PUBLICIDADE

EXCLUSIVO PARA ASSINANTES
Foto do(a) coluna

Jornalista e colunista do Broadcast

Opinião|Estados Unidos na ‘pole position’: há quem diga que PIB americano pode crescer mais que o da China

Com indicadores fortes, país americano pode retomar posto de motor da economia global

PUBLICIDADE

Foto do author Fábio Alves

Os indicadores de atividade econômica dos Estados Unidos vêm surpreendendo de tal maneira os analistas ao longo de abril que há até quem passou a especular que o PIB americano em 2021 poderá crescer mais do que o da China e retomar o posto de motor da economia mundial.

PUBLICIDADE

Na semana passada, por exemplo, as vendas no varejo nos EUA deram um salto de 9,8% em março ante fevereiro. Para se ter uma ideia da magnitude desse desempenho, o resultado superou o consenso das estimativas dos analistas para esse indicador em impressionantes 3,7 pontos porcentuais.

A força das vendas no varejo foi reflexo, em especial, do pacote fiscal de US$ 1,9 trilhão aprovado pelo Congresso, incluindo cheques de US$ 1.400 para os cidadãos, enviados a partir de meados do mês passado, o que gerou uma renda disponível de US$ 300 bilhões apenas em março.

Os presidentes da China e dos Estados Unidos, Xi Jinping e Joe Biden, respectivamente. Foto: David McNew/Reuters

Outro resultado que chamou a atenção foi a redução no número de pedidos de auxílio-desemprego nos EUA na semana encerrada em 10 de abril. Essas solicitações caíram em 193 mil, para 576 mil, enquanto os analistas esperavam que o total somasse 710 mil. Foi a semana com o menor número de pedidos de auxílio-desemprego desde o início da pandemia de covid-19.

Além da injeção fiscal, a retomada mais forte da economia americana vem sendo impulsionada por outros dois fatores: o acelerado avanço da vacinação contra o coronavírus, permitindo o relaxamento das medidas de restrição de mobilidade, e o estímulo monetário do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que prometeu manter os juros básicos próximos de zero até 2023.

Publicidade

E o presidente Joe Biden está negociando com o Congresso a aprovação de um pacote de investimentos em infraestrutura de US$ 2 trilhões ao longo dos próximos oito anos. Assim, o mercado tem razão de sobra para ficar otimista com o crescimento dos EUA.

Em dezembro do ano passado, o consenso das projeções dos economistas ouvidos pelo The Wall Street Journal apontava um crescimento de 3,7% em 2021. No mais recente levantamento, de 11 de abril, esse consenso era de uma expansão do PIB de 6,4% neste ano.

Na ponta mais otimista está o banco Morgan Stanley, que prevê uma alta de 8,1% do PIB americano neste ano. É bom lembrar que o governo da China tem como meta em 2021 um crescimento da sua economia acima de 6%.

O contraste não poderia ser maior com o Brasil. Na última pesquisa Focus de 2020, a mediana das estimativas para o PIB brasileiro apontava um crescimento de 3,49% para 2021. Na pesquisa mais recente, o consenso era de expansão de 3,04%.

Essa revisão para baixo é resultado de uma conjuntura extremamente negativa: a disparada nas mortes e nos casos de covid no País, a piora do sentimento dos investidores em relação à trajetória fiscal brasileira e, para agravar a situação, o cenário político mais turbulento.

Publicidade

Sem falar na lenta vacinação contra o vírus. Enquanto mais de 210 milhões de doses da vacina já foram aplicadas nos EUA, apenas cerca de 27 milhões de pessoas receberam a primeira dose no Brasil.

PUBLICIDADE

O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que a economia americana vai retomar seu nível pré-pandemia neste ano. O FMI projeta crescimento de 6,4% do PIB dos EUA em 2021.

Já o Fed revisou, em março, a sua estimativa de crescimento para a economia americana neste ano, passando de um avanço de 4,2% (projetado em dezembro passado) para expansão de 6,5%. Com isso, o Fed prevê que a taxa de desemprego vai cair para apenas 4,5% no fim do ano.

Em março, foram criados 916 mil postos de trabalho nos EUA, enquanto a previsão dos analistas era de uma geração de 650 mil vagas. E a expectativa agora é de que o ritmo de criação de empregos supere o patamar de 1 milhão ao mês.

O fato de os EUA retomarem a liderança do crescimento global é bastante positivo, pois, sendo a maior economia do planeta, a sua expansão mais acelerada reverbera de forma mais disseminada em outras regiões do mundo.

Publicidade

Com a retomada vigorosa, muitos analistas dizem que a pandemia de covid acabou tendo impacto nos EUA mais semelhante ao de um desastre natural do que ao de uma recessão tradicional nos ciclos econômicos.

*É COLUNISTA DO BROADCAST

Opinião por Fábio Alves

Colunista do Broadcast

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.