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FMI espera que Argentina tome ?remédio amargo?

Por Agencia Estado
Atualização:

A Argentina terá de tomar um "remédio amargo" para sair da atual crise, e não há nada que o Fundo Monetário Internacional possa fazer para modificar essa realidade. A mensagem foi dada, nesta quarta-feira, por Horst Köhler, diretor-gerente do FMI, durante uma apresentação no Clube Nacional da Imprensa, em Washington, no primeiro evento da programação paralela da Reunião da Primavera do FMI e do Banco Mundial. "O caminho correto certamente não será um caminho fácil para o povo. Estou dizendo isso com muita preocupação, mas não tenho nenhum conselho melhor para dar", disse Köhler. Para o diretor-gerente, existe a necessidade de a Argentina se ajustar a uma realidade de "menos prosperidade, menos riqueza". Ele previu: "Haverá demissões, não tenho dúvidas". As duras palavras de Köhler pareceram uma reação a declarações recentes do ministro da Economia da Argentina, Jorge Remes Lenicov, para quem não se pode cobrar em semanas ajustes que não foram feitos no país em oito anos. Outras autoridades argentinas lembraram que reformas que teriam sido cobradas pelo FMI, como a reforma do Estado, implicariam demissões de até 450 mil funcionários públicos, especialmente nas províncias. "Não estamos pedindo o impossível, do dia para a noite", disse Köhler. Observou ainda: "Precisamos encarar a realidade - não há nenhuma instituição que possa criar dinheiro". O diretor-gerente acrescentou que os principais problemas da Argentina foram criados no país. "A chave para se chegar a uma solução, para sair da crise, será um esforço dos argentinos, e unidade política para achar o caminho certo", disse. Numa demonstração de autonomia, pelo menos no discurso, em relação aos EUA, o principal acionista do FMI, Köhler reiterou seu apoio ao projeto de Anne Krueger, vice-diretora-gerente do Fundo, sobre uma nova estrutura legal para a reestruturação de dívidas soberanas (de países) insustentáveis. Este debate tem a ver com a questão da "falência" ou "concordata" de países, quando a dívida externa em moeda forte se torna impagável. A proposta de Krueger, que prevê mudanças institucionais, inclusive nos artigos do FMI, para criar uma jurisdição própria para as concordatas de países, foi bombardeada pelo Departamento do Tesouro americano, que gostaria de resolver o mesmo problema apenas com modificações nos contratos de lançamento de bônus a partir de países emergentes. A modificação básica proposta pelo Tesouro seria a criação obrigatória de "cláusulas de ação coletiva" na emissão de bônus, pelas quais a maioria dos detentores dos papéis pudessem tomar decisões em nome de todos, no caso de reestruturação. "Embora o uso mais ambicioso de cláusulas de ação coletiva seja desejável, não acredito que o seu uso apenas seja suficiente", disse Köhler, defendendo em seguida a proposta de Krueger. Disse esperar que seja formado um "amplo consenso" sobre a questão até a reunião de setembro do FMI e do Banco Mundial, quando uma decisão final poderia então ser tomada. As declarações de Köhler mostram que o diretor-gerente não se dobrou à visão dos americanos e considera que a proposta de Krueger ainda está na mesa.

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