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Espanha reitera apoio ao remédio de Merkel

Em passeio de barco com chanceler alemã, líder espanhol disse que o país será fiel à receita de corte de gastos

Por Denise Chrispim Marin e CHICAGO

Em um esforço para diferenciar a Espanha da Grécia, o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, declarou ontem "não haver sentido" no debate sobre crescimento econômico ou austeridade fiscal e reiterou a aposta de Madri na execução do plano de severo ajuste nas contas públicas e de reformas estruturais.Rajoy reforçou a linha de ação de seu governo à da chanceler alemã, Angela Merkel, durante um passeio de barco pelo Rio Chicago na manhã de ontem, antes da abertura da reunião de Cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan)."Se quisermos crescer, temos de fazer os cortes nos gastos públicos e as reformas estruturais", afirmou Rajoy, ao relatar sua conversa com Merkel à imprensa. "A aposta do governo da Espanha é de controle do déficit público porque, se ninguém o financiar, as coisas se tornarão impossíveis. Vamos continuar o esforço para que a administração espanhola gaste o que arrecadar e não até o infinito."No vermelho. Na semana passada, a Espanha reviu o cálculo do déficit fiscal de 2011 de 8,5% para 8,9% do Produto Interno Bruto (PIB). É um porcentual três vezes maior do que o limite definido pela zona do euro a seus países-membros. O país tem ainda uma taxa de desemprego de 24,4%, a maior da região, e prevê uma contração de 1,7% no PIB este ano.Partiu de Merkel a iniciativa de convidar Rajoy para o passeio. No sábado, a chanceler se viu isolada na reunião de cúpula do G-8 (grupo dos países mais industrializados e a Rússia), em Camp David, por suas posições de radical defesa à austeridade fiscal no continente - especialmente na Grécia e nos demais países atingidos pela crise da dívida na Europa.Numa declaração prévia ao comunicado final, os líderes do G-8 reconheceram ser "imperativo promover o crescimento e os empregos" e concordaram haver receita própria para cada país fortalecer sua economia.No dia 23, os líderes europeus se reunirão informalmente para tratar da solução para a crise da Grécia, onde o plano de ajuste fiscal sofre ampla resistência social e política, e como evitar o contágio aos outros países vulneráveis a uma maior turbulência financeira, como a Espanha. O encontro formal se dará no fim de junho, em Bruxelas, depois da reunião de cúpula do G-20, o grupo das economias industrializadas e emergentes, no México.Rajoy salientou ontem que a Espanha também está concentrada em fazer as reformas estruturais necessárias para elevar a produtividade e a competitividade de seus produtos. Uma conferência sobre investimentos na Espanha, em setembro, terá a presença de Merkel, disse ele. Igualmente, Madri quer aprofundar a transparência sobre os bancos, para os quais prometeu ajuda financeira com recursos orçamentários.Uma auditoria nessas instituições será realizada nos próximos dois meses por entidades privadas, com a assessoria do Banco Central Europeu (BCE). Rajoy, entretanto, refutou a recente declaração do presidente da França, François Hollande, que sugeriu o apoio financeiro de fundos europeus aos bancos espanhóis."Não acredito que o senhor Hollande disse isso porque, logicamente, ele não sabe como está a situação d os bancos espanhóis", afirmou Rajoy no sábado, ao chegar a Chicago.

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