Quem são as vítimas do massacre em escola no Texas e o que sabemos sobre elas

Foto: Allison Dinner/ AFP
Por Moriah Balingit, Beth Reinhard, María Luisa Paúl, Holly Bailey e Karina Elwood
Atualização:

Familiares começaram a confirmar os nomes dos mortos e dos alunos no ataque a tiros à Robb Elementary School horas após atirador de 18 anos abrir fogo em sala de aula

Por Moriah Balingit, Beth Reinhard, María Luisa Paúl, Holly Bailey e Karina Elwood
Atualização:

THE WASHINGTON POST - Uma educadora experiente cuja dedicação a uma aluna com síndrome de Down deixou uma impressão duradoura. Um menino de 10 anos que com danças e brincadeiras iluminavam a casa de sua família. Um aluno da quarta série que acabara de entrar no quadro de honra da escola.

Os nomes dos mortos durante o ataque à Robb Elementary School, em Uvalde, Texas, na terça-feira, 24 - incluindo pelo menos 19 crianças e dois adultos - só começaram a surgir horas depois do massacre, quando a comunidade de 16 mil habitantes e cerca de 130 quilômetros de San Antonio tentava processar o que aconteceu.

Poucos dias antes das férias de verão, um jovem de 18 anos abriu fogo em uma sala de aula, desencadeando uma carnificina não vista em uma escola dos EUA em quase uma década.

Continua após a publicidade

Continua após a publicidade

Comunidade de Uvalde faz vigília e orações em na Robb Elementary School.
Comunidade de Uvalde faz vigília e orações em na Robb Elementary School. Foto: Jordan Vonderhaar / AFP

Aqui está o que sabemos até agora sobre as vítimas do ataque.

Eva Mireles, 44 anos

Mireles, educadora há 17 anos, ensinava alunos da quarta série na Robb Elementary School, de acordo com sua tia, Lydia Martinez Delgado, que confirmou que sua sobrinha estava entre os mortos. Lydia disse que seu sobrinho, Ruben Ruiz, era policial do distrito escolar de Uvalde e era casado com Mireles. A filha do casal se formou recentemente na faculdade.

Lydia contou que Mireles era alegre e ativa, e relembrou uma vez que ela se levantou antes do nascer do sol com outros parentes para uma caminhada durante uma reunião de família. “Ela fez tudo o que podia para viver uma vida longa, e aqui foi abreviada”, disse Delgado em entrevista por telefone na quarta-feira.

Audrey Garcia disse que nunca esquecerá a atenção que Mireles deu à sua filha Gabby, agora com 23 anos, quando estava na terceira série.

“Minha filha tem síndrome de Down e foi uma das primeiras alunas naquela época a ser incluída em uma sala de aula regular”, disse Garcia, que hoje mora em San Antonio. “Mireles sempre foi acima e além. Ela nunca viu Gabby como tendo menos potencial do que qualquer um dos outros alunos.”

Na terça-feira, Garcia postou uma foto no Twitter de sua filha e Mireles que, segundo ela, demonstra a dedicação da professora. Garcia disse que teve notícias de Mireles pela última vez há cerca de dois anos, depois que uma emissora de televisão local fez uma reportagem sobre a formatura de sua filha no ensino médio e seu novo negócio de joias. Mireles entrou em contato perto do Natal, disse Garcia, porque Gabby havia lhe dado um enfeite de presente.

“Ela dizia que sempre pensava em Gabby quando montava sua árvore de Natal”, disse Garcia. “Depois de todos esses anos, ela ainda se importava com Gabby como estudante. Eu só quero que todos saibam que tipo de pessoa ela era e que tipo de educadora ela era. Não quero que ela seja esquecida.”

Xavier Lopes, 10 anos

A casa de Lopez estava repleta de risadas e música infantil – e sua fonte, na maioria das vezes, era Xavier, de 10 anos, contando uma piada ou dançando cumbia.

Mas as risadinhas e os sons que antes enchiam o ambiente foram substituídos na terça-feira pela dor de uma vida interrompida, disse a família de Xavier. O aluno da quarta série da Robb Elementary School estava entre os mortos durante o tiroteio de terça-feira, disse sua mãe, Felicha Martinez, ao The Washington Post.

“Ele era engraçado, nunca sério e seu sorriso”, disse Martinez, com a voz embargada. “Esse sorriso eu nunca vou esquecer. Isso sempre animava qualquer um.”

Xavier “era tão cheio de vida”, disse ela, e uma luz brilhante para a família. Nunca se esquivando da câmera, ele balançava os quadris, agitava os braços e dançava energicamente na casa com seus irmãos – momentos de alegria que Martinez prontamente capturou em sua conta do TikTok.

Na escola, Xavier tinha uma queda por esportes – principalmente futebol e beisebol – mas também um grande interesse por arte, sua matéria favorita, disse Martinez.

“Ele adorava qualquer atividade em que pudesse ser criativo e, especialmente, desenhar”, disse Martinez.

A poucos dias de completar seu último ano do ensino fundamental, Xavier estava contando os dias para subir oficialmente na escada acadêmica para a Escola Secundária Flores em Uvalde. “Ele realmente mal podia esperar”, disse sua mãe.

Seus sonhos pareciam tão próximos na terça-feira na cerimônia do quadro de honra da Robb Elementary School. Martinez estava lá para torcer por ele quando o nome de Xavier foi chamado para receber seu certificado.

Poucas horas antes da tragédia, Martinez tirou uma foto de Xavier. Ela disse a ele que estava orgulhosa e que o amava, antes de dar um abraço de despedida. Ela disse que não imaginava que seria o último momento que ela compartilharia com o “filhinho da mamãe”.

José Flores, 10 anos

Jose, de 10 anos, era um aluno da quarta série da Robb Elementary School que adorava jogar beisebol, de acordo com seu tio Christopher Salazar, que confirmou a morte de seu sobrinho.

“Ele era um menino muito feliz. Ele amava seus pais… e adorava rir e se divertir”, disse Salazar.

Ele disse que seu sobrinho, que tinha dois irmãos e uma irmã, e “adorava ir à escola”. Na terça-feira, horas antes do tiroteio, José recebeu um prêmio por fazer o quadro de honra.

“Ele era muito inteligente”, disse Salazar. “Ele não era uma criança que procurava problemas.”

Encontrou algum erro?Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Publicidade