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Após 1ª rodada, favoritas empacam e 2º escalão encosta no ranking do Estado

Times que dominaram o futebol nos últimos anos, de acordo com levantamento estatístico, tiveram desempenho abaixo das expectativas em suas estreias. Registramos as principais surpresas e decepções em uma série de gráficos

Texto e dados: Rodrigo Menegat / Infografia: Bruno Ponceano

19 Junho 2018 | 20h00

 
  

Gráficos mostram a posição de cada um dos países antes e depois de suas partidas. Ganhou pontos quem venceu ou arrancou um empate de um adversário mais bem colocado no ranking

A festa mexicana por vencer a Alemanha, atual campeã mundial, foi grande. Não é à toa: de acordo com uma análise estatística do Estado, o algoz do Brasil na última Copa era o time que vinha mais forte para o mundial - ou, ao menos, era o time que conseguiu um desempenho mais consistente contra adversários fortes nos últimos anos.

No modelo montado pelo jornal, porém, a Copa do Mundo é o torneio mais importante: é nela que ocorrem as maiores oscilações entre as forças do futebol. Ao fim da primeira rodada da fase de grupos, já é possível dar uma olhada no sobe e desce das potências.

Não foi só a Alemanha que tropeçou: mais três times vieram para a Copa coroados por boas campanhas ou títulos recentes: Brasil, Portugal e Espanha. Nenhum deles deslanchou.

Quem estava um pouco mais abaixo, ainda entre os melhores times do torneio mas sem um domínio tão grande nos últimos anos, aproveitou: França e Bélgica venceram seus jogos e grudaram nos rivais que vinham mais badalados. Dois times tradicionais que correm por fora, Argentina e Inglaterra, seguem atrás.

Vale lembrar que, no nosso ranking, conta mais pontos ganhar de um time poderoso e que a diferença de gols tem grande influência. Em caso de empate, o time considerado mais forte cai e o mais fraco sobe. Ficou curioso sobre nosso método? Leia mais no final da matéria ↓

Agora, vamos ver como aconteceu essa variação jogo a jogo.


 

Quem subiu?

Entre os times que se deram bem na primeira rodada, há um cujo desempenho no ranking, a princípio, parece surpreendente: a Rússia.

Ok, foi de goleada, mas os donos da casas venceram a fraca seleção saudita. Não deveriam ter subido tanto. Porém, repare na posição inicial do time, no lado esquerdo. Ele veio pra Copa como o pior time no ranking. Faz sentido colocar o time atrás de azarões como a Arábia Saudita, Panamá e Tunísia? Estatisticamente, sim. 

  

Como país-sede, a Rússia não precisou disputar as Eliminatórias. Assim, esteve em menos partidas que os demais. Quando jogava, eram amistosos com peso pequeno no ranking. Assim, não é injusto dizer que os donos da casa foram coadjuvantes no durante o ciclo preparatório para a Copa. Nas raras vezes em que disputaram torneios competitivos, naufragaram na Copa das Confederações e na Eurocopa. O ranking enfatiza isso.

A análise subestima a força dos russos, mas um triunfo desse tamanho, por mais fraca que a seleção adversária fosse, não acontecia desde 2015. A vítima daquela vez era ainda menos assustadora que os sauditas: 7 a 0 contra Liechtenstein.

Quem desceu?

Além dos favoritos que decepcionaram, aconteceram zebras também em jogos menos badalados.

Polônia, cabeça de chave de seu grupo, perdeu vários pontos depois de levar 2 a 1 de Senegal. No mesmo grupo, a Colômbia foi surpreendida pelo Japão e foi derrotada com um placar idêntico. O Peru era considerado mais forte que a Dinamarca, mas não foi capaz de repetir o desempenho que teve nas últimas competições sul-americanas.

Esse três jogos foram responsáveis por mudanças radicais no ranking: o vencedor sempre ultrapassou a pontuação do perdedor: mais um lembrete que jogo de Copa vale muito.

  

 

Como foi feito?

análise do Estadão adaptou um método desenvolvido pelo físico húngaro Arpad Elo. De acordo com a pontuação dos times no momento do jogo, uma fórmula matemática é usada para determinar a probabilidade de cada equipe vencer a partida.

Quando um time vence um jogo em que o triunfo era improvável, ele ganha mais pontos. Se vence um jogo onde era franco favorito, ganha menos. O derrotado sempre perde a mesma quantidade de pontos que o vencedor ganhou. Em caso de empate, o time favorito perde pontos e o azarão ganha.

A principal diferença entre o modelo desenvolvido pelo jornal e o método tradicional é que foram atribuídos multiplicadores de acordo com a importância dos jogos. Assim, um jogo de Copa vale seis vezes mais que um amistoso, por exemplo. Além disso, ele leva em conta a quantidade de gols: golear dá mais pontos que ganhar por um a zero.

A pontuação de cada time muda a cada jogo disputado, mas, para sintetizar a informação, os gráficos mostram apenas a evolução anual. Ao final de cada ano, os times perdem 10% de seus pontos. Assim, a análise enfatiza o desempenho do time em anos recentes.

Para a análise, foram considerados jogos disputados por seleções principais em torneios organizados pela FIFA ou por confederações continentais, além de amistosos.

Também foram computadas partidas disputadas nos Jogos Olímpicos de 1908 a 1928, que tinham reputação de campeonato mundial antes da criação da Copa do Mundo. Depois, quando as Olimpíadas passaram a reunir jogadores amadores ou de categorias de base, o torneio foi desconsiderado.

Expediente

Diretor de Arte: Fabio SalesEditor de Esportes: Robson MorelliEditora de infografia: Regina ElisabethEditor assistente de infografia: Vinicius Sueiro

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