Brasil, liberado pelo governo federal nesta semana. De acordo com ele, como o benefício é transitório, o crédito tem maior risco.

“Nós entendemos que é melhor não operarmos essa linha”, disse ele, em coletiva de imprensa para comentar os resultados do banco no segundo trimestre, divulgados na quinta-feira, 4. “Entendemos que essas pessoas terão mais dificuldade quando esse benefício cessar.”

Com o empréstimo consignado, o beneficiário do Auxílio Brasil pode comprometer boa parte do valor recebido do governo. Diante do risco de reajustes futuros do valor, o Bradesco decidiu não realizar empréstimos vinculados ao benefício. Pela Proposta de Emenda à Constituição (PEC) Kamikaze, o Auxílio Brasil de R$ 600 começa a ser pago no próximo dia 9 e vence em dezembro deste ano.

Continua após a publicidade

Presidente do Bradesco, Octavio de Lazari Junior, disse que banco não vai oferecer empréstimo consignado vinculado ao Auxílio Brasil
Presidente do Bradesco, Octavio de Lazari Junior, disse que banco não vai oferecer empréstimo consignado vinculado ao Auxílio Brasil Foto: Amanda Perobelli/Reuters

Na última quarta-feira, 3, o presidente Jair Bolsonaro sancionou lei que autoriza a concessão de crédito consignado aos beneficiários do Auxílio Brasil e também dos programas Benefício de Prestação Continuada (BPC) e Renda Mensal Vitalícia (RMC). A lei ampliou de 35% para 40% a margem para concessão de empréstimo a empregados com carteira assinada. O Instituto de Defesa do Consumidor se manifestou contra a medida de Bolsonaro, alegando o alto risco de endividamento da população.

Resultados

Nos resultados financeiros do segundo trimestre de 2022, divulgados na última quinta-feira, o Bradesco teve lucro líquido recorrente de R$ 7 bilhões, aumento 11,4% ante igual período no ano passado. A alta foi registrada graças ao aumento das margens com clientes, das receitas com serviços e, principalmente, dos resultados da Bradesco Seguros.

Na conferência após a divulgação de resultados, Lazari disse que o Bradesco espera um cenário mais “sereno” para a economia do País no segundo semestre do ano, com maior estabilidade nos juros e nos preços.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Publicidade