47º dia de guerra: Rumo ao leste, Rússia move tropas e busca um comando central para a invasão da Ucrânia

No primeiro encontro presencial de Putin com um líder da União Europeia desde o início da invasão, o chanceler (chefe de governo) austríaco disse estar ‘pessimista’ sobre a evolução da guerra

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Por Redação
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O 47º dia da guerra na Ucrânia foi marcado pelas decisões táticas de Moscou de priorizar a batalha no leste, incluindo eleger um comando para o que chama de “operação militar especial” no país vizinho. Com o general Alexander Dvornikov à frente da invasão da Ucrânia, o Kremlin tentará centralizar a coordenação de seus quase 100 batalhões táticos, que até então agiam de forma quase independente.

O general, que chefia o Distrito Militar do Sul da Rússia desde 2016 e se destacou em posição de comando na guerra da Síria, será o responsável pela nova fase do conflito.

Nesse esforço, o governo de Vladimir Putin informou que vários equipamentos de defesa aérea da Ucrânia foram destruídos para ganhar superioridade aérea e excluir armas vistas como cruciais para a resistência.

Presidente Vladimir Putin posa ao lado do general Alexander Dvornikov  

Além disso, a Rússia vem movimentando milhares de tropas e colunas de veículos blindados e de suprimentos para um novo assalto à região. Autoridades ocidentais estimam que a Rússia tente “dobrar ou talvez triplicar” o número de soldados em Donbas nos próximos dias, ao deslocar forças de Kiev e de outros lugares.

No primeiro encontro presencial de Putin com um líder da União Europeia desde o início da invasão, o chanceler (chefe de governo) austríaco, Karl Nehammer, disse estar “pessimista” sobre a evolução da guerra. Segundo ele, Putin está “imerso em uma lógica de guerra” e que o acúmulo de tropas russas no leste da Ucrânia anuncia uma “escalada de violência”. Saiba mais sobre o 47º dia da guerra na Ucrânia:

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Comando central

Sete semanas após a invasão russa da Ucrânia, Moscou colocou à frente das operações o general Alexander Dvornikov, um militar familiarizado com esse cenário, que chefia o Distrito Militar do Sul da Rússia desde 2016 e também tem uma vasta experiência na guerra na Síria.

Com essa mudança, o Kremlin busca centralizar a coordenação de seus quase 100 batalhões táticos, que até agora atuaram de forma quase independente e encontraram um rival mais bem organizado.

Foco no leste

Reforçando sua estratégia de concentrar o foco da guerra para o leste, a Rússia voltou a atacar para destruir as defesas ucranianas e tomar a região do país. Segundo o próprio governo Putin, vários equipamentos de defesa aérea foram destruídos, em um aparente esforço para ganhar superioridade aérea e excluir armas vistas como cruciais para a resistência.

Bombeiros tentam conter incêndio após ataque russo em Kharkiv  

Ao mesmo tempo, a Rússia vem movimentando milhares de tropas e colunas de veículos blindados e de suprimentos para um novo assalto à região. Autoridades ocidentais estimam que a Rússia tente “dobrar ou talvez triplicar” o número de soldados em Donbas nos próximos dias.

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Ainda não se sabe quantas unidades poderiam ser remanejadas para o próximo front da guerra, mas agências de inteligência dos EUA e da Europa acreditam que a manobra levaria “algum tempo”.

Visita em Moscou

O chanceler austríaco, Karl Nehammer, disse estar “pessimista” sobre a evolução da guerra na Ucrânia após se encontrar presencialmente em Moscou com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, nesta segunda-feira, 11. Nehammer avalia que Putin está “imerso em uma lógica de guerra” e que o acúmulo de tropas russas no leste da Ucrânia anuncia uma “escalada de violência”.

O encontro foi o primeiro presencial de Putin com um líder da União Europeia desde que a invasão russa na Ucrânia começou, no dia 24 de fevereiro. Ele aconteceu em Nova-Ogariovo, uma residência presidencial russa nos arredores de Moscou.

Apesar do pessimismo, Nehammer considerou o encontro com Putin importante para confrontá-lo sobre as consequências da guerra e falar com franqueza sobre a destruição e a dor causada na Ucrânia.


As vítimas

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A guerra continua cobrando seu preço em mortes de civis, com o prefeito da cidade portuária de Mariupol dizendo que, por lá, o número pode ultrapassar 20 mil. Ele descreveu uma cena com cadáveres que “formaram um tapete nas ruas”. A cidade possuía 400 mil habitantes antes da guerra e, até o momento, cerca de 100 mil permanecem presos.

Em entrevista à Associated Press, o prefeito, Vadim Boichenko, também afirmou que os russos levaram equipamentos móveis de cremação à cidade para descartar os corpos. Ele insiste que as forças russas se recusam a permitir a entrada de comboios humanitários na cidade, na tentativa de esconder o massacre.

Os inocentes

Entre as mortes de civis, pelo menos 183 crianças morreram e 342 ficaram feridas na Ucrânia desde que a invasão russa ao país começou em 24 de fevereiro, segundo a comissária de direitos humanos do Parlamento, Liudmyla Denisova.

Criança ucraniana refugiada chega a posto de acolhida na cidade polonesa de Przemysl Foto: Darek Delmanowicz

Ela ponderou que, na verdade, é impossível determinar o número real de menores que foram vítimas da guerra, uma vez que as tropas russas realizam ataques contínuos e ações hostis nas cidades ucranianas.

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