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PIB cresce 0,2% no trimestre e analistas já falam em alta no ano menor que 2011

Desempenho ruim foi puxado pelo fraco resultado dos investimentos e da agropecuária, apesar da surpresa positiva da indústria

Por FERNANDO DANTAS/RIO

A economia brasileira manteve no primeiro trimestre de 2012 o estado de quase paralisia em que se encontra desde o segundo semestre do ano passado. Ontem, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o PIB do primeiro trimestre cresceu apenas 0,2% em relação ao último trimestre de 2011, na série livre de influências sazonais. Em termos anualizados, é um ritmo de 0,8%, o que está derrubando ainda mais as projeções de crescimento em 2012 - ontem, diversos analistas ouvidos pelo Estado reduziram as projeções para o ano para algo em torno de 2%, ou mesmo abaixo.O Brasil teve no primeiro trimestre o pior crescimento entre os Brics (grupo que inclui Rússia, China, Índia e África do Sul) e cresceu menos que Estados Unidos e Alemanha, economias abaladas pela crise do mundo desenvolvido. O mau desempenho brasileiro nos primeiros três meses do ano se segue a resultados também pífios no terceiro e quarto trimestres de 2011 - respectivamente, recuo de 0,1% e expansão de 0,2%, ante os trimestres anteriores, na base dessazonalizada. Nos 12 meses até março de 2012, o PIB cresceu 1,9%. Na comparação entre o primeiro trimestre de 2012 e o de 2011, o avanço foi de apenas 0,8%.Um dos destaques negativos do PIB de janeiro a março foram os investimentos, que caíram 1,8% (7,4% em termos anualizados) ante o último trimestre de 2011, na série dessazonalizada, e 2,1% na comparação com o primeiro trimestre de 2011. A agropecuária, por sua vez, foi um forte surpresa negativa, despencando 7,3% (32,6% anualizado) ante o trimestre anterior, em termos dessazonalizados, e 8,5% em relação ao primeiro trimestre de 2011. A má performance deveu-se principalmente ao efeito de secas no Nordeste e, em particular, no Sul, onde a safra de soja foi afetada.Um dos poucos pontos positivos da divulgação de ontem foi o crescimento da indústria de 1,7% (7% anualizado) no primeiro trimestre ante o trimestre anterior, na série dessazonalizada. Na mesma base de comparação, a indústria de transformação cresceu 1,9%, ou 7,8% em termos anualizados. Segundo Rebeca Palis, gerente da Coordenação de Contas Nacionais do IBGE, a redução de impostos para aquisição de eletrodomésticos em dezembro contribuiu para estimular a indústria de transformação no primeiro trimestre.Para vários analistas, por outro lado, os números da indústria estão longe de ser motivo de comemoração. Quando se compara o primeiro trimestre de 2012 com igual período do ano anterior, a indústria cresceu apenas 0,1%, e a indústria de transformação caiu 2,6%.O que salvou algum crescimento do PIB no primeiro trimestre foi o desempenho vigoroso do consumo das famílias e do governo, que cresceram respectivamente 1% (4,1% anualizado) e 1,5% (6,1% anualizado) na comparação dessazonalizada com o trimestre anterior. Comparado ao primeiro trimestre de 2011, o consumo das famílias cresceu 2,5%, o 34º avanço trimestral consecutivo, num processo iniciado no último trimestre de 2003. Já o consumo do governo registrou alta de 3,4% ante o primeiro trimestre do ano passado, melhor resultado desde o segundo trimestre de 2011."A demanda está sendo sustentada basicamente pelas famílias e pelo governo, com o investimento para baixo - não é uma boa dinâmica", diz Alessandra Ribeiro, da Consultoria Tendências. Para ela, com o resultado de ontem, o PIB de 2012 deve ficar entre 1,5% e 2%. No banco de investimentos J. Safra e na gestora Opus, as projeções para 2012 foram revisadas para, respectivamente, 2,1% e 1,9%. Já a economista Silvia Matos, da Fundação Getúlio Vargas, espera 2% de crescimento em 2012, "num cenário otimista".Na área externa, na comparação com o quarto trimestre de 2011, as exportações de bens e serviços cresceram 0,2%, e as importações, 1,1%, no primeiro trimestre. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, atribui a esse "vazamento" externo parte do mau desempenho do PIB.

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