PUBLICIDADE

Boato adultera capa de 'Veja' para atribuir a Lula declaração falsa sobre 'favores' do STF

Montagem circula nas redes sociais após plenário do Supremo confirmar a anulação das condenações do ex-presidente nos processos da Operação Lava Jato

PUBLICIDADE

Foto do author Samuel Lima

Circula nas redes sociais uma capa adulterada de uma edição antiga da Veja, contendo uma foto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e supostas declarações sobre troca de favores com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O Estadão Verifica consultou o acervo digital da revista e confirmou que se trata de montagem.

Boato adultera capa da revista Veja para atribuir declaração falsa a Lula. Foto: Reprodução / Arte: Estadão

PUBLICIDADE

As postagens falsas utilizam a imagem da edição nº. 2436 de Veja, publicada em 29 de julho de 2015. A manchete verdadeira da revista era a frase "A vez dele", referente a uma reportagem que menciona tratativas para delação premiada do ex-presidente da OAS Léo Pinheiro com o Ministério Público Federal (MPF).

Já a montagem modifica digitalmente a foto para que Lula apareça chorando e troca o título para "Lula desabafa: eu botei Tóffoli (sic) no STF, o Gilmar me deve favores, sou amigo do Marco Aurélio, e Lewandowsky (sic) nunca me traiu". Não há registro dessa declaração atribuída ao petista na imprensa. 

https://twitter.com/VEJA/status/624723743328346112

Os nomes de dois ministros do STF -- Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski -- estão com a grafia incorreta nas frases atribuídas a Lula na montagem. O cabeçalho também foi alterado para mostrar outras informações que não conferem com o acervo digital da Veja, disponível para assinantes. A edição "1572" foi publicada em 11 de novembro de 1998 e nenhuma revista circulou na data "Abril 26 2016". 

Uma das versões do boato teve mais de 3,7 mil compartilhamentos desde quarta-feira, 14 de abril. Na mesma data, o plenário do STF confirmou a decisão que derrubou condenações de Lula impostas pela Operação Lava Jato e manteve o petista elegível e apto a disputar as próximas eleições presidenciais, por 8 votos a 3. 

O Supremo referendou a decisão do relator da Lava Jato, ministro Edson Fachin, que considerou no mês passado que a Justiça Federal de Curitiba não era competente para investigar Lula. A maioria dos ministros entendeu que as acusações levantadas contra o ex-presidente não diziam respeito diretamente ao esquema bilionário de corrupção na Petrobras investigado pela operação.

Publicidade

Em relação aos nomes citados na postagem falsa, votaram a favor de anular as condenações de Lula os ministros Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes. Marco Aurélio Mello, no entanto, foi contrário à decisão. 

O Estadão Verifica já desmentiu uma série de conteúdos que falsificaram capas de Veja. Uma delas afirmava que Lula ameaçou Fachin. Outra relacionava a família do presidente Jair Bolsonaro com a apreensão de cocaína em um avião da Força Aérea Brasileira. Uma terceira peça alterou uma captura de tela do site de Veja para dizer que o governador João Doria (PSDB) pensava em restringir a energia elétrica em São Paulo.

Esses conteúdos são chamados de impostores, pois imitam fontes genuínas para espalhar desinformação. Desconfie de manchetes alarmistas, denúncias incompatíveis com o noticiário, erros de português e outros elementos estranhos nas imagens, como a presença de letras maiúsculas e sinais de interrogação e exclamação em sequência. Em caso de dúvida, pesquise antes de compartilhar ou encaminhe para o WhatsApp do Estadão Verifica: (11) 97683-7490.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.