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Rosamaria prioriza saúde mental e vive caminho mais suave rumo a Paris-2024 após depressão

Jogadora de vôlei optou por se afastar para se cuidar antes da Olimpíada de Tóquio e agora se vê muito mais preparada para os próximos Jogos Olímpicos

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Foto do author Bruno Accorsi
Atualização:

Rosamaria foi um dos grandes nomes da medalha de prata conquistada pela seleção brasileira de vôlei nos Jogos de Tóquio, disputados em 2021, mas não participou da reta decisiva daquele ciclo olímpico, antes da confirmação da vaga, pois escolheu cuidar da saúde mental. A versátil jogadora de 29 anos, que atua como oposto ou ponteira, passou por um forte período de depressão e afastou-se da seleção em 2019, por isso não jogou o Sul-Americano e o Pré-Olímpico daquele ano, competições que se prepara para disputar na atual temporada.

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Quatro anos depois da decisão do afastamento, ela se vê em outro momento e curte sua nova versão. Sem se limitar ao vôlei e seu calendário desgastante, Rosamaria se entregou também ao mundo da moda, com o lançamento de uma marca própria, e tem no seu lado empresária um escape da rotina exaustiva de atleta. Mais leve, entende que não poderia ser quem é hoje sem a escolha tomada nos dias difíceis do passado.

“Em 2017, 2018, passei por um momento bem difícil de depressão. Algumas coisas aconteceram na minha vida e eu precisava de um tempo que, infelizmente, o nosso calendário esportivo não nos dá. Cheguei num período em que foi muito difícil fazer essa escolha, porque eu sabia que estava a um ano da Olimpíada, que era para ter acontecido em 2020. Mas a situação estava tão grave que tive de escolher entre a Rosamaria pessoa e a Rosamaria atleta. E eu sabia que se a Rosamaria não conseguisse ir pra frente, a Rosamaria atleta não estaria na Olimpíada”, revela a jogadora ao Estadão.

Rosamaria lançou recentemente sua marca própria Foto: Jamming/Divulgação

O retorno para a seleção ocorreu apenas em 2021, com a participação na campanha do vice-campeonato da Liga das Nações. Na ocasião, o Brasil foi derrotado na final pelos Estados Unidos, mesmo adversário pelo qual foi batido meses depois na final dos Jogos de Tóquio, que tiveram Rosamaria como protagonista do Brasil, graças ao período de descanso mental ao qual se permitiu.

“Eu tenho consciência de que foi a melhor decisão da minha vida. Consegui me recuperar em todos os sentidos. Tive um tempo para mim, foi a decisão que me trouxe até aqui hoje. Se não, eu não sei se a minha carreira teria continuado do jeito que continuou. Então, acho que foi muito importante ter entendido e ter respeitado o meu momento e respeitando as necessidades da Rosamaria pessoa antes da voz da mega atleta”, afirma.

MARCA PRÓPRIA E LINHA DE JOIAS

Atualmente, a atacante tem uma relação mais saudável com o vôlei, até porque tem utilizado o tempo fora dele para se dedicar a outra paixão. Lançou recentemente a própria marca e conta com o respaldo de uma equipe de confiança para conseguir conciliar as duas atividades. Além disso, alimenta uma faceta importante de sua personalidade, que andava adormecida, e já traça um caminho para explorar após a ainda distante aposentadoria.

“Tenho outras paixões interesses que estou tentando desenvolver. Falar e pensar sobre essas coisas além do vôlei me desestressa até ali dentro de quadra, não deixa a minha cabeça entrar em parafuso. Nesses momentos de pressão, a gente tem uma válvula de escape. É um plano pós-carreira também. Tenho pessoas que me ajudam e que resolvem a maior parte dos pepinos para mim. Então eu fico com a parte um pouco mais suave, resolver as coisas mais tranquilas, a criação”, explica.

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Em uma de suas primeiras experiências, a jogadora empresária lançou uma linha de joias em parceria com uma marca do ramo e ficou muito satisfeita com o resultado.

“Eu gosto muito dessa área da moda, gostaria de me aprofundar. A gente fez uma collab com uma marca de joias. Eu gostaria de vender alguma coisa que fosse a minha cara e eu sei que acessórios assim são uma marca registrada, uma coisa que eu uso muito, eu adoro, então a gente fez essa primeira collab, que foi um sucesso. Agora, a gente está fazendo estudos, estou identificando o que de fato eu quero fazer porque é um mundo muito novo para mim”.

Após perder parte da preparação para Tóquio, Rosamaria participa do ciclo completo para Paris Foto: Carlos Garcia Rawlins / Reuters

NO RECIFE PARA O SUL-AMERICANO

A bem resolvida Rosamaria desembarcou no Recife, ao lado das demais companheiras de seleção, na quarta-feira, para a disputa do Sul-Americano deste ano, no qual o Brasil estreia sábado, às 20h30, contra o Chile. O torneio nem sempre é disputado com força máxima, mas dessa vez o técnico José Roberto Guimarães não abriu mão dos nomes mais estrelados.

“Esse time que a gente está hoje precisa ganhar ritmo, precisa estar mais dentro de quadra. Neste ano a gente teve um tempo curto de preparação”, pontuou Rosamaria. Depois do Sul-Americano, o Brasil jogará o Pré-Olímpico, que começa no dia 16 de setembro. A jogadora, contudo, não considera o torneio em Recife como uma mera preparação.

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“No Sul-Americano, com certeza não vai ser fácil. É mais um desafio jogar em casa, tenho certeza que vai ser muito legal, mas muito desafiador e a gente tem que tentar sempre manter o Brasil no topo. Não vai ser nada fácil. Não estamos encarando isso como simplesmente uma preparação. A gente encara como um campeonato que a gente quer brigar para ganhar o título e depois pensar no Pré-Olímpico lá na frente”, diz.

Uma conquista seria importante para elevar o moral da equipe, que passa por um processo de reformulação e vem oscilando bastante desde o fim dos Jogos de Tóquio. Prata da Liga das Nações no ano passado, teve um desempenho pior na edição deste ano, em julho, quando caiu para a China nas quartas de final. Embora entenda que o desempenho não foi o ideal, Rosamaria vê a oscilação com naturalidade e confia em melhores apresentações.

“A gente teve pouquíssimo tempo de preparação para Liga das Nações, isso nunca aconteceu. E você chega com jogadoras dos clubes, cada uma em um ritmo diferente, em um país diferente, em situações de treino diferente. Os campeonatos de clubes foram muito longos”, afirmou. “A gente está aqui trabalhando muito e acreditando no que a gente tem feito. Temos mais oportunidades aí na frente para voltar a mostrar o nosso melhor voleibol, que a gente sabe que não conseguiu mostrar na Liga das Nações”, completa.

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