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Brasil condena massacre de Hula, na Síria, mas mantém diálogo com país

Paulo Sérgio Pinheiro, que liderará investigação do caso, acredita que presença de observadores da ONU facilitará trabalhos

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Foto do author Bruna Ribeiro

SÃO PAULO - Para salvar a própria vida, o menino sírio Ali el-Sayed, de 11 anos, sujou as roupas com o sangue do irmão mais novo, enquanto a família dele era assassinada no massacre da cidade de Hula, no dia 25 de maio. Deitado no chão de casa, ele enganou os criminosos, fingindo-se de morto. Ali foi o único sobrevivente dos seis membros da família, que se somaram às 108 pessoas mortas no ataque - sendo 49 delas crianças. Veja também:

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O Itamaraty ressaltou que a posição do país até agora é de apoiar o plano de paz de Kofi Annan. "O Brasil acha que o plano tem de ser aplicado para que a situação seja normalizada", comunicou. Para Furriela, é importante que haja uma ponderação internacional na intervenção na Síria. "Se a intervenção for na intenção de derrubar o governo, isso pode ser desastroso", sugeriu. "Ainda é um governo com uma boa sustentação nacional, apesar do desgaste e de haver grupos opositores", justificou o professor.InvestigaçãoPara apurar o caso, o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro contará inicialmente com a colaboração de 17 profissionais. Em entrevista ao estadão.com.br, Pinheiro disse que alguns deles estão na Síria e outros, em Genebra. "Pessoas podem ser contratadas, de outras especialidades", completou.A presença dos observadores da ONU que fazem parte da missão de Kofi Annan no país facilita o início dos trabalhos, segundo o brasileiro. "Não é uma investigação que vai sair do zero. Há muitos fotos e muitos vídeos", explicou. "Do outro lado, há resultados da investigação por parte do governo. Acredito que tudo isso será um elemento inicial importante".Depois de visitar o local, entrevistar pessoas, responsáveis e autoridades do governo sírio, Pinheiro apresentará o relatório ao Conselho de Direitos Humanos, que tomará decisões sobre o massacre de Hula.

 

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