Rússia reivindica captura total de Liman, e forças ucranianas falam em retirada de Severodonetsk

Foto: Satellite image 2022 Maxar Technologies/Reuters
Por Redação

A conquista da cidade ferroviária do leste da Ucrânia pode facilitar o avanço russo para cidades maiores como Sloviansk e Severodonetsk, onde concentra sua ofensiva

Por Redação

SEVERODONETSK - O Ministério da Defesa da Rússia reivindicou neste sábado, 28, a captura total da cidade de Liman, no leste da Ucrânia, o que daria vantagem para as forças russas capturaram cidades maiores na região de Donbas. Ao mesmo tempo, as forças ucranianas que defendem Severodonetsk, uma cidade importante na província ucraniana de Luhansk, podem ter que recuar para escapar do cerco russo.

Separatistas pró-Rússia da autoproclamada República Popular de Donetsk disseram na sexta-feira, 27, que haviam capturado totalmente a cidade, um centro ferroviário a oeste de Severodonetsk. A Ucrânia confirmou que a Rússia capturou a maior parte de Liman, mas disse que suas forças ainda estavam bloqueando um avanço para Sloviansk, uma cidade maior a 20 quilômetros a sudoeste.

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Em uma atualização diária, a Rússia disse que usou ataques com mísseis para destruir postos de comando ucranianos em Bakhmut e Soledar. Ambas as cidades ficam em uma estrada estrategicamente importante que vai a sudoeste de Lisichansk e Severodonetsk, onde a principal ofensiva russa está agora concentrada.

Imagem de satélite divulgada pela Maxar Technologies em 27 de maio mostra prédios e tanques danificados na estrada em Liman, Ucrânia
Imagem de satélite divulgada pela Maxar Technologies em 27 de maio mostra prédios e tanques danificados na estrada em Liman, Ucrânia Foto: Satellite image ©2022 Maxar Technologies/AFP

O ministério também disse que destruiu cinco postos de comando e observação, atingiu áreas onde soldados e equipamentos ucranianos estavam localizados e destruiu quatro depósitos de munição perto das cidades de Nirkove, Bakhmut e Mironivka. Essas informações não puderam ser imediatamente verificadas pela imprensa.

Mas imagens de satélite recém-divulgadas pela empresa norte-americana Maxar Technologies mostraram forças russas se movendo em direção a Liman na quinta-feira e destruindo os territórios no leste.

Em Popasna, uma cidade ucraniana localizada a cerca de 56 km a sudeste de Liman, imagens de satélite tiradas esta semana mostraram unidades blindadas russas posicionadas perto e dentro da cidade. O Ministério da Defesa britânico disse na sexta-feira que as forças do Kremlin tomaram várias aldeias ao noroeste de Popasna.

A queda de Liman pode facilitar um avanço russo em Sloviansk a partir do nordeste, disse Mason Clark, analista do Instituto para o Estudo da Guerra. Liman e Popasna estão, respectivamente, ao norte e ao sul de Severodonetsk, uma cidade do leste da Ucrânia que tinha uma população pré-guerra de cerca de 100.000 habitantes e que está sob feroz ataque russo.

“Se a Rússia conseguisse assumir essas áreas, isso provavelmente seria visto pelo Kremlin como uma conquista política substantiva e seria retratado ao povo russo como justificativa à invasão”, disse o Ministério da Defesa britânico em uma avaliação neste sábado.

Ucranianos podem ter que recuar

As forças ucranianas que defendem Severodonetsk, em Luhansk, podem ter que recuar para escapar do cerco das forças russas, disse o governador regional neste sábado. Em um comunicado publicado no Telegram, o governador Serhi Haidai repetiu que as forças ucranianas resistiriam às tropas russas, desafiando as previsões de que a cidade – já sitiada em três frentes – cairia em breve. Mas “é possível que para não ficarmos cercados tenhamos que sair”, disse ele.

Severodonetsk é uma das últimas grandes cidades ainda sob controle da Ucrânia na região leste de Donbas, que inclui as províncias de Luhansk e Donetsk. As forças russas estão se concentrando na captura de Donbas depois de não terem tomado a capital da Ucrânia.

Severodonetsk está sob constante bombardeio russo, enquanto as forças russas parecem estar ganhando em Liman. “É quase impossível sair devido à densidade do bombardeio”, disse Haidai.

o governador também disse que a retirada de civis e entrega de mercadorias nas estradas que ligam Severodonetsk ao resto da Ucrânia ainda é possível, embora o movimento nessas rotas seja perigoso.

Os combates continuaram no sábado em torno da cidade e nas proximidades de Lisichansk. O presidente ucraniano Volodmir Zelenski reiterou que a situação no leste era “difícil”, mas expressou confiança de que seu país prevaleceria. “Se os ocupantes pensam que Liman ou Severodonetsk serão deles, estão errados. Donbas será ucraniano”, disse ele.

Na terça-feira, tropas russas tomaram Svitlodarsk, um pequeno município ao sul de Severodonetsk que abriga uma usina termelétrica, enquanto intensificavam os esforços para cercar e capturar a cidade maior.

O avanço das forças russas levantou temores de que os moradores experimentassem os mesmos horrores que as pessoas na cidade portuária de Mariupol, no sudeste, nas semanas anteriores à queda.

O prefeito de Severodonetsk, Oleksandr Striuk, disse na sexta-feira que cerca de 1.500 civis morreram ali durante a guerra, inclusive por falta de remédios ou por doenças que não puderam ser tratadas enquanto a cidade estava sitiada. Antes da guerra, a cidade era o lar de cerca de 100.000 pessoas. Cerca de 12.000 a 13.000 permanecem na cidade, onde 90% dos edifícios estão danificados, disse o prefeito à Associated Press.

Kherson com ‘fronteiras fechadas’

Ainda neste sábado, as forças russas na região ocupada de Kherson, no sul, fecharam as fronteiras para o território ucraniano, disse a mídia estatal russa.

Kirill Stremousov, vice-chefe da administração instalada pela Rússia em Kherson, disse à agência de notícias RIA Novosti que o fechamento foi por “razões de segurança”. No entanto, agora é possível viajar para outras áreas ocupadas pela Rússia, como a Crimeia ou a região leste de Donbas, acrescentou Stremousov.

Na semana passada, um porta-voz militar ucraniano disse que as forças russas estavam impedindo a retirada de crianças, doentes e idosos da região de Kherson, bem como a entrada de alimentos e remédios na área.

A capital regional foi a primeira grande cidade a cair para a Rússia após a invasão de 24 de fevereiro. Desde então, a administração instalada por Moscou anunciou uma transição para o rublo. A inteligência dos EUA também alertou que a Rússia planeja anexar Kherson e outras áreas sob seu controle por meio de referendos fraudulentos./AP, REUTERS e W.POST

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