PUBLICIDADE

Google prepara ofensiva contra plano que o obriga a pagar por conteúdo jornalístico

Em uma carta aberta, o Google afirmou que a lei que obriga que a companhia pague por informações coloca serviços gratuitos em risco

PUBLICIDADE

Por Agências
Atualização:
OGoogle alega que já paga milhões de dólares à imprensa australiana e que facilita que esses veículos recebam milhões de visitas por ano Foto: Mike Blake/Reuters

O Google lançou nesta segunda-feira, 17, uma ofensiva contra o plano australiano de obrigar gigantes de tecnologia a pagarem por notícias, alertando os usuários de que seus dados pessoais podem "estar em risco". A Austrália anunciou, no mês passado, que empresas como Google e Facebook teriam que pagar aos meios de imprensa pela utilização de seus conteúdos, depois de 18 meses de negociação que terminaram sem acordo. 

PUBLICIDADE

Essa medida histórica contempla multas milionárias para as empresas que não cumprirem a regra além de obrigar transparência em torno dos algoritmos que as companhias mantém em segredo e que utilizam para classificar o conteúdo.

Diante da medida, o Google resolveu se manifestar para evitar que as medidas entrem em vigor. Nesta segunda-feira, a empresa afirmou aos usuários, por meio de uma carta aberta na página principal de seu blog, que “a forma como os australianos usam o Google está em risco” e que as buscas na plataforma podem ser afetadas pela mudança. 

Da mesma forma, também advertiu que será obrigado a entregar informações sobre as buscas de usuários à empresas de imprensa, o que pode proporcionar dados que “ajudarão a inflar sua classificação automaticamente”, acima de outras ferramentas de busca. 

O Google alega que já paga milhões de dólares à imprensa australiana e que facilita que esses veículos recebam milhões de visitas por ano. “Mas, ao invés de promover esse tipo de associações, a lei dará um tratamento especial às grandes empresas jornalísticas e vai encorajar demandas enormes e loucas que podem colocar nossos serviços gratuitos em perigo”, diz a carta.

A legislação foca, em um primeiro momento, em Facebook e Google, duas das companhias mais ricas e poderosas, mas pode, eventualmente, se aplicar a qualquer plataforma digital. A proposta australiana ainda desperta interesse em todo o mundo, já que muitos países querem que essas empresas paguem pela informação que enriquece seus serviços e que obtém, hoje, de maneira gratuita.

A imprensa de todo mundo tem sofrido na economia digital, onde essas grandes empresas digitais captam, majoritariamente, a publicidade de anunciantes. A pandemia de coronavírus agravou a crise econômica, e levou ao fechamento de dezenas de jornais australianos, deixando centenas de jornalistas desempregados.

Publicidade

Diferente das tentativas realizadas em outros países para fazer plataformas digitais pagarem pelo uso da notícia, a iniciativa australiana foca na lei sobre a competência, ao invés da regulação dos direitos do autor. A lei conta com forte apoio da imprensa local, que esperam que as medidas entrem em vigor ainda neste ano. 

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.