Novas normas melhoram competitividade do crédito oferecido por corporações

Surge agora o FIDC para o investidor de varejo, que é uma nova alternativa para pessoas que têm hábito de poupar e diversificar seus investimentos

Por Austin Rating e Estadão Blue Studio
Atualização:

O segmento de crédito corporativo está em uma nova fronteira de competitividade com os canais tradicionais do Sistema Financeiro Nacional (SFN), como os bancos. É o que avalia o especialista Erivelto Rodrigues, CEO e fundador da Austin Rating, pioneira empresa de classificação de risco de crédito do Brasil.

Com isso, abriu-se a possibilidade de o pequeno investidor do varejo investir em Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), antes uma exclusividade de investidores milionários. Essa novidade foi autorizada pela Resolução 175 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Com a potencial demanda por “FIDCs de varejo”, as pequenas e médias empresas deverão impulsionar seus negócios em virtude dessa alternativa de acesso ao crédito.

A novidade é que os pequenos investidores poderão agora ter acesso direto ao investimento em um ativo de renda fixa que tende a ter baixo risco, avalia Rodrigues Foto: Divulgação/Austin Rating

PUBLICIDADE

Esses fundos de investimento, agora disponíveis no varejo, se baseiam em créditos a receber de empresas. “O FIDC para varejo (ou público em geral) permite que as cotas de sua emissão sejam colocadas também junto aos investidores comuns (pessoas físicas), e não apenas aos chamados investidores qualificados, ou seja, aqueles que têm, no mínimo, R$ 1 milhão em aplicações financeiras ou algum tipo de certificação profissional do mercado de capitais”, descreve o CEO da Austin Rating, Erivelto Rodrigues.

“A grande novidade é que os pequenos investidores poderão agora ter acesso direto ao investimento em um ativo de renda fixa que tende a ter baixo risco, uma vez que, pelas definições da mesma Resolução CVM 175, esse investimento está restrito às cotas de subclasse sênior, que contam com proteção de subordinação, e também a fundos e/ou classes de cotas lastreados em créditos mais convencionais – isto é, não poderão compor o lastro aqueles créditos teoricamente mais arriscados, como precatórios, empréstimos não performados [não realizados ou não concluídos], entre outros anteriormente chamados de não padronizados, explica o especialista.

“Esses FIDCs de varejo também tem a exigência da CVM de ter uma nota de classificação de risco, portanto, o investidor poderá ter acesso aos relatórios das agências de risco para melhor avaliar e definir, com maior segurança, onde fará seu investimento”, complementa.


Cuidados

Mas que tipo de cuidados o investidor de varejo deve ter na hora de escolher um FIDC? Quando a rentabilidade compensa o risco para ele?

Rodrigues recomenda que os investidores de varejo leiam atentamente todo o material de distribuição da oferta (prospecto e outros), com particular atenção à política de investimentos definida em regulamento do fundo ou da classe de cotas e os fatores de risco destacados no próprio regulamento.

Publicidade

O investidor deve também levar em conta os riscos apontados pela agência de rating (avaliação de risco) em seus relatórios e pareceres, explica o especialista da Austin Rating, lembrando que o rating é uma obrigatoriedade estabelecida pela CVM para as cotas destinadas a esse público.

Outro cuidado importante que o investidor desse produto deve ter está relacionado com a qualidade dos prestadores de serviços essenciais. “Nesse sentido, orientamos que busquem conhecer mais a fundo o histórico de desempenho das gestoras, que é um agente crucial nessas estruturas. É recomendável que se observem, além do aspecto reputacional dos responsáveis pela gestão direta e a performance de fundos por eles geridos, a compatibilidade das estruturas operacionais ao volume de ativos que mantêm sob gestão e as obrigações que foram trazidas pela resolução 175″, avalia Rodrigues.

“Um bom FIDC para o investidor de varejo é, em nossa visão, aquele que opera com ativos mais líquidos, ou seja, que tenha carteiras compostas por créditos com baixo risco de inadimplência e baixo nível de concentração.”

Erivelto Rodrigues, Austin Rating

Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostram que os FIDCs em geral têm caído no gosto do investidor brasileiro. Por exemplo, o patrimônio dos FIDCs encerrou 2023 em R$ 41,41 bilhões e subiu para R$ 58,22 bilhões em maio deste ano (último dado disponível), com alta de 46,8% na comparação com maio do ano passado (R$ 39,67 bilhões).

PUBLICIDADE

Nessa “nova fronteira de competitividade” do mercado de investimentos, a Austin Rating promete continuar a acompanhar e avaliar seus desenvolvimentos, para garantir que investidores e empresas possam confiar na qualidade e segurança dos produtos financeiros disponíveis.

“Nós contribuímos para o desenvolvimento e fortalecimento do mercado na medida em que reduzimos significativamente as assimetrias de informações existentes entre emissores e investidores, amparado por um rígido Código de Conduta e um forte sistema de proteção de dados e informações de terceiros, inibindo quaisquer compartilhamentos de dados com terceiros, como determina a LGPD”, finaliza o CEO, citando a integridade e a confiabilidade da empresa que é líder, por exemplo, do mercado em classificação de rating de FIDCs.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.