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Ao fim da Copa, França e Bélgica dominam ranking do Estado

Uruguai, Rússia e Croácia estão entre os times que mais evoluíram, enquanto Argentina e Alemanha despencaram. Posição do Brasil pouco mudou. Análise usa método estatístico para descobrir quais são os times que dominaram o futebol nos últimos anos

Texto e dados: Rodrigo Menegat / Infografia: Bruno Ponceano

16 Julho 2018 | 18h00

 

Há mais de uma maneira de olhar para os resultados da Copa do Mundo de 2018. A mais óbvia é ver quem ganhou a taça ou levou medalhas para casa. Outro recorte possível é analisar quem, mesmo sem título ou pódio, mostrou evolução e subiu de patamar no equilíbrio de forças do futebol.

Nos dois casos, a França se deu muito bem. O time já era listado entre os favoritos, é verdade, mas fazia campanhas decepcionantes nos principais torneios e enfrentava uma seca de títulos desde 2003, quando venceu sua última Copa das Confederações. Não mais.

Essa mudança de patamar fica evidente no ranking de seleções do Estado, que usa um modelo estatístico para determinar quais times dominam o futebol mundial em cada época. Antes da Copa, os franceses estavam atrás dos rivais Alemanha, Brasil, Espanha e Portugal. Agora, estão na frente de todos.

O ranking, que compila resultados de jogos entre seleções desde 1872, revela outras histórias além da saga francesa. Como a análise tenta estimar a força de cada equipe em determinado momento, ela pode ser usada para mostrar quem fez campanhas mais improváveis, para o bem e para o mal, durante o torneio.

A principal característica do levantamento é que um time ganha muitos pontos quando vence adversários fortes e perde quando é derrotado por um oponente fraco. A metodologia é baseada em uma sistema de rankings desenvolvido pelo físico húngaro Arpad Elo. Os detalhes sobre a elaboração estão disponíveis no final da matéria ↓

Quem subiu?

De acordo com esses critérios, quem se deu melhor na Copa foram, sem surpresa, França e Bélgica. Entretanto, também é preciso destacar as campanhas de Uruguai, Rússia e, claro, da Croácia. Estes foram os cinco times ganharam mais pontos e, portanto, mais cresceram no cenário internacional durante o torneio.

A campanha da França teve um único tropeço: o zero a zero contra a Dinamarca na última rodada da fase de grupos, quando a classificação de ambos já estava praticamente garantida. Depois disso, a ascensão foi constante.

Bélgica chegou a liderar o ranking em dois momentos: ao fim da primeira fase, quando venceu a Inglaterra pela primeira vez, e depois das quartas, quando eliminou o Brasil. Com uma segunda vitória sobre os ingleses na decisão do terceiro lugar, terminaram a Copa abaixo apenas da França no levantamento do Estado.

Uruguai seguiu a tradição de crescer durante a Copa do Mundo. O país chegou em baixa no torneio, mas, com uma campanha forte na fase de grupos e a proeza de tirar Cristiano Ronaldo e Portugal da competição, finalizou o torneio em oitavo no ranking.

Rússia começou a Copa por baixo, já que não disputou as eliminatórias. A maioria das partidas que jogou foram amistosos preparatórios, que contam poucos pontos na nossa análise. Para piorar, a equipe havia fracassado na Eurocopa de 2016 e na Copa das Confederações de 2017, o que a colocou numa posição pouco confortável. Já no mundial, o time da casa goleou dois adversários (também frágeis, é verdade) de seu grupo. Depois, ainda eliminou a Espanha. Como consequência, veio a arrancada no ranking.

No caso da finalista Croácia, a subida é menor porque, depois de uma primeira fase tranquila, a campanha se construiu com decisões por pênaltis contra equipes mais fracas. Na metodologia do jornal, empatar contra um time pior significa perder pontos. Mesmo assim, há uma evidente ascensão de patamar: saiu da 14ª colocação para a 6ª.

Quem desceu?

O ranking também revela quem fez as piores campanhas diante das expectativas anteriores ao mundial. Entre os cinco que mais caíram, estão os dois finalistas da Copa de 2014. A eles, se juntam três seleções pouco tradicionais.

Ninguém esperava muita coisa do Panamá, que foi o grande saco de pancadas do torneio, alvo de duas goleadas. A diferença de gols e a campanha de derrotas explicam a queda no ranking. Ainda que as expectativas fossem baixas, não dá para perder dessa maneira e sair impune na análise.

Para Egito e Islândia, a história é um pouco diferente. Ambos os times vieram para a Rússia depois de boas campanhas nas eliminatórias, em que terminaram no primeiro lugar de seus respectivos grupos. Também haviam feito bons torneios continentais: os egípcios foram vices da Copa Africana de Nações de 2017 e os nórdicos avançaram até as quartas da Eurocopa de 2016. 

No mundial, porém, as duas equipes fracassaram. Os africanos perderam todos os seus jogos, até mesmo o confronto com a Arábia Saudita, tida como um dos adversários mais fracos da competição. Os islandeses até conseguiram um empate surpreendente com os argentinos, mas perderam as duas partidas seguintes e não conseguiram continuar a saga de zebras.

Argentina, aliás, é uma das grandes seleções que sofreu bastante nessa Copa. Para começar, quase não passou de fase: além do empate com a Islândia, levou três gols da Croácia e só conseguiu vencer a Nigéria no final do jogo. Caiu nas oitavas, apesar de dar muito trabalho para a França, futura campeã – pouco para um time que costuma entrar nos mundiais com ambições de título.

O outro time tradicional que fracassou foi a Alemanha. Líder do ranking às vésperas da Copa, acabou eliminada na primeira fase com uma derrota para a Coreia do Sul. O vexame, de acordo com os critérios do ranking, foi pior que o 7×1. E para ser pior que o 7×1, a derrocada foi mesmo grande.

E o Brasil?

Já que falamos na tragédia de 2014, também vamos analisar o desempenho do Brasil. Não foi a Copa dos sonhos e o hexa ficou para, no mínimo, 2022. Ainda assim, a Seleção não enfrentou um desastre comparável ao de alemães e argentinos. Ganhou alguns pontinhos magros e perdeu duas posições. Antes da Copa, era o segundo time mais temido do mundo. Hoje, é o terceiro, abaixo de França e Bélgica, logo acima da Espanha.

Jogos finais

Estado tem usando o ranking como método para analisar, rodada a rodada, os principais jogos da Copa. Para terminar o torneio, vamos olhar para a final e para a disputa de terceiro lugar.


 

Como foi feito?

análise do Estadão adaptou um método desenvolvido pelo físico húngaro Arpad Elo. De acordo com a pontuação dos times no momento do jogo, uma fórmula matemática é usada para determinar a probabilidade de cada equipe vencer a partida.

Quando um time vence um jogo em que o triunfo era improvável, ele ganha mais pontos. Se vence um jogo onde era franco favorito, ganha menos. O derrotado sempre perde a mesma quantidade de pontos que o vencedor ganhou. Em caso de empate, o time favorito perde pontos e o azarão ganha.

A principal diferença entre o modelo desenvolvido pelo jornal e o método tradicional é que foram atribuídos multiplicadores de acordo com a importância dos jogos. Assim, um jogo de Copa vale seis vezes mais que um amistoso, por exemplo. Além disso, ele leva em conta a quantidade de gols: golear dá mais pontos que ganhar por um a zero.

A pontuação de cada time muda a cada jogo disputado. Ao final de cada ano, os times perdem 10% de seus pontos. Assim, a análise enfatiza o desempenho do time em anos recentes.

Para a análise, foram considerados jogos disputados por seleções principais em torneios organizados pela FIFA ou por confederações continentais, além de amistosos.

Também foram computadas partidas disputadas nos Jogos Olímpicos de 1908 a 1928, que tinham reputação de campeonato mundial antes da criação da Copa do Mundo. Depois, quando as Olimpíadas passaram a reunir jogadores amadores ou de categorias de base, o torneio foi desconsiderado.

Expediente

Diretor de Arte: Fabio SalesEditor de Esportes: Robson MorelliEditora de infografia: Regina ElisabethEditor assistente de infografia: Vinicius Sueiro

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