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Contra produto da China, cidade faz cachecol de 60 km

Jacutinga, em Minas, tem 1.300 fábricas de malhas e exporta para 30 países

Por RENE MOREIRA e JACUTINGA (MG)
Atualização:

Com a economia centrada no setor de malhas, a cidade mineira de Jacutinga também sente os efeitos das mudanças na economia global com a invasão dos produtos orientais - destaque aí para a China. Foi essa indignação que levou a cidade a querer chamar a atenção do mundo usando para isso o Guiness Book ou Livro dos Recordes, como é conhecido no Brasil.

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Um cachecol com 60 quilômetros de comprimento é a aposta do município para cravar seu nome na publicação. Ele começou a ser confeccionado há mais de dois anos seguindo todo o trâmite estipulado pelo Guiness. E amanhã será estendido em um campo de futebol. A peça já está perto da marca pretendida e o trabalho foi intensificado nesses últimos dias.

O atual recorde é do País de Gales, no Reino Unido - de 54,5 quilômetros, medida que os jacutinguenses dizem já ter ultrapassado na confecção da peça.

Na cidade mineira, a máquina responsável por tecer o cachecol começou a operar em fevereiro de 2011. Foi justamente naquele ano que a crise passou a bater na porta da principal fonte econômica do município. Desde 2005, as fábricas de malhas vinham registrando crescimento médio de 15% ao ano, mas, entre 2011 e 2012 houve queda de 20% na produção, resultando na demissão de 1,5 mil trabalhadores.

Ao todo, a cidade emprega mais de 17 mil pessoas em 1,3 mil fábricas de malhas e cerca de 750 lojas do ramo, sendo responsável por 30% da produção brasileira de tricô industrializado.

Para o presidente da Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Jacutinga (Acija), Denis Bandeira, a concorrência com os produtos da China é desleal. "Precisamos que o governo nos dê redução de impostos e desoneração da folha de pagamento", diz o principal mentor da ideia de fabricar uma peça de malha para entrar no Guiness e chamar atenção das autoridades.

Atenção. A iniciativa de confeccionar o cachecol tem o apoio da prefeitura. Bandeira diz que as fábricas de tricô não têm a força das grandes companhias para pressionar o governo, sendo o uso da criatividade uma forma de serem notadas.

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A cidade acredita que estará quebrando dois recordes pois, além de fazer a maior peça, usa uma única máquina, ao contrário do recorde atual que envolveu várias unidades.

O equipamento de tear industrial que está sendo usado em Jacutinga tem mais de 20 anos e quebrou dez vezes durante a empreitada. Ao todo, oito funcionários da associação se revezam para trabalhar e vigiar a máquina, que pesa cerca de 2,5 toneladas e utiliza fios coloridos doados por duas grandes empresas locais. Um "diário de bordo", exigência do Guiness, narra todos os detalhes da operação. São mais de 2,5 mil quilos de fios e o produto final será atestado por representantes da publicação, com sede na Inglaterra.

Lançamento. Jacutinga tem cerca de 23 mil habitantes e exporta para mais de 30 países. Marcas conhecidas internacionais comercializam as malhas produzidas na cidade, caso da Harrods (Inglaterra), Anthropologie (Nova York), Zara (Europa e Mercosul), entre outras. Para divulgar a Coleção Outono-Inverno de 2013, também para o público brasileiro, de hoje a domingo ocorre um evento de lançamento no Palácio das Artes com as principais tendências.

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