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No Corinthians, Andrés fala em desistir por candidato único

'Estou sendo colocado como a única pessoa que não aceita o consenso. Não sou assim', reclama o dirigente

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Por Cosme Rimolli
Atualização:

O quadro político do Corinthians às portas de uma inesperada reviravolta política: o grande favorito Andres Sanches deu a sua palavra que desiste da candidatura à presidência do clube. Basta o candidato Osmar Stabile desistir. Assim, Waldemar Pires será candidato único na eleição do dia 9 de outubro.   Veja também:  Vote: você aprova a contratação de Nelsinho Baptista?  Vote: qual será o destino do Corinthians no Brasileirão?  Nelsinho reestréia no Corinthians cheio de confiança  Jogadores do Corinthians 'lavam roupa suja' em reunião   "Eu estou sendo colocado como a única pessoa que não aceita o consenso, que pensa só em si e não no Corinthians. Não sou assim. Se o Osmar Stabile desistir da sua candidatura, não concorro. Basta ele colocar a sua assinatura antes e o Waldemar Pires será de novo o presidente do Corinthians", disse nesta sexta-feira, em entrevista exclusiva, Andres Sanches.   "Ele é a única pessoa que estava impedindo o consenso. Estou feliz pela declaração que ele deu à agência Estado. Vou telefonar para o Andres. E vamos desistir juntos. Não vamos nos dividir nessa hora tão importante da história do Corinthians", disse Osmar Stabile.   A situação de Andres está perto do insustentável. Os conselheiros mais importantes do clube dizem que se ele mantiver a candidatura e o time for rebaixado no Brasileiro, Sanches seria responsabilizado.   Agestado - Por que você está disposto a desistir depois de tanto lutar para ser candidato? Andres - Por que sou uma pessoa desprovida de vaidade. Eu penso primeiro no Corintians. Fui eu quem começou todo o processo que acabou com a saída do Dualib. Sei do momento delicado que o clube está vivendo. Não posso ser eu quem vai atrapalhar a reestruturação do Corinthians. Eu sei que cerca de 30 milhões de corintianos no Brasil estão esperando a minha decisão. E não quero decepcionar ninguém. O Osmar assinando a sua desistência, estou fora.   Mas assim tão fácil? Como tão fácil? A minha ala política tem um projeto de modernização para o Corinthians que o Waldemar Pires se comprometeu a usar. Esta é a condição para eu desistir. Porque há anos eu e o meu grupo político estamos trabalhando neste projeto. E além disso vou acompanhar tudo de perto, mesmo não sendo presidente agora.   Você conseguiu eleger cem conselheiros de oposição. As contas é que possui cerca de 180 dos 380 conselheiros que votarão. O Osmar tem 20 conselheiros. Qual o motivo de você desistir se ele sair do processo? É duro para mim. Mas é simples. Se todos os outros conselheiros desistirem em nome do Waldemar Pires não vou pensar apenas em mim. Por princípio, sou pela democracia e contra esse acordão. Mas não há outro jeito. Estou dividido e a possibilidade de atrapalhar a vida do Corinthians é mais importante para mim. Vou ouvir os conselheiros que estão comigo e assumir a minha decisão na segunda-feira.   Não é a sua grande chance de ser presidente? Não. Tenho só 43 anos. Sei que posso ser candidato no futuro. A próxima será em fevereiro de 2009. E o time do Corinthians está em um momento muito difícil. Não quero criar um grande problema político que acabe atrapalhando e criando a condição de rebaixamento. Não quero ser acusado de uma possível queda para a Série B. O Nelsinho Baptista e time que estão muito pressionados precisam da tranqüilidade política. Eu não vou atrapalhar o Corinthians. A eleição será para presidente.   Mas os vices do Dualib, o Clodomil Orsi vão continuar. Você acha justo? Não. Acho que eles deveriam sair e deixar espaço para quem ganhar os cargos nas novas eleições. Todos os conselheiros que ganharam cargos com o Dualib deveriam ser destituídos e começar tudo do zero. Eu mesmo deixaria de ser conselheiro sem o menor problema. Mas as coisas no Corinthians não são assim. Você combinou seu depoimento na Polícia Federal com o Dualib como as escutas levam a acreditar? Isso é uma grande injustiça. Eu não combinei nada com o Dualib. Tanto que nossos depoimentos foram completamente diferentes e as escutas não tinham sido vazadas pela PF. Pegaram 30 segundos de conversa. Os meus depoimentos na Polícia Federal estão aí para quem quiser ler.   Você é empresário, milionário, inteligente. Ficou 11 meses como vice de futebol. Como não percebeu as falcatruas de Dualib e da MSI? Quando senti que a situação estava esquisita, pedi para sair e iniciei o processo que acabou com a renúncia do Dualib. O vice presidente de futebol não tem acesso a todas as contas, aos processos. Ao sentir que tudo passou a ser estranho e o Dualib e o Kia tomavam as decisões nos seus escritórios, resolvi sair. Mas eu fiquei onze meses e já me desliguei. Tem gente que tem 50, 40, 30, 20 anos com o Dualib e agora vem posar de oposição. Pensam que todos são bobos.   Você foi grande amigo do Kia. Conheceu o Berezovski e o Badri. Como é que aceitava a parceria com a MSI? Quando comecei a desconfiar das atitudes do Kia, me afastei. Eu conheci o Berezovski e o Badri [Patarksivilli] como amigos do Kia. Sou um simples cidadão brasileiro. Não poderia adivinhar que eles eram investidores da MSI. Quando desconfiei que as coisas não estavam certas me afastei.   Você não acha mesmo que está jogando fora a chance de ser presidente do Corinthians? Acho que não. Se o Osmar não desistir eu vou concorrer. Vou definir essa situação na segunda-feira em uma reunião à noite.       E se o seu grupo se revoltar e exigir sua candidatura? Não vamos criar fatos que ainda não existem. Minha postura está clara. Estou dividido, mas a postura do Osmar Stabile vai apontar o que vou fazer.   *Atualizado às 20h38

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