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Putin prepara uma guerra de atrito com a Ucrânia com aumento de efetivo militar; leia a análise

Seguro no poder e tendo silenciado a dissidência, líder russo tem pouco incentivo para parar a guerra

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Por Anton Troianovski

A decisão de Vladimir Putin de expandir o tamanho de suas forças armadas deu mais uma pista do que ucranianos e russos esperam: os dois lados estão se preparando para uma longa guerra de atrito.

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Putin, seguro no poder e tendo silenciado a dissidência, tem pouco incentivo para parar a guerra. O presidente ucraniano, Volodmir Zelenski, alertou que o próximo inverno seria “o mais difícil de nossa história”.

O conflito se transformou em uma guerra de desgaste, com pouco movimento na linha de frente. “A expectativa de que a guerra acabe até o Natal ou que acabe na próxima primavera é um erro”, disse Ruslan Pukhov, analista do Centro de Análise de Estratégias de Moscou.

Ucrânia, beneficiando-se do fluxo de armas ocidentais, tem recursos e moral para continuar resistindo aos ataques russos. Mas a Rússia também parece ter as mesmas condições para continuar lutando – embora não para montar uma nova ofensiva decisiva.

Putin, durante reunião no Kremlin: aposta numa guerra longa Foto: Mikhail Klimentyev/AP

Putin enfrenta pressão doméstica de nacionalistas que querem intensificar os ataques na Ucrânia, particularmente após as recentes explosões na Crimeia e a morte de Daria Dugina, na semana passada. Mas o Kremlin vem ignorando a pressão dos extremistas. Em vez disso, Putin insiste que suas forças estão avançando “lentamente”.

No entanto, a Rússia não conseguiu capturar um único grande centro urbano desde o início de julho. E, para Putin, qualquer coisa que não seja o controle total do leste e do sul da Ucrânia seria vista como uma grande derrota.

Putin elevou o número de militares russos da ativa de 137 mil para 1,15 milhão. Na mídia estatal, está cada vez mais clara a mensagem de que a Rússia está no início de uma longa e existencial guerra contra o Ocidente. É uma mudança em relação à mensagem de seis meses atrás, quando os ucranianos eram descritos como um povo sem vontade de lutar e aguardando ansiosamente pela “libertação” russa.

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“Teremos menos turistas russos na Europa, mas o tamanho do Exército crescerá com mais 140 mil militares no serviço regular”, disse Igor Korotchenko, editor de um jornal militar russo, durante um talk show na TV estatal. “Espero que este seja apenas o começo.”

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