Orbán garante reeleição fácil na Hungria após amenizar apoio a Putin

Fidesz deve eleger 135 deputados, das 199 cadeiras do Parlamento e ampliar guinada autoritária do premiê húngaro, segundo analistas

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Por Redação
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BUDAPESTE - O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, foi reeleito neste domingo, 3, para o quarto mandato seguido, com uma maioria parlamentar que lhe permitirá fazer novas alterações na Constituição do país e ficar 16 anos no cargo. A vitória veio após Orbán se amenizar o apoio ao líder russo, Vladimir Putin, na reta final da campanha, diante do impacto da guerra na Ucrânia no eleitorado.

Com 94% da apuração concluída, o partido Fidesz tinha 53% dos votos ante 35% da coalizão opositora União pela Hungria. Com a vantagem, Orbán, de 58 anos, declarou vitória no começo da noite. O Fidesz deve eleger 135 deputados, das 199 cadeiras do Parlamento. A oposição reconheceu a derrota.

“Caros amigos, obtivemos uma vitória excepcional, uma vitória tão grande que provavelmente pode ser vista da lua, e certamente de Bruxelas”, declarou o mandatário húngaro em um breve discurso após a publicação dos resultados parciais oficiais.

O premiê húngaro, Viktor Orbán, discursa em comício em Kecskemetar Foto: Benko Vivien Cher HANDOUT

Lideranças do partido de Orbán se apressaram em dizer que a eleição fortalece a democracia húngara, apesar do desmonte do sistema de freios e contrapesos no país, criticado pela União Europeia.

Acusado pela Comissão Europeia de múltiplos ataques ao estado de direito, Orbán silenciou durante três mandatos consecutivos a Justiça e os meios de comunicação, estimulando ao mesmo tempo uma visão ultraconservadora da sociedade.

Com a vantagem, Orbán terá maioria para fazer novas mudanças na Constituição do país. Segundo Edit Zgut, cientista política da Academia Polonesa de Ciências em Varsóvia, a ampla vitória permitirá que ele avançasse em uma direção autocrática, afastando dissidentes e dominando novas áreas da economia.

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”A Hungria parece ter chegado a um ponto sem retorno”, disse ela. “A principal lição é que o campo de jogo está tão inclinado que se tornou quase impossível substituir o Fidesz nas eleições.”

A oposição conseguiu seu melhor resultado desde 2010, mas o esforço de unir diversos partidos em uma única lista aparentemente foi em vão. O líder opositor Peter Marki-Zay não conseguiu se eleger para o Parlamento e perdeu para um deputado do Fidesz por 11 pontos porcentuais. Marki-Zay reconheceu a derrota.

“Não consigo esconder a minha desilusão com o resultado”, disse o opositor, que reuniu direita e esquerda na sua coalizão

A taxa de participação se aproximou de 67,8% meia hora antes do fechamento das urnas, muito próxima da mobilização recorde das eleições de 2018. Para analistas, o sucesso de Orbán se deve em parte à mobilização do eleitorado conservador, que foi às urnas para votar tanto na eleição quanto em um referendo sobre direitos LGBT e limites ao ensino de educação sexual nas escolas.

Distanciamento de Putin

Depois da invasão, Orbán se apressou em se afastar de seus esforços de uma década aprofundando os laços comerciais e políticos com Moscou e adotou um posição ambígua. Ele evitou condenar abertamente a Rússia, o que o afastou de aliados poloneses e checos – estes mais temerosos com as ambições russas no Leste Europeu.

Isso ocorreu porque a Hungria depende em grande escala de combustíveis importados da Rússia como o petróleo e o gás natural. Ao mesmo tempo, Orbán conta com o respaldo do governo polonês em seus conflitos com a União Europeia. “A decisão de apostar o futuro energético do país (tanto fóssil quanto nuclear) em laços estreitos com a Rússia está saindo pela culatra”, disseram economistas da consultoria UniCredit em nota./ AFP, E AP

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