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Eve, empresa de ‘carros voadores’ da Embraer, será listada em NY e é avaliada em US$ 2,9 bi

Estimativa é de que companhia tenha 15% do mercado de eVTOL, o que significa US$ 4,5 bilhões de receitas em 2030; abertura de capital deve acontecer no segundo trimestre de 2022

Foto do author Luciana Dyniewicz

A negociação das ações da Eve (empresa da Embraer criada para desenvolver o “carro voador”) na Bolsa de Nova York deve começar no segundo trimestre do ano que vem, segundo estimativa do presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto. “Esse é o prazo que estimamos para concluir a aprovação do processo (de abertura de capital). Agora estamos assinando o que chamamos de BCA, business cooperation agreement, com a Zanite (sócia da Embraer no projeto)”, afirmou ao Estadão.

O BCA anunciado na manhã desta terça-feira, 21, prevê que a Embraer detenha 82% de participação na Eve. Com um consórcio de empresas - que inclui Bradesco BBI, Rolls-Royce e BAE Systems, entre outras -, a fabricante aportará US$ 305 milhões na nova companhia. Outros US$ 237 milhões serão injetados pela Zanite Acquisition Corp, uma Spac (companhia que primeiro abre capital na Bolsa para, depois, buscar um projeto para investir) dos Estados Unidos. A companhia passará a se chamar Eve Holding e tem valor patrimonial de cerca de US$ 2,9 bilhões. 

O eVTOL, nome oficial do 'carro voador,desenvolvido pela Eve, empresa da Embraer. Foto: Eve Air Mobility

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De acordo com Gomes Netos, esses recursos serão usados apenas no desenvolvimento e certificação do eVTOL (sigla em inglês para veículo elétrico de pouso e decolagem vertical, como é chamada oficialmente a aeronave). Para a instalação de linhas de montagem, a companhia buscará outras fontes de financiamento. “Até o BNDES, que já sinalizou interesse no projeto, poderá ser uma alternativa importante para a fase seguinte”, acrescentou o presidente da Embraer.

A ideia, segundo o executivo, é ter um fábrica de peças do eVTOL e várias unidades de montagem próximas aos principais mercados consumidores. Uma consultoria internacional está sendo contratada para definir onde essas plantas serão instaladas.

A Embraer trabalha com um planejamento de que a Eve terá US$ 4,5 bilhões (R$ 25,7 bilhões na cotação atual) em receitas em 2030. No ano passado, toda a Embraer somou R$ 19,6 bilhões em receitas líquidas - mas a companhia projeta dobrar esse número em cinco anos e essa conta não inclui o “carro voador”.

O faturamento de US$ 4,5 bilhões considera que a Eve conseguirá 15% do mercado de eVTOLs. Isso significa que, em 2040 - 14 anos após o eVTOL chegar ao mercado -, a receita deverá alcançar US$ 18 bilhões.

Na análise do consultor André Castellini, da Bain & Company, é factível considerar que a Eve detenha essa participação de mercado, dado a experiência da Embraer em desenvolver aeronaves com agilidade e custos inferiores aos de seus concorrentes, além de certificá-las. “Esse porcentual de mercado não me espanta. A dúvida é qual vai ser exatamente o tamanho do mercado. Isso vai ser ditado por aspectos de regulamentação e tráfego aéreo.”

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A capacidade de trabalhar com orçamentos mais apertados também deve ajudar a Embraer, dado que, apesar da injeção de recursos prevista pela fusão com a Zanite ser significativa (US$ 542 milhões, no total), o montante é o segundo menor anunciado até agora por concorrentes da Eve. A americana Joby levantou US$ 1,6 bilhão no mercado, a também americana Archer, R$ 1,1 bilhão, a alemã Lilium, US$ 830 milhões e a britânica Vertical US$ 394 milhões. Todos esses recursos foram provenientes de fusões com Spacs, mesmo modelo de negócio adotado por Embraer e Zanite.

A abertura do capital da Eve em Nova York após a fusão com a Zanite era esperada desde junho, quando as conversas entre as empresas se tornaram públicas. Desde então, os papéis da Embraer na B3 avançaram 17% até segunda-feira, 20. Nesta terça, a alta é de 15% até as 12h30 e, no ano, o avanço chega a 160%.

A abertura do capital da Eve em Nova York após a fusão com a Zanite era esperada desde junho, quando as conversas entre as empresas se tornaram públicas. Desde então, os papéis da Embraer na B3 avançaram 17% até segunda-feira. Ontem, a alta foi de mais 15% e, no ano, o avanço chegou a 176%.

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Para a analista Thaís Cascello, do Itaú BBA, a alta é justificada e há espaço para as ações subirem ainda mais. Hoje, o banco calcula que o preço justo para os papéis da Embraer no fim de 2022 estaria em torno de US$ 21. Com os dados revelados ontem, esse valor iria para aproximadamente US$ 27 - a atualização oficial do preço, no entanto, ainda depende de cálculos mais precisos.

Gomes Neto destaca, no entanto, que não é apenas o potencial da Eve que está alavancando a Embraer no mercado financeiro. “Esse é um dos componentes. Se você observar a recuperação da Embraer neste ano e o potencial que temos de quase dobrar de tamanho nos próximos cinco anos sem incluir o eVTOL ou inovações, isso também tem aumentado o nível de confiança dos investidores. Na nossa opinião, é uma composição de fatores, que também inclui performance de curto prazo.”

Até agora, a Eve já recebeu pedidos de 17 clientes para um total de 1.735 veículos, avaliados em US$ 5,2 bilhões. Dessas encomendas, 500 foram anunciadas hoje e foram feitas por três empresas americanas: 200 pela Azorra, 200 pela Republic Airways e 100 pela SkyWest. A projeção é que os “carros voadores” comecem a ser entregues em 2026.

Também nesta terça-feira, a Embraer anunciou que, com a fusão com a Zanite, a Eve passará a ser copresidida  por Andre Stein (que já estava à frente da empresa) e por Jerry DeMuro, que era diretor executivo da BAE Systems. A Embraer e a BAE também divulgaram que estudam conjuntamente o desenvolvimento de um eVTOL para o mercado de defesa e segurança.

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