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Justiça dos EUA abre investigação criminal contra o Uber

Aplicativo é acusado de usar software para enganar autoridades em locais onde é ilegal ou tem uso restrito

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Por Redação Link
Uber enfrenta nova polêmica em Cingapura, após alugar carros defeituosos para motoristas Foto: Eric Risberg/AP

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos abriu uma investigação criminal contra o Uber, que tem utilizado, desde 2014, um software secreto, chamado Greyball, para supostamente enganar as autoridades e escapar de fiscalização em cidades onde está ou esteve ilegal em todo o mundo. A ferramenta permitia ao Uber funcionar com o que era, essencialmente, uma versão falsa de seu aplicativo.

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Segundo reportagens do Washington Post e The New York Times, publicadas nesta quinta-feira, 4, a investigação está no começo, mas aprofunda a crise para a empresa e para o chefe-executivo e fundador da companhia, Travis Kalanick, que enfrentou repercussões negativas diante da imprensa há pouco mais de dois meses quando surgiram denúncias de assédio sexual ocorrido na empresa.

O inquérito federal foi divulgado em uma auditoria de transporte conduzida pela cidade de Portland, Oregon, publicado nesta semana. Na auditoria, funcionários de Portland disseram que foram notificados pelo procurador do distrito norte da Califórnia sobre a existência do inquérito. A cidade de Portland disse que estava cooperando com o inquérito.

A agência Reuters relatou nesta quinta que a natureza do inquérito era uma investigação criminal. O procurador conduz, geralmente, investigações criminais, e algumas das leis que o Uber pode ter quebrado implicam em penalidades criminais.

Em uma carta de 21 de abril para a cidade de Portland, que estava inclusa na auditoria, o Uber disse que não usa o programa na cidade desde abril de 2015. Tanto o Uber como o Departamento de Justiça se recusaram a comentar o caso atual.

Entenda. No início de março, o jornal The New York Times publicou matéria acusando o aplicativo de usar o software Greyball para enganar autoridades em diversos países do mundo. Alguns dias depois, a empresa divulgou nota afirmando que iria suspender o uso da ferramenta e justificando que ela havia sido criada com o objetivo de evitar problemas com usuários que queiram causar danos ou para fazer testes de marketing. A empresa disse ainda que iria investigar as informações, mas não pediu desculpas pela prática. 

Segundo a reportagem do NYT, quando um usuário marcado como suspeito (ou seja, pertencente a um órgão de fiscalização oficial) pedia uma corrida, o Uber mostrava apenas "carros-fantasma" em uma versão falsa do aplicativo. Caso o usuário suspeito conseguisse chamar a corrida, o Uber entrava em contato com o motorista para cancelar a chamada antes da viagem ser iniciada. 

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Entre as técnicas utilizadas pelo software, segundo a reportagem, estavam a de rastrear cartões de créditos usados no aplicativo. Caso o cartão estivesse diretamente relacionado a uma instituição governamental ou um batalhão de polícia, o usuário não conseguiria fazer uma viagem.

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