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Governadores suspendem reunião com Duhalde

Por Agencia Estado
Atualização:

O governo do presidente Eduardo Duhalde recebeu um duro golpe nesta quinta-feira, quando os governadores das províncias controladas por seu próprio partido, o Justicialista (Peronista), confirmaram o cancelamento da reunião de cúpula que teriam com o mandatário. A reunião estava prevista para continuar as discussões sobre as formas de implementar o ajuste de 60% nos déficits provinciais, exigido pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Os governadores estão irritados com Duhalde, pois consideram que o presidente "cedeu" demais nas negociações com o FMI. Por este motivo, diante de um ajuste sem precedentes em sua história as províncias se recusam a fornecer um ostensivo apoio político para Duhalde. Além disso, os governadores lamentam que as províncias tenham sido colocadas como as vilãs e as principais responsáveis da crise argentina. O FMI pretende que as províncias cortem 60% de seus déficits fiscais. Além disso, pede a eliminação dos bônus que as províncias utilizam como "moedas paralelas" para o pagamento dos salários dos funcionários públicos. Segundo os governadores, a somatória destas duas medidas acabará levando os governos provinciais a demissões em massa de 400 mil funcionários públicos, o que poderia desatar uma série de conflitos populares. No entanto, o ministro do Interior, Rodolfo Gabrielli, sustentou que o FMI não pediu a demissão de funcionários públicos. "O que se pede, lá no exterior, é que as províncias reduzam seus gastos supérfluos". Hoje, houve sérios incidentes entre manifestantes e a polícia em diversas províncias do país. Em Jujuy, no extremo norte da Argentina, a polícia reprimiu com gás lacrimogêneo um protesto conjunto de funcionários públicos e desempregados. Um supermercado foi saquedo. Na província de Chubut um grupo de funcionários públicos invadiu a Assembléia Legislativa, expulsando as forças de segurança que vigiavam o lugar. Em Córdoba, a segunda maior província do país, os funcionários públicos realizaram uma marcha de protesto pelo centro da capital. Na província de San Juan os funcionários públicos continuaram protestando pela falta de pagamento de salários. Nessa província no sopé da Cordilheira dos Andes, os salários estão atrasados desde janeiro. Os deputados provinciais e os juízes recebem seus salários sem problemas. Desde a quarta-feira os parlamentares estão cercados pela multidão no edifício da Assembléia Legislativa, na capital da província. A fúria dos manifestantes com os deputados aumentou mais ainda hoje, quando um táxi tentou entrar no estacionamento, carregado de alguns quitutes para alimentá-los, entre eles, presunto cru. "O povo aqui fora morre de fome, e eles comem coisas caras", gritavam os funcionários públicos. Os funcionários públicos também colocaram fogo no edifício da secretaria da Economia provincial, mas o incêndio ficou restrito ao subsolo. San Juan, uma província de apenas 580 mil habitantes, possui 96 mil pessoas economicamente ativas. Destas, 30 mil são funcionários públicos. O desemprego na província é de 25%. Como em muitas outras províncias argentinas, a crise no comércio bate recordes históricos. Em San Juan, desde o início do ano, o aumento dos comércios falidos aumentou 15% em comparação a todo o ano 2001. Além disso, as vendas despencaram 50%.

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