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Dicas e curiosidades sobre animais

Novo remédio para cães promete acabar com dores da osteoartrite

Lançado há poucos meses no Brasil, a medicação para dor em cães já vem fazendo diferença na vida de muitos peludos. Veja se seu cachorro pode usar.

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Foto do author Luiza  Cervenka
Medicação promete acabar com dores articulares em cães - Foto: Luiza Cervenka

Fui convidada para o lançamento de Librela, um anticorpo monoclonal que resolve as dores de osteoartrite. Falei grego, eu sei. Vou explicar ponto a ponto.

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Um anticorpo monoclonal é uma "substância" que se liga a um receptor específico, como se fosse um sistema de chave e fechadura. Ou seja, ele não se encaixa em nenhum outro local a não ser aquele para que ele foi desenvolvido. Isso faz com que haja muito menos efeito colateral e mais assertividade no tratamento.

Segundo Emilene Prudente, médica-veterinária e Gerente de Produto da Zoetis,os anticorpos monoclonais imitam o anticorpo já produzido pelo próprio corpo. "É uma técnica já bastante comum na medicina humana para tratamento de cânceres, atopias e dores articulares, sem que haja metabolização no fígado ou rim, podendo ser usado em qualquer idade ou quadro de saúde" completa.

Como saber se meu cachorro tem osteoartite?

Normalmente, cães que apresentam esse problema articular mudam a forma de andar, sentar, deitar, evitam correr, não gostam de escada, podem ficar mais amoados e até mais agressivos. Mudanças comportamentais também são uma forte chave para compreender se o cão precisa de ajuda ou não.

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Segundo Emilene, o diagnóstico da dor pode ser feito por três profissionais: médico-veterinário generalista, o fisioterapeuta e o comportamentalista. "É o que eu vejo de solução. O médico-veterinário fica em consulto com o cão por 30 minutos, 1 hora no máximo. Muitas vezes ele nem pergunta sobre que o tutor tem observado de diferente no cão. Por isso esses 3 pilares para chegar em um denominador comum, com um tratamento menos doloroso e mais rápido" enfatiza.

Para entender melhor o que é osteoartrite, sugiro ler a matéria abaixo.

Será que seu gato está com dor?

A grande diferença que a nova medicação trouxe foi o fato de se ligar ao NGF, "substância" que leva o sinal de dor até a medula. Esse anticorpo monoclonal encaixa no NGF, fazendo com que ele não chegue até a medula e, consequentemente, não passe a informação de dor. Assim, o cão continua fazendo suas atividades normalmente, sem sentir dor.

Parece mágica, né?! Difícil de acreditar. Como eu só acredito vendo, testei o produto na Aurora, minha cachorrinha.

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Caso Aurora

No auge dos seus muitos anos (uns 15, acho), Aurora já não é aquela cachorra super ativa. Mesmo fazendo fisioterapia semanalmente, ela vinha piorando das dores articulares, fazendo com que ela rodasse mais em torno do próprio eixo e curvasse mais o quadril, como uma forma de compensar a dor.

A medicação é injetável e deve ser prescrita e aplicada por um médico-veterinário. Então, conversei com a fisioterapeuta da Aurora e seguimos para o protocolo.

Aplicação injetável feita pelo médico-veterinário - Foto: Luiza Cervenka

No lançamento do produto, vi vários vídeos incríveis de cães que mudaram da água para vinho após receber o anticorpo monoclonal. Cães que não andavam mais, voltando a correr. Mas difícil de acreditar que possa ser realidade para qualquer cão.

Então lá fui eu com a Aurora fazer a aplicação de Librela. Me disseram que o efeito começava após 2 dias da aplicação, mas o efeito máximo aconteceria após a segunda aplicação, com 30 dias de tratamento. O ideal é que a mediação seja aplicada mensalmente para manter o efeito.

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Se não me engano, a aplicação foi em uma quarta pela manhã. No sábado seguinte fomos viajar para Serra Negra. Só percebi que havia algo diferente, quando, de repente, a Aurora subir quatro degraus de uma vez. Não, ela não conseguia subir degrau. Talvez um no máximo, mas quatro seguidos, jamais!

Ok, eu quase chorei!

E não parou por aí! Quando voltamos para casa, decidi tirar todos os tapete e passadeiras antiderrapantes para lavar. Qual foi minha surpresa?! Aurora estava andando plena e bela sem cair ou escorregar. Parecia que ela estava com as patas mais firmes, sem rodar tanto e com o quadril alinhado a coluna. Mas calma que não chegou ao auge.

Passados 30 dias da primeira aplicação, fomos para a segunda. A aplicação foi na quarta e fomos passar o final de semana em Itu. A casa não tem muros ou portões. Mas isso nunca foi um grande problema, já que a Aurora levava um século para andar 3 metros. Eu podia deixa-la solta no quintal sem problemas. Se ela tentasse fugir, era fácil de ver e pegar.

Mas Librela mudou essa situação. Em uma manhã ensolarada, dei banho na Aurora, sequei um pouco e deixei ela no jardim, como de costume, para tomar sol. Entrei rapidamente para passar protetor solar. Juro que foi o tempo de passar o creme no rosto e sair. Cadê a pequena cã?! Evaporou! Dei a volta umas 3 vezes na casa, olhei em todos os buracos e nada.

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De onde ela estava até a frente da casa, deve ter pelo menos 50 metros.

Resumindo, Aurora saiu correndo. Correndo mesmo, igual uma gazela no campo. E se embrenhou no quintal no vizinho. Obviamente que até descobrir isso, já tinha acionado até a Scotland Yard.

Final feliz para mim que encontrei a Aurora, e para a Aurora que agora corre feliz pelos gramados e pisos, sem escorregar. Agora é continuar com as aplicações a cada 30 dias para o resto da vida da pequena cã.

Caso Glória

Depois que eu vi o efeito na Aurora, enlouqueci! Eu estava atendendo uma cachorrinha da raça Welsh Corgi de 2 anos. Uma fofurinha, mas nem sempre. Glória estava com alguns rompantes de agressividade. Já tinha mordido cães e até os tutores. Não era mordidinha, não. Era de arrancar pedaço. Algo bem sério.

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Glória é uma cachorro fofinha, que escondia a dor - Foto: Carol Garcia

Eu juro que já tinha feito tudo que estava ao meu alcance dentro do comportamento. Os tutores seguiam todas as minhas orientações, mas os ataques continuavam. Ela não mancava... Mas mesmo assim acendeu uma luz na minha cabeça: "será que não é por dor?!". Foi quando eu descobri que Glória tinha displasia nas duas patas traseiras, mas estava em tratamento com a fisioterapia. Mesmo assim, sugeri conversar com a médica-veterinária sobre a possibilidade de aplicar Librela na Glória.

Encurtando a história, Glória está há 15 dias na paz do Senhor, sem atacar ninguém, brincando feliz e faceira com humanos e cães. Eu juro que ela não dava nenhum sinal de dor. A única coisa eram os rompantes de agressividade após brincar muito ou quando tentavam mexer nela.

São inúmeras as histórias de mudança de qualidade de vida dos cães após o tratamento com essa nova medicação. Emilene contou que está recebendo muitos relatos de tutores. O que mais a emocionou foi sobre um cachorro idoso, que não conseguia dormir direito, que se mexia a noite toda, acordando os tutores.

"Ninguém relacionada a inquietude da noite com a dor. Mesmo com flora e medicação para dor, o cão não melhorava" relata Emilene.

Após a aplicação da medicação, o cão dormiu tão bem, que até o tutor perdeu a hora de trabalhar pelo sono repousante.

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E para quem está achando que o milagre da medicação é muito caro, já aviso que não é. Obviamente que é mais ardido que um antibiótico ou antiinflamatório, mas a Zoetis (empresa que fabrica o Librela) fez uma pesquisa de mercado no Brasil, para entender quanto que a população conseguiria pagar pela medicação.

"A população de cães e gatos no Brasil é a terceira maior no mundo, porém, só 20% dos cães passam por algum tipo de tratamento (até vermífugo vale). Então, a Zoetis tem como objetivo aumentar as visitas ao médico-veterinário, a medida que o tutor consiga compreender o comportamento e as alterações do cão" aponta Emilene e finaliza "Os tutores devem compreender seu papel fundamental na promoção do bem-estar de cães e gatos".

Se você percebeu algum tipo de modificação comportamental no seu cão, dificuldade de locomoção, busque já um médico-veterinário para fazer um check-up. Se o diagnóstico foi osteoartrite, questione sobre a possibilidade de usar Librela. Infelizmente nem todos ainda conhecem o produto. Afinal, são 150 mil médicos-veterinários no Brasil. "Atingir todos é um grande trabalho, estamos no início da caminhada. O objetivo é levar educação continuada para o máximo de veterinários possível. Não só promover a medicação, mas também falar sobre saúde, diagnóstico, dor, tratamento, etc" comenta Emilene.

Simbora fazer nossa parte, enquanto tutores?!

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