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Provas de rua de A a Z

Camila Bahia, a corredora que está revolucionando o cenário esportivo no Brasil

A primeira fanfest fora da sede da olimpíada é uma de suas inovações

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Foto do author Silvia Herrera

Não se engane com o jeitinho calmo desta mineira. Camila Bahia é TNT puro, a mil por hora. Ela é daquelas que corre para descansar, e quanto maior a distância, melhor. Mas recentemente, a ultramaratonista de trail run pode ser vista correndo nas imediações do Parque do Povo, em São Paulo, em ritmo suave. Ela está focada em mais um projeto grandioso, a primeira fanfest fora da sede de uma olimpíada, um evento que respira marketing de experiência e muita inovação. É o Festival Olímpico Parque Time Brasil, evento gratuito que vai acontecer entre 20 de julho e 11 de agosto, no Parque Villa-Lobos, em São Paulo.

 Foto: DC Set Group

Sempre pronta para grandes desafios, Camila começou na música. Traz no currículo trabalhos com Skank, Seu Jorge, Cláudia Leitte, Carnaval do Rio e de São Paulo. Produziu discos, shows, viajou o Brasil e o mundo. Depois, já no esporte, atuou na Maratona do Rio, XTerra, Up Hill Marathon, Corridas oficiais da Disney, entre outros circuitos poderosos. E hoje lidera as áreas de esporte e música no DC Set Group.

 Foto: DC Set Group

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Ela conta que a DC Set Group em parceria com a Deponto Agência ganharam a concorrência que foi promovida pelo COB em 2022. "A ideia do COB era fazer um projeto muito inovador, algo que não existisse no mundo inteiro, que fosse  único", explica.  E pela primeira vez na história dos Jogos Olímpicos acontecerá uma "fanfest" oficial fora da cidade-sede. E São Paulo terá o privilégio de ser a sede desse evento inédito, no Parque Villa-Lobos, entre os dias 20 de julho e 11 de agosto, com entrada gratuita para o público curtir uma programação intensa de esporte, cultura e entretenimento.

Simulando uma vila olímpica, o Festival Olímpico Parque Time Brasil apresentará várias atrações para a torcida se divertir, praticar atividades físicas e também acompanhar, ao vivo, em mega telões o desempenho da delegação do Brasil na principal competição multiesportiva do mundo. A programação da fanfest paulistana reunirá apresentações culturais de diversos países, gastronomia nacional e internacional, interação com atletas da atual delegação olímpica e clínicas esportivas com ex-atletas. Será uma ampla celebração esportiva, cultural e social concebida para ampliar a experiência dos Jogos Olímpicos no Brasil, em um formato único e exclusivo. E para os corredores haverá atividades especiais que estão sendo desenvolvidas em parceria com a Federação Paulista de Atletismo. Confira todas as atrações no site: www.parquetimebrasil.com.br

"Trabalhando com esporte,

os momentos marcantes são muitos"

 Foto: acervo pessoal

Como a corrida de rua entrou na sua vida?

Camila Bahia:  Sou a Camila Bahia, de BH, que mora em São Paulo. Eu vim para São Paulo em 2001. Aí depois eu voltei para BH, fiquei lá de 2005 a 2008, que foi justo o período que comecei a correr e a trabalhar com o Skank. Comecei a correr lá em BH na Lagoa Seca, que é a praia do mineiro. Hoje é onde todos os corredores treinam, milhares de pessoas correm lá. Mas na época quando eu comecei, em 2005, poucas pessoas corriam, e eu comecei treinando com o Urbano. Comecei a correr com meu namorado, começamos com 5km, depois 10km e tínhamos o sonho de correr uma São Silvestre.

E quando foi essa emblemática São Silvestre?

Camila Bahia: O dia da realização desse sonho foi bem engraçado. Foi na virada de 2008 para 2009, a corrida era ainda à tarde.  Vim para São Paulo com o meu namorado, à noite ele trabalharia na virada paulistana. Ele teve muitas câimbras a uns 20 metros do pórtico da chegada, mas conseguimos concluir a prova, realizar este sonho. Depois terminamos, mas eu continuei na corrida.

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Qual foi sua última maratona?

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Camila Bahia: Foi a de Tóquio, no começo do ano. Me inscrevi no sorteio, não imaginava ser sorteada, mas fui. E aí não tinha como desistir. Mas fiz sem pressão, numa vibe de curtir mesmo, parando, fazendo fotos, conversando com as pessoas. Estou em um momento muito intenso de trabalho, para realizar este evento gigantesco. Você mencionou que já trabalhei nas maiores corridas do Brasil, e aí meu hobby que era correr, virou meu trabalho, e começou a ficar chato. E no ano passado eu entrei numa vibe de um pouco de preguiça da corrida, mas aí eu fui sorteada para Tóquio, e me motivei novamente. E agora meu próximo desafio será após olimpíada, vou fazer o Caminho de Santiago de Compostela (Espanha). Mas antes de Tóquio eu já tinha migrado para o trail, o treinamento é totalmente diferente do asfalto.

Quais foram os momentos mais marcantes da sua vida?

Camila Bahia: Em 2017, fiz uma cirurgia no coração, uma ablação cardíaca em 2017. Durante mais de 15, 20 anos, eu tive uma arritmia muito forte, mas ela só acontecia no repouso. E uma vez, voltando de e Nova York,  o batimento foi para mais de 200, uma sensação bem ruins,  e eu não conseguia descobrir o que era.  Essas arritmias não são diagnosticadas. Você sente alguma coisa ruim, chega no hospital, já passou. São rápidas. E no pronto-socorro, não estão preparados para receber esses casos. Para te orientar a procurar um arritmologista, que é o médico especialista em arritmia. Nunca  soube que ele existia. Eu  ia em cardiologistas, fazia uma série de exames e o diagnóstico era: ansiedade e stress. Cheguei a tomar remédio tarja preta, já fiz de tudo. A análise, gotinha, yoga, nada resolvia.  Até que um dia, em um teste ergométrico, eu tive a arritmia durante três segundos. Em 15 dias fiz o procedimento, uma cirurgia longa que durou 5 horas, até hoje eu faço um acompanhamento com a doutora Ana Sierra. É ela que me acompanha desde então. Nessa época, estava inscrita para correr os 21 k de Fernando de Noronha. Queria muito conhecer esse lugar.  E este foi o segundo momento mais marcante, fui para lá, depois da ablação, e em vez de correr os 21k, eu consegui fazer a prova dos 8k. Isso, dois meses depois do procedimento. Obviamente, fui super lenta, mas foi muito emocionante, muito marcante, porque na hora que você faz um negócio desse, você mexe no coração, a primeira coisa que vem a cabeça é: eu vou morrer. Mas trabalhando com esporte, os momentos marcantes são muitos. Na Maratoninha do Rio, colocando as medalhas nas crianças, e quando fizemos a inclusão das crianças autistas, sem a buzina na largada. Um dos embaixadores da Maratoninha de 2019 foi um pai de uma criança autista, e os dois correram juntos. Foi o primeiro ano com embaixadores. Trabalhar com isso é maravilhoso, já passei por vários momentos lindos.

 

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