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Robson Morelli

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Messi devolve a Copa do Mundo para a América do Sul

Melhor jogador da competição no Catar, meia ganha seu primeiro e único Mundial aos 35 anos

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Por Robson Morelli
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3 min de leitura

Era para ser assim. Em seu último ato, Messi ganha a Copa do Mundo, sua primeira e única. Foi como se Picasso pintasse uma última tela antes de desaparecer. Ou se Beethoven deixasse pronta uma composição inédita nos seus dias derradeiros. Messi fez da competição no Catar as linhas finais de sua história com a camisa da Argentina. Como Diego Maradona, imortalizou a camisa 10 da seleção.

Messi esperou seu último jogo em Copas para dar ao seu povo o que ele sempre lhe cobrou. Sua história na seleção não poderia ter outro desfecho: campeão e melhor atleta.

Os argentinos estão felizes. Muitos de nós, brasileiros, torcemos pelo país vizinho, para o futebol sul-americano. A Argentina agora é tri. Muitos brasileiros também vão se arrepender hoje, quando a ficha cair, de que nossos vizinhos fizeram tudo certo e o Brasil fez tudo errado. Vale lembrar que a Argentina fez também a final da Copa de 2014, quando perdeu para a Alemanha dentro do Maracanã. E ainda ficou com a Copa América do ano passado, contra o time de Tite.

A seleção argentina, Messi, Scaloni e a própria Copa do Catar mandam recados para a seleção brasileira, atualmente sem técnico e há tempo sem rumo, sem carisma e povo.

Messi com o troféu de campeão do mundo comemora com os torcedores Foto: Tolga Bozoglu / EFE

A Argentina mereceu ganhar a Copa. Bateu a França nos pênaltis (4 a 2) depois do empate inimaginável por 3 a 3 com o tempo da prorrogação. Em dois momentos, o time de Messi esteve à frente e foi alcançado pelos gols de Mbappé. O atacante francês marcou três gols em uma final e não levou. Isso nunca tinha acontecido antes. Ainda acertou a sua cobrança na disputa dos tiros livres. Foi o primeiro a bater, assim como Messi.

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A Copa do Catar mostrou ao mundo um jeito de jogar futebol. Scaloni, técnico argentino de 44 anos, deu um baile em seus rivais. Messi, aos 35, em sua última exibição em Copas após quatro tentativas frustradas, deixou claro que não se pode duvidar dos gênios. Fez dois gols na final. Ele foi a Argentina nesta Copa. E a Argentina foi Messi até o fim.

O meio de campo falou mais alto neste torneio. Os melhores e mais perigosos times da competição tiveram um jogador inteligente no setor, um meia, como Messi, ou volantes que ficassem com a bola, que organizassem as jogadas, que controlassem a partida, como Modric, da Croácia. O futebol brasileiro tem de se valer do que viu. A CBF tem de entender, nesses tempos modernos, como se joga uma Copa. Nosso passado nos glorifica e nosso presente nos envergonha.

Scaloni mostrou ser um treinador inteligente e perspicaz. A Argentina coroa uma geração que nunca se entregou. Chegou ao Catar com 36 jogos sem perder e perdeu logo na estreia. Depois disso, o time fez história. Trouxe a Copa mais uma vez para a América do Sul, quebrando a hegemonia dos europeus desde 2006. Obrigado, Argentina!