Cronologia histórica do Grupo Estado


1873 - 79



1873

18 de abril - A maioria dos participantes da Convenção Republicana de Itú concorda acerca da necessidade de ter um órgão de imprensa na capital para defender os ideais republicanos.

1874

Outubro, Após um trabalho de arregimentação efetuado por Américo Brasiliense e Manuel Ferraz de Campos Salles é constituida uma sociedade em comandita com 19 cotistas com o nome de Pestana, Campos & Cia. Este nome deve-se ao fato de Francisco Rangel Pestana e Américo de Campos, escolhidos para redatores, terem as maiores cotas. A administração foi confiada a José Maria Lisboa.

1875

Sai o 1º número de "A Província de S. Paulo", no dia 4 de janeiro. Mesmo sem assumir explicitamente seu propósito republicano, consta uma extensa declaração de princípios afinada com o republicanismo e com os pressupostos da cidadania. Além disso é estabelecida a sua linha mestra, que caracteriza o jornal até hoje : "conta a Província de S. Paulo fazer da sua independência o apanágio de sua força". A redação, administração e oficinas foram instaladas num prédio da rua do Palácio,no. 14 (atual do Tesouro), esquina com a rua do Comércio (atual Álvares Penteado), onde ficariam até abril de 1877. Neste mês houve uma mudança para a rua da Imperatriz, no. 44 (hoje XV de Novembro). A impressora era uma máquina manual "Alauzet", acionada por negros libertos contratados por tarefas. O jornal começou com 5 colunas largas, em 4 páginas. O logotipo era em letra de forma. Os títulos sempre em apenas 1 coluna. O tipo (corpo) variava entre o 8 e o 10.

1876

O jornal inova a venda de exemplares avulsos : o francês Bernard Gregoire, montado num burro, oferecia o jornal em todos os recantos da cidade, indo até suas extremidades da época : da Luz à Liberdade e de Santa Ifigênia ao Brás.

1878

O logotipo no cabeçalho passa a ser escrito em letras góticas.

1879

A sociedade foi reorganizada, passando a contar com apenas 11 comanditários.

 

1880 - 89



1880

A diagramação muda para 6 colunas.

1881

Em 2 de setembro deste ano ocorre uma nova mudança de sede, desta vez da então rua da Imperatriz (hoje XV de Novembro) para a rua João Brícola, esquina com a mesma rua da Imperatriz.

1882

No dia 18 de janeiro ocorria nova alteração societária : Rangel Pestana passa a ser o maior cotista.

1884

Alberto Salles, irmão de Manuel Campos Salles, entra na sociedade injetando capital, tornando-se diretor-gerente. Américo de Campos e José Maria Lisboa saem contrariados com a campanha anti-lusitana empreendida pelo novo sócio e fundam o Diário Popular.

1885

Um talentoso jornalista campineiro é trazido por Alberto Salles : Júlio Mesquita, então com 23 anos, torna-se redator ao lado de Rangel Pestana. Sua primeira colaboração é uma série de artigos intitulada "Os partidos políticos e as transações". De outro lado, o anti-lusitanismo de Alberto Salles quase leva o jornal à falência : todos os anunciantes portugueses boicotam a empresa. Alberto Salles retira-se e o jornal é salvo por Júlio Mesquita : filho de portugueses, o jovem redator habilmente traz de volta os enfurecidos clientes.

1886

O logotipo diminuiu de tamanho. O formato foi aumentado, como também o número de colunas, que passa a ser oito. Os títulos de matérias aumentaram de tamanho. Adotado a partir de então somente o tipo 8.

1888

"A Província" passa a pertencer à firma Rangel Pestana & Cia. Júlio Mesquita, além de redator, torna-se gerente. O formato do jornal foi aumentado mais uma vez. Durante uma crise de fornecimento de papel, o jornal passou a ter 7 colunas, temporariamente. A tiragem atinge 4.000 exemplares.

1889

No dia 16 de novembro, excepcionalmente, a 1ª página foi publicada sem colunas, apenas com o título : "Viva a República". Júlio Mesquita participa do governo estadual provisório.

 

1890 - 1898



1890

O logotipo foi modificado para "O Estado de S. Paulo", em letras góticas. Raul Pompéia assume a representação no Rio de Janeiro.

1891

Júlio Mesquita é eleito deputado para o Congresso Constituinte Estadual, com a maior votação. Rangel Pestana, doente e desgostoso com a república, afasta-se do jornal, cedendo sua participação à Cia. Impressora Paulista, controlada pelo Cel. Teixeira de Carvalho.

1892

O logotipo passa a ser em letra de forma, semelhante ao atual, porém maior e na cor preta. A tiragem alcança 7.500 exemplares. Euclides da Cunha inicia sua colaboração com versos. Júlio Mesquita é eleito deputado federal. Seus primeiros discursos são publicados nos dias 6 e 7 de julho.

1894

No 2º semestre passa-se a publicar um título em 2 colunas, recurso usado antes só para colaborações em versos.

1895

A propriedade do jornal passa da Cia. Impressora Paulista para J. Filinto & Cia.. José Filinto da Silva é o gerente e Júlio Mesquita o redator.

1896

O jornal passa a sair com 9 colunas. O título passa do 8 para o 6, enquanto a tiragem atinge 10.000 exemplares. Sai o primeiro "Almanaque do Estado". Júlio Mesquita abre um escritório de advocacia com Alfredo Pujol, Eugênio Egas e Augusto Loiola.

1897

Francisco Mesquita, pai de Júlio Mesquita, se associa à firma J. Filinto & Cia. Euclides da Cunha passa a colaborar como correspondente da guerra de Canudos. A tiragem atinge 18.000 exemplares, bem acima do normal, devido ao grande interesse que o assunto despertava no público leitor.

1898

Falece Francisco Mesquita.

 

1901 - 09



1901

Excepcionalmente, no dia 1º de janeiro, foi publicado na primeira página um editorial sobre o novo século, com 5 colunas e meia. A partir de julho, Júlio Mesquita, José Alves de Cerqueira César e Prudente de Moraes rompem com o presidente da república Manuel Ferraz de Campos Salles e o governador Rodrigues Alves : é a 1ª dissidência republicana. Os dissidentes contestam a "política de governadores", que esvaziava a independência dos parlamentos estaduais e do próprio Congresso Nacional, fortalecendo excessivamente o poder executivo.

1902

Júlio Mesquita torna-se o único proprietário do jornal. José Filinto da Silva permanece como gerente.

1903

Morre Francisco Rangel Pestana no dia 17 de março. Pouco antes, em fevereiro, o jornal passa a ser diagramado com 10 colunas.

1905

A Dissidência apoia a candidatura de Afonso Pena à presidência da república, em oposição à candidatura de Bernardino de Campos, correligionário de Campos Salles e Rodrigues Alves.

1906

Em junho, o jornal muda da rua XV de Novembro para a praça Antonio Prado (antigo largo do Rosário), onde ficaria até 1929. Em julho, Jorge Tibiriçá promove a reconciliação dos republicanos paulistas, durante a ausência de Júlio Mesquita do país. O jornalista estava em Portugal com a família, logo após a morte da filha Ruth. Em outubro regressa e é homenageado com um banquete de 100 talheres. Ainda neste ano é reeleito deputado estadual. Os tipos usados pelo jornal foram modificados. Nestor Pestana entra para o jornal e começa a trabalhar como redator.

1907

A diagramação passa a ser feita com 8 colunas a partir de junho. A empresa proprietária do jornal passa a ser uma sociedade anônima em 27 de dezembro.

1908

É feito um lançamento de debêntures para financiar a expansão do jornal, o qual se encontrava em franca prosperidade. Com o financiamento foi importada uma máquina "Albert" : o jornal passa a ter 16 páginas e a composição passa a ser feita com linotipos, abandonando-se o antigo processo manual feito por 40 tipógrafos. A tiragem passa para 18.000 exemplares, regularmente (para uma capacidade de 23.500 p/hora). Aberta uma sucursal em Lisboa.

1909

Júlio Mesquita é um dos articuladores da candidatura de Rui Barbosa à presidência da república, em oposição à candidatura de um militar, o Marechal Hermes. Iniciava-se a Campanha Civilista, à qual "O Estado de S. Paulo" dará todo o apoio a partir de agosto.

 

1910 - 19



1910

Prossegue a "Campanha Civilista". Entretanto, nas eleições de 1º de março Rui Barbosa é derrotado em um pleito fraudulento. No dia 27 o jornal publica o manifesto de Rui denunciando as irregularidades. Amadeu Amaral, grande jornalista e poeta, passa a trabalhar no jornal.

1911

Abertura de uma sucursal em Roma, dirigida por Nicolau Ancona Lopes. Morre José Alves de Cerqueira César, sogro de Júlio Mesquita e ex-governador do estado.

1912

Novo lançamento de debêntures, totalmente integralizado. Com este financiamento a S/A O Estado de S. Paulo adquire terrenos nas ruas Boa Vista e 25 de março para as novas instalações. É comprada uma máquina "Marinoni". O novo equipamento permite uma tiragem de 35.000 exemplares. Neste ano Júlio Mesquita adoece e embarca para a Europa para fazer um tratamento de saude. Mesmo assim é escolhido para substituir Cerqueira César no senado estadual. Nestor Pestana, então secretário, assume interinamente a chefia da redação. José Filinto da Silva, também doente, se aposenta, sendo substituido temporariamente na gerência por Armando de Salles Oliveira, genro de Júlio Mesquita, e em seguida por Ricardo Figueiredo.

1913

Desgostoso com a infidelidade de antigos companheiros da Campanha Civilista, Júlio Mesquita envia uma carta da Europa renunciando à cadeira no senado estadual, a qual é ocultada pelos correligionários, na esperança de que ele voltasse atrás. Em outubro completa-se a mudança para as instalações da rua Boa Vista e 25 de março, interligadas por tubos pneumáticos. Neste mesmo mês Júlio Mesquita retorna de sua longa permanência na Europa, dirigindo-se diretamente para sua fazenda em Louveira por recomendação médica. Mesmo assim dirige o jornal através de cartas aos seus principais auxiliares.

1914

A partir de agosto, ainda em Louveira, Júlio Mesquita começa a escrever artigos sobre a 1ª guerra mundial que se iniciava, adotando uma posição contrária ao militarismo alemão, coerente com sua postura na Campanha Civilista. Inicia-se então um boicote da poderosa comunidade comercial alemã em São Paulo retirando os anúncios no jornal, que passa a enfrentar dificuldades financeiras. Apesar das pressões, o jornal mantem sua posição contrária ao militarismo. Neste mesmo ano, no dia 12 de novembro, "o Estado" publica o artigo "Velha Praga" do leitor José Bento Monteiro Lobato. Na verdade, tratava-se originalmente de uma carta para a seção Queixas e Reclamações, a qual foi publicada como artigo assinado tal a sua qualidade. A partir de então Monteiro Lobato passa a colaborar regularmente com o jornal, iniciando sua brilhante carreira literária.

1915

Em maio é lançada a edição vespertina de "O Estado de S. Paulo", que passa a ser conhecida pelo nome de "Estadinho", quando Júlio de Mesquita Filho inicia sua carreira de jornalista como colaborador. O jornal passa a apoiar a Campanha Nacionalista lançada pelo poeta Olavo Bilac, a qual propunha o serviço militar obrigatório, por acreditar que assim o militarismo se enfraqueceria com a entrada de civis na tropa, diluindo o corporativismo do Exército, além de despertar o civismo nos jovens.

1916

Sai o 2º "Almanaque do Estado". A tiragem média do jornal atinge 35.000 exemplares, com edições diárias oscilando de 16 a 20 páginas. Morre Dna. Lucila Cerqueira César Mesquita, esposa de Júlio Mesquita.

1917

Durante a grande greve na cidade de São Paulo, Júlio de Mesquita Filho; convidado pelos operários para ser o mediador entre estes e seus intransigentes patrões nas suas justas reivindicações : jornada de oito horas, proibição do trabalho noturno para mulheres e crianças e melhores salários.

1918

A gripe espanhola, que assolava o mundo todo, faz duas vítimas entre inúmeros doentes no jornal : Adalgiso Pereira e Francisco Novo.

1919

"O Estado" apoia novamente a candidatura de Rui Barbosa à presidência da república, que viria a ser derrotado por Epitácio Pessoa.

 

1920 - 29



1920

Falece Arnaldo Vieira de Carvalho, sogro de Júlio de Mesquita Filho e Francisco Mesquita.

1921

Em fevereiro deixa de circular "O Estadinho". Três meses depois Júlio de Mesquita Filho assume a secretaria de "O Estado". Os amigos organizam uma festa para homenageá-lo, quando Monteiro Lobato faz uma saudação em nome de todos.

1922

O jornal simpatiza com o levante do Forte de Copacabana, tentativa de golpe por dezoito jovens oficiais contra as arbitrariedades do governo federal.

1923

Júlio Mesquita apoia a revolta no Rio Grande do Sul contra os desmandos de Borges de Medeiros. O jornal faz outra emissão de debêntures, no valor de 6.500 contos, totalmente colocadas no dia do lançamento. O cabeçalho é mudado por exigência legal : passa a ser obrigatório constar o nome do diretor responsável.

1924

No dia 5 de julho ocorre a revolução comandada pelo general Isidoro Dias Lopes que ocupa a cidade de São Paulo por 23 dias. Apesar da neutralidade de "O Estado" - concordante com as críticas dos revolucionários ao governo federal mas discordante da sublevação militar - no dia 29 Júlio Mesquita é preso e o jornal proibido de circular até o dia 16 de agosto. Ao deixar a cidade no dia 28, sem que houvesse uma derrota dos ocupantes, um grupo comandado por Miguel Costa dirige-se ao Paraná para encontrar-se com os revoltosos gauchos liderados por Luís Carlos Prestes. Tinha início a célebre coluna que durante anos faria uma pregação democrática por todo o país.

1925

As edições dominicais passam a repetir o cabeçalho na última página.

1926

Fundação do Partido Democrático por membros da Dissidência e políticos independentes, em oposição frontal ao PRP-Partido Republicano Paulista, detentor do governo estadual e federal. Depois de 25 anos de oposição aos "carcomidos", Júlio Mesquita formaliza seu combate aos caciques do PRP através da via partidária. O Conselheiro Antonio Prado foi eleito seu primeiro presidente em reunião na qual se destacou o pronunciamento do então jovem Francisco Mesquita, nesta época já trabalhando no jornal com o gerente Ricardo Figueiredo. O novo partido defendia reformas no viciado sistema eleitoral, dentre elas o advento do voto secreto e do voto feminino.

1927

Aos 65 anos de idade falece Júlio Mesquita, no dia 15 de março. A partir de então Júlio de Mesquita Filho e Francisco Mesquita assumem a liderança do jornal. Seus auxiliares diretos são Nestor Pestana, Plínio Barreto, Leo Vaz e Ricardo Figueiredo. O cabeçalho é novamente alterado.

1929

Em março, a redação e a administração são transferidas para a rua Boa Vista, nº 30, esquina da ladeira Porto Geral. As oficinas passam a operar na rua Barão de Duprat, com novas rotativas especialmente construidas. Começa a grande crise econômica recessiva originada pela quebra da Bolsa de Nova York. O jornal ganha uma ação por perdas e danos contra a União pela suspensão temporária de sua circulação logo após a revolução de 24 em São Paulo.

 

1930 - 39



1930

"O Estado" e o Partido Democrático apoiam a Aliança Liberal e a candidatura de Getúlio Vargas à presidência, em oposição a Júlio Prestes, candidato do PRP apoiado pelo presidente Washington Luís. Júlio Prestes ganha as eleições, mais uma vez marcadas pelas fraudes. Em outubro estoura a revolução de 30, que depôs Washington Luís e colocou Getúlio Vargas no poder. O jornal alcança a tiragem de 100 mil exemplares e lança aos domingos um suplemento em rotogravura, com grande destaque às ilustrações fotográficas.

1932

Inconformados com o autoritarismo e o tratamento hostil de Getúlio Vargas e os "tenentes" a São Paulo, o "Estado" e o Partido Democrático se indispõem com a ditadura e formam uma aliança com alguns setores do PRP contra o governo federal. No dia 9 de julho estoura a revolução constitucionalista em defesa de eleições livres e de uma constituição. Francisco Mesquita vai para a frente de batalha enquanto Júlio de Mesquita Filho permanece em Sâo Paulo na liderança civil do movimento. Mesmo derrotados militarmente em outubro, os constitucionalistas alcançarão seus objetivos políticos em 34. Júlio de Mesquita Filho e Francisco Mesquita são presos e posteriormente exilados em Lisboa.

1933

Em abril falece Nestor Pestana. No mês seguinte Plínio Barreto é promovido a diretor. Em agosto, Armando de Salles Oliveira - casado com Dna. Raquel Mesquita de Salles Oliveira, irmã de Júlio Mesquita Fº e de Francisco Mesquita - foi indicado interventor por Getúlio Vargas. Armando Salles só aceitou o posto sob a condição do ditador conceder anistia aos revolucionários de 32 e convocar eleições para o ano seguinte, o que acabou sendo feito. Júlio de Mesquita Filho e Francisco Mesquita retornam ao país, reassumindo suas funções no jornal.

1934

Francisco Mesquita é eleito deputado estadual pelo recém criado Partido Constitucionalista e Armando Salles é eleito governador do estado pela Assembléia Legislativa. No dia 25 de janeiro, ainda como interventor federal, Armando de Salles Oliveira baixa o decreto 6283 criando a Universidade de São Paulo, concretizando uma idéia de Júlio de Mesquita Fº defendida em campanha de "O Estado". Foi Júlio de Mesquita Fº quem se incumbiu de convidar professores franceses, italianos e alemães para a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, com o auxílio dos professores George Dumas e Theodoro Ramos.

1935

Morre Ricardo Figueiredo.

1937

No dia 10 de novembro iniciava-se um período dramático para o Brasil : era o começo do "Estado Novo" (1937-1945), nome pelo qual foi chamada eufemisticamente a fase mais tirânica da longa ditadura de Getúlio Vargas (1930-45). Na véspera, Armando de Salles Oliveira, candidato à presidência da república pela União Democrática Brasileira, partido formado pelos constitucionalistas, havia feito um manifesto aos chefes militares do Brasil alertando-os para um golpe que estava sendo programado para o dia 15. Diante da notoriedade da conspiração, Vargas e seus generais Dutra e Góes Monteiro anteciparam a quartelada : o Congresso foi dissolvido e uma nova constituição autoritária, inspirada no fascismo italiano, foi imposta ao país pela força. Júlio de Mesquita F º e Armando Salles foram presos.

1938

No dia 3 de novembro, Júlio de Mesquita Filho, Armando de Salles Oliveira e outros foram expatriados à força pela ditadura, iniciando um longo exílio. Sem visto de entrada para paises da América do Sul foram obrigados a partir em um navio para a França.

1939

No mês de abril, dada a iminência da 2ª guerra mundial, prestes a se iniciar, Júlio de Mesquita Filho e Armando Salles embarcam para os Estados Unidos. Em julho, após ter obtido um visto de entrada para a Argentina, Júlio de Mesquita Filho embarca para Santiago do Chile, de onde atingiu Buenos Aires por terra. Impedido de sair, Armando permanece nos Estados Unidos mais alguns meses.

 

1940 - 47



1940

No dia 25 de março tropas invadem a redação de "O Estado" sob a falsa acusação de uma conspiração armada. Armas são colocadas no forro do prédio pela própria polícia política para forjar provas. Francisco Mesquita é preso e levado para o Rio de Janeiro onde fica por 40 dias. Nada provado contra ele, é solto. Entretanto, ficou impedido de reassumir suas funções no jornal, o qual passa a ser gerido pela ditadura.

1943

Em abril, Júlio de Mesquita Filho e sua esposa Dna. Marina retornam ao Brasil. Alguns meses depois Júlio de Mesquita Filho e Francisco Mesquita são presos novamente quando se iniciam os protestos de estudantes de Direito contra a ditadura. Em seguida Júlio de Mesquita Filho é confinado em Louveira, em prisão domiciliar na fazenda da família.

1944

Logo no início do ano Armando de Salles Oliveira é operado de um câncer em Buenos Aires.

1945

Armando Salles volta no início de maio para São Paulo. No dia 17 do mesmo mês morre em um leito de hospital cercado pela família e por correligionários. No dia 29 de outubro Getúlio Vargas é deposto pelos mesmos generais que o haviam colocado no poder.

Pouco mais de um mês depois, no dia 6 de dezembro, Júlio de Mesquita Fº e Francisco Mesquita reassumiam seus postos no jornal : "O Estado" recuperava o espírito crítico e independente que o caracterizava desde sua fundação.

1947

Em março é iniciada a construção do edfício da rua Major Quedinho.

 

1950 - 58



1950

Léo Vaz se aposenta e Marcelino Ritter é promovido ao cargo de redator-chefe no lugar de Paulo Duarte.

1951

No dia 31 de dezembro "O Estado" inicia a mudança para o prédio da rua Major Quedinho.

1953

No dia 18 de agosto é inaugurada oficialmente a nova sede. É criado o Suplemento Feminino em setembro.

1954

Edição especial comemorativa do IVº Centenário da cidade de São Paulo, no dia 25 de janeiro.

1955

Em janeiro é criado o Suplemento Agrícola.

1956

No dia 24 de agosto a sucursal de "O Estado" no Rio é invadida pela polícia e exemplares do jornal são apreendidos em razão da publicação de um manifesto de Carlos Lacerda. Júlio de Mesquita Fº denuncia a arbitrariedade à Associação Interamericana de Imprensa (AII).

1958

Inauguração da Rádio Eldorado, no dia 4 de janeiro.

 

1960 - 68



1960

Maria Cecília Vieira de Carvalho Mesquita torna-se Diretora do Suplemento Feminino, quando promove sua reformulação gráfica e editorial.

1964

"O Estado" apoia o movimento militar que depôs o presidente João Goulart, ao constatar que o mesmo já não tinha autoridade para governar. No entanto, entendia que a intervenção militar deveria ser transitória. Quando se evidencia que os radicais de extrema direita aumentavam sua influência, objetivando a perpetuação dos militares no poder, retira seu apoio e passa a fazer oposição.

1966

No dia 4 de janeiro, sob a direção de Ruy Mesquita, sai o 1º número do "Jornal da Tarde", marco de uma revolução gráfica e editorial no jornalismo brasileiro.

1967

Em fevereiro a tiragem de "O Estado" ultrapassa 340.000 exemplares. No dia 25 de setembro a AII (Associação Interamericana de Imprensa) protesta contra a censura sofrida pelo "Estado" ao comentar a morte do ex-presidente Castello Branco.

1968

No dia 13 de dezembro "O Estado" é impedido de circular por ordem da ditadura militar. O editorial "Instituições em frangalhos" escrito por Júlio de Mesquita Filho é o motivo da arbitrariedade. A partir de então começa a censura dentro da redação dos jornais "O Estado de S. Paulo" e "Jornal da Tarde".

1969

Falece Júlio de Mesquita Filho no dia 12 de julho e Francisco Mesquita em 8 de novembro. Júlio de Mesquita Neto passa a ser o Diretor-Responsável de "O Estado" e José Vieira de Carvalho Mesquita o Diretor Administrativo.

 

1970 - 77



1970

Apesar das dificuldades enfrentadas com a ditadura militar, o Grupo Estado continua se diversificando : no dia 4 de janeiro nasce a "Agência Estado". Em 28 de agosto falece prematuramente Luiz Carlos Mesquita, idealizador e implantador da Edição de Esportes e responsável pelo desenvolvimento inicial da Rádio Eldorado.

1972

O "Estúdio Eldorado" inicia suas atividades.

1973

Os dois jornais passam a publicar assuntos não usuais na 1ª página em lugar dos textos censurados : poemas de Camões no "Estado" e receitas culinárias no "Jornal da Tarde".

1974

Em Copenhague, no dia 03/09, o jornalista Júlio de Mesquita Neto recebe em nome dos jornais "O Estado de S. Paulo" e "Jornal da Tarde" o prêmio Pena de Ouro da Liberdade outorgado pela Federação Internacional de Editores de Jornais.

1975

No dia 4 de janeiro o jornal "O Estado de S. Paulo" completa 100 anos de existência e comemora apenas 95 de vida, ignorando os cinco anos em que foi dirigido pela ditadura de Getúlio Vargas (1940-45). Neste mesmo dia é suspensa a censura nas redações de "O Estado" e "Jornal da Tarde".

1976

No dia 12 de junho completava-se a mudança de "O Estado de S. Paulo", "Jornal da Tarde" e "Agência Estado" para o bairro do Limão.

1977

A 1ª e última páginas de "O Estado", além da Seção de Artes, passam a ser diagramadas em 6 colunas.

 

1980 - 88



1980

No início de junho todo o jornal "O Estado de S. Paulo" passa para 6 colunas.

1981

Em agosto "O Estado de S. Paulo" e o "Jornal da Tarde" ganham em última instância uma ação contra a União pela perdas sofridas com a apreensão das edições de 10 e 11 de maio de 1973, quando apenas os dois jornais foram proibidos de noticiar a renúncia de Cirne Lima, ministro da Agricultura durante o governo Médici.

1983

É constituida a OESP Gráfica, no dia 13/05.

1985

Ruy Mesquita Fº torna-se Diretor do "Jornal da Tarde" e Júlio César Ferreira de Mesquita e Francisco Mesquita Neto tornam-se Diretores de "O Estado". João Lara Mesquita assume como Diretor da Rádio Eldorado. Constituida a Pisa-Papel de Imprensa S/A, em sociedade com o Grupo Fletcher, da Noruega.

1988

Neste ano ocorre uma grande reforma administrativa, quando são criadas as unidades de negócios. Fernão Lara Mesquita torna-se Diretor do "Jornal da Tarde" e Rodrigo Lara Mesquita da "Agência Estado". No dia 5 de julho são abolidos os fios verticais para separar as colunas de "O Estado". Estas, por sua vez, tiveram a largura reduzida. Foram também introduzidos na composição de texto variações mais suaves da família de tipos "Bodoni", historicamente usados no jornal. Falece José Vieira de Carvalho Mesquita, Diretor-Superintendente da S/A O Estado de S. Paulo, no dia 26 de julho. Francisco Mesquita Neto é o sucessor. Luiz Vieira de Carvalho Mesquita é o Presidente do Conselho de Administração, Júlio de Mesquita Neto o Diretor-Responsável de "O Estado" e Ruy Mesquita Diretor-Responsável do "Jornal da Tarde".

 

1991 - 1999



1991

Em abril, Roberto Crissiuma Mesquita assume como Diretor. A "Agência Estado" adquire a Broadcast (incorporada oficialmente em 06/01/92).

1992

Fernando Crissiuma Mesquita torna-se Diretor da OESP/Gráfica em setembro.

1993

No dia 12 de setembro, a cor do logotipo do cabeçalho de "O Estado" passa a ser azul, com aprovação dos leitores consultados em pesquisa (85%). Além disso outras mudanças na 1ª página como a coluna da esquerda orientando a leitura e realçando a variedade de assuntos; o texto abaixo da manchete, resumindo o fato e destacando sua importância; e a data dentro de uma tarja cinza, logo abaixo do logotipo.

1994

Iniciado em agosto o projeto educacional "Estadão na escola".

1996

Falece Júlio de Mesquita Neto, no dia 5 de junho. Ruy Mesquita torna-se o Diretor Responsável de "O Estado".

1997

No dia 3 de março de 1997 falece Luiz Vieira de Carvalho Mesquita. Em junho, Ruy Mesquita assumiu a Presidência do Conselho de Administração.

1998

No dia 27/05/98 Francisco Mesquita Neto foi eleito Presidente do Conselho de Administração.

1999

É constituída no dia 18/02 a OESP Mídia.

 

2000 - ...



2000

Em 25 de março ocorre a fusão dos "sites" da Agência Estado, O Estado de S. Paulo e Jornal da Tarde resultando no portal Estadao.com.br, veículo informativo em tempo real.

2001

No mês de dezembro o Grupo Estado adquiriu uma concessionária de televisão, o Canal 10, TV Santa Inês, no Maranhão.

2002

No dia 4 de janeiro o canal passa a ser denominado TV Eldorado, afiliado à TV Cultura de São Paulo, com produção própria de jornalismo local. Neste mesmo ano o Grupo Estado obtém a concessão de retransmissoras em São Paulo, São José dos Campos, Campinas, Santos e Mogi das Cruzes.

2003

Em janeiro deste ano o portal Estadao. com. br supera a marca de um milhão de visitas mensais, consolidando sua posição de liderança em consultas a veículos de jornalismo em tempo real no Brasil.

 

Cronologia das sedes

(redação e administração) de O Estado

1ª) Rua do Palácio, no. 14 (atual rua do Tesouro), esquina com a rua do Comércio (atual Álvares Penteado).(04/01/1875- 17/04/1877).

2ª) Rua da Imperatriz, 44 (atual XV de Novembro) (17/04/1877-02/09/1881).

3ª) Rua João Brícola, 53, esq. com rua da Imperatriz (hoje XV de Novembro) (02/09/1881-18/06/1906).

4ª) Praça Antonio Prado/Casa Martinico (nome do edifício). No mesmo prédio hoje se encontra a BM&F (Bolsa Mercantil & Futuros). (18/06/1906-18/03/1929).

5ª) Rua Boa Vista, 30, esq. c/ Ladeira Porto Geral (18/03/1929-26/05/1947).

6ª) Rua Barão de Duprat, 41 (26/05/1947-31/12/1951) (0bs.: no mesmo local funcionaram as oficinas entre 10/11/1927 e 31/12/1951).

7ª) Major Quedinho, 28 (31/12/1951-13/01/1976)

8ª) Av. Engo. Caetano Álvares, 55 (13/01/1976-...)


José Alfredo Vidigal Pontes