A visita de Biden à Ásia

Muitos países do Sudeste Asiático preferem manter um equilíbrio entre EUA e China

exclusivo para assinantes
Foto do autor: Lourival Sant'Anna

Lourival Sant'Anna

É colunista do 'Estadão' e analista de assuntos internacionais

ver mais

Lourival Sant'Anna

É colunista do 'Estadão' e analista de assuntos internacionais

Veja mais sobre quem faz

Foto do autor: Lourival Sant'Anna

A visita de Biden à Ásia

Muitos países do Sudeste Asiático preferem manter um equilíbrio entre EUA e China

exclusivo para assinantes

Coluna

Lourival Sant'Anna

É colunista do 'Estadão' e analista de assuntos internacionais

Veja mais sobre quem faz

Foto do autor: Lourival Sant'Anna

A visita de Biden à Ásia

Muitos países do Sudeste Asiático preferem manter um equilíbrio entre EUA e China

exclusivo para assinantes

Joe Biden iniciou, na sexta-feira, sua primeira visita à Ásia como presidente, para lançar a Estrutura Econômica do Indo-Pacífico (Ipef). Esse arranjo comercial e tecnológico busca excluir a China da cadeia de valores e do padrão de interoperabilidade da próxima geração de conectividade digital – o 6G.

Com isso, Biden retoma a estratégia de Barack Obama, que lançou a Parceria do Trans-Pacífico (TPP) com o mesmo objetivo. O esquema foi desmontado por seu sucessor, Donald Trump, que retirou os EUA da TPP antes mesmo de ela acabar de ser negociada.

O Indo-Pacífico representa cerca de metade da população, da produção econômica e do comércio do mundo. Os chefes de governo da Coreia do Sul e do Japão aderem à ideia, assim como Taiwan e Austrália, outros países explicitamente em disputa com a China.

Continua após a publicidade

Continua após a publicidade

Presidente dos EUA, Joe Biden, é saudado pela guarda de honra durante encontro com o presidente sul-coreano, Yoon Suk-youl, em Seul
Presidente dos EUA, Joe Biden, é saudado pela guarda de honra durante encontro com o presidente sul-coreano, Yoon Suk-youl, em Seul  

Já os países do Sudeste Asiático preferem equilibrar-se entre as duas potências globais, e evitam excluir a China das cadeias de valor e de investimentos. Escrevo do Camboja, que preside a Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), cujos governantes se reuniram com Biden, em Washington, dias 12 e 13.

Entre 2016 e 2019, o Camboja assinou com a China 65 acordos para financiar projetos de infraestrutura como portos, rodovias, aeroportos, centrais elétricas e uma refinaria de petróleo. O Camboja deve US$ 9 bilhões à China – 65% de sua dívida total e 30% de seu PIB.

Em março, o general Hun Maned, comandante das Forças Armadas, filho e sucessor do homem forte do Camboja, firmou um pacto militar com a China. No mesmo mês, seu pai, o premiê e general Hun Sen, assinou um acordo com o primeiro-ministro do Japão, Kichida Fumio, de investimento de US$ 200 milhões no porto cambojano de Sihanoukville.

O investimento do Japão em infraestrutura no Camboja somava US$ 3,14 bilhões em julho de 2021, com 211 projetos – além do porto, pontes, estradas, eletricidade e abastecimento de água. Muitos países asiáticos sentem que a competição entre as potências globais e regionais os beneficia, e não têm interesse em botar todos os seus ovos numa cesta.

A viagem culminará com a cúpula do Quad, aliança entre EUA, Índia, Japão e Austrália. A Índia é adversária da China. Mas metade do arsenal indiano vem da Rússia e a Índia a apoia de forma implícita com abstenções na Assembleia-Geral da ONU e aumento da compra de petróleo russo.

Biden procurará mostrar ao premiê indiano, Narendra Modi, que o suprimento de peças de reposição do armamento russo ficará comprometido pelas sanções à Rússia. O desafio de Biden é tornar o Quad a versão asiática da Otan, com o paralelo entre a invasão da Ucrânia e a ameaça a Taiwan, entre o bullying russo e o chinês. E superar a fratura na credibilidade dos EUA, provocada pelas rupturas de Trump.

É COLUNISTA DO ESTADÃO E ANALISTA DE ASSUNTOS INTERNACIONAIS

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Publicidade