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''Estamos nas mãos de São Pedro'', diz agricultor

Na região sudoeste de São Paulo, onde não chove há 65 dias,produtores já temem pela safra de 2011

Foto do author José Maria Tomazela

Dos 450 hectares que o agricultor Paulo Nunes, de 66 anos, preparou para o plantio da safra de verão este ano, no Sítio Fazendinha, em Itapetininga, no sudoeste paulista, apenas 30% receberam as sementes. Não chove há 65 dias na região e começa a faltar água para o milho e o feijão já plantados sob pivôs de irrigação. "Estamos irrigando faz 40 dias e o nível do reservatório preocupa."A seca atropelou o calendário agrícola da propriedade. O plantio do milho de sequeiro (sem irrigação) está com atraso de um mês. "Se não chover logo, vamos ter de rever a programação e plantar mais soja no lugar do milho", disse. Por causa da estiagem, Nunes foi obrigado a suspender o plantio de outros 50 hectares de feijão. "Estamos nas mãos de São Pedro." O quadro é semelhante para o produtor de soja Sebastião Pittarelli, de 63 anos, que planeja cultivar 280 alqueires no município de Iguaraçu, na região de Maringá(PR). "Estou preocupado porque faz 50 dias que não chove e isso está atrasando os trabalhos de preparo do solo."Nunes e o genro André Giriboni, de 43 anos, sócios na produção, acompanham em tempo real as mudanças do clima captadas pelos radares meteorológicos instalados em São Roque, Bauru e Presidente Prudente. Na quinta-feira, havia previsão de chuva só para 12 de outubro.Como o vazio sanitário da soja - período em que o plantio é proibido para o controle de doenças e pragas - termina dia 30 deste mês, a safra começará com atraso. Segundo Giriboni, o plantio atrasado repercutirá na safra do ano que vem. "Teremos de alterar o plano de plantio e talvez algumas áreas fiquem paradas."De acordo com o engenheiro agrônomo Vandir Daniel da Silva, da Secretaria Estadual da Agricultura e Abastecimento em Itapeva, 30% da safra de verão já deveria ter sido plantada. "Normalmente, o agricultor colhe o trigo e já entra com o milho e a soja. Com essa estiagem, ninguém se arriscou a plantar." No sudoeste, a pouca procura causou redução de 6% a 10% nos preços de adubos e sementes. Os tratores estão parados. Silva prevê que a área com milho cairá pelo menos 30%. A de soja também pode ser menor. "O produtor espera a chuva para decidir quanto vai plantar."

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